Polo Industrial de Manaus

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Produção industrial do Estado mantém viés de alta, aponta IBGE

Indicador de produção industrial do IBGE mostra manutenção da alta na atividade industrial pelo terceiro ano

Por Marco Dassori

12 Fev 2020, 22h59

Crédito: Divulgação

A produção industrial do Amazonas registrou seu segundo mês negativo em dezembro, com queda mensal superior à da média do país. Ao contrário da indústria brasileira, contudo, a amazonense encerrou 2019 com número positivo em relação a dezembro de 2018 e alta de dois dígitos no acumulado do ano, liderando o ranking nacional do setor. Os dados estão na pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta terça (11).

Em relação a novembro, a atividade industrial amazonense caiu 1%, em um recuo mais acentuado do que o do mês anterior, neste tipo de comparação (-0,6%). No confronto com dezembro de 2018, houve incremento de 12,2%, resultado bem melhor do que o do levantamento anterior (+11,5%). A indústria do Amazonas também engatou seu quinto mês seguido no azul na variação acumulada, tendo crescido 4% em 12 meses.

A retração mensal situou o Estado abaixo da média nacional (-0,7%) e na quinta posição entre as 14 unidades federativas pesquisas mensalmente pelo IBGE. Paraná (+4,8%), Pará (+2,9%) responderam pelos únicos dois desempenhos positivos do rol, seguidos por Santa Catarina (-0,7%). No sentido contrário, Mato Grosso (-4,7%), Rio de Janeiro (-4,3%) e Minas Gerais (-4,1%) figuraram no rodapé da lista. 

Em contraste, o aumento de 12,2% em relação a dezembro de 2018 elevou a indústria amazonense do segundo para o primeiro lugar do ranking mensal do IBGE e em um patamar bem acima da média brasileira (-1,2%). Rio de Janeiro e Ceará (ambos empatados com +4,5%) vieram em seguida. Os piores desempenhos ficaram em Espírito Santo (-24,8%), Minas Gerais (-13,6%) e Bahia (-4,7%).

Do mesmo modo, o desempenho do acumulado ano manteve o Estado na segunda posição do ranking brasileiro – cuja média foi, assim como nos dois meses anteriores, negativa em 1,1%. O Amazonas ficou atrás apenas do Paraná (+5,7%) e bem à frente de Goiás (+2,9%). Os piores resultados vieram de Espírito Santo (-15,7%), Minas Gerais (-5,6%) e Bahia (-2,9%).

Fora da curva

Assim como na sondagem anterior, sete das dez atividades da indústria local levantadas pelo IBGE tiveram bom desempenho entre novembro e dezembro de 2019. A principal foi a impressão e reprodução de gravações (DVDs e discos) com alta de 519,5% – a segunda fora da curva em 2019, após uma longa série de quedas na produção. Bebidas (+33,6%), equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (+20,9%), produtos de borracha e material plástico (+18,4%) e máquinas e equipamentos (condicionadores de ar, com +14,5%) vieram em seguida.

Na mesma comparação, três atividades tiveram desempenho negativo: coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (gás natural, com -13,5%), a indústria extrativa (óleo bruto de petróleo, com -3,3%) e a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (conversores, alarmes, condutores e baterias, com -3%).

No acumulado de 12 meses, o crescimento também incluiu sete atividades da indústria. Os melhores desempenhos vieram de máquinas e equipamentos (+36,3%), coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+9,5%) e outros equipamentos de transportes (motocicletas e suas peças, com +7,1%). As retrações ficaram em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-13,8%), impressão e reprodução de gravações (-5,4%) e produtos de borracha e material plástico (-0,4%). 

“Para comemorar”

Em sua análise para o Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que a indústria amazonense conseguiu fechar seu terceiro ano seguido de alta na produção, após os incrementos de 2017 (+4%) e de 2018 (4,4%), em um desempenho “bastante significativo, em face das circunstância do momento”, e bem superior ao do país. 

“Outra boa notícia foi a recuperação de importantes atividades industriais do PIM, como a de ‘outros equipamentos de transporte’, onde estão situadas as linhas de produção de motocicletas e suas peças. Informática, eletrônicos e ópticos também fecharam com expansão. Em suma, sete das dez atividades do Polo fecharam 2019 positivamente. Dentro das circunstâncias, é algo para se comemorar”, afiançou.

Recuperação lenta

O presidente da Fieam, Antonio Silva, disse que a queda de produção em dezembro era esperada, em razão das entregas de produtos para as festas de fim de ano serem antecipadas desde outubro. Para o dirigente, o que importa é o saldo positivo do volume de produção do PIM em 2019, desempenho alcançado em razão da melhora econômica de vários setores e da recuperação – “apesar de lenta” – do poder aquisitivo de parte dos consumidores, ajudado pelo aumento de empregos nos mercados mais importantes do país. 

“Para 2020, as coisas se complicam um pouco, pois é ano eleitoral e tem Reforma Tributária, além da ameaça do coronavírus. São questões que vão demandar muito esforço e união de todos para serem superadas com êxito.  Temos confiança que, com a atuação de nossa bancada federal, do governo do Estado, das entidades de classe e das lideranças políticas, haveremos de convencer nossos opositores e vencer mais essa etapa rumo ao nosso desenvolvimento socioeconômico”, concluiu. 

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