Agronegócios

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Produção agrícola tem previsão de queda, aponta dados do IBGE

Produção rural do Estado não deve passar de 1.787.040 toneladas - contra as 1.873.122 toneladas colhidas em 2019

Por Marco Dassori

12 Fev 2020, 23h36

Crédito: Divulgação

A safra agrícola do Amazonas deve ser 4,59% menor neste ano, segundo o IBGE. Em sua primeira projeção do ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima que a produção rural do Estado não deve passar de 1.787.040 toneladas – contra as 1.873.122 toneladas colhidas em 2019. As áreas de plantio e colheita, entretanto, seguem as mesmas da safra 2018/2019. Os dados foram divulgados pelo órgão, nesta terça (11)

A taxa negativa é puxada principalmente pela baixa expectativa em relação à mandioca, carro-chefe do setor agrícola do Estado, que chegou a alavancar os números da agricultura amazonense em 58,1% no ano passado. O IBGE projeta que a produção deve ficar em 1.239.598 toneladas neste ano, 6,9% a menos do que o registrado na safra de 2018/2019 (1.873.122 toneladas).

Cacau (-4,1%), banana (-2,3%) e laranja (-2,2%) também comparecem no levantamento com números negativos, após amargar queda também no ano anterior. A produção do cacau caiu de 1.321 (2018/2019) para 1.266 (2019/2020) toneladas, em intensidade maior do que a apresentada na safra anterior (-1,34%). No caso da banana (109.913 toneladas) e da laranja (65.232), por outro lado, as retrações vieram em ritmo mais suave na comparação com a colheita anterior (-10,08% e -6,11%, respectivamente).

O melhor número da safra agrícola do Amazonas deste ano aparece na cana-de-açúcar (+3,5%), conforme as estatísticas do IBGE. A estimativa é que a produção aumente de 274.059 (2018/2019) para 283.676 (2019/2020) toneladas. A projeção para a primeira safra do milho (+1,1%) é de 19.093 toneladas – contra 18.894 toneladas no período anterior. 

No caso do arroz (14.220 toneladas), é aguardada uma variação de apenas 0,1% em relação ao que foi colhido no ano passado (14.206). O Instituto, por outro lado, projeta estabilidade para as duas safras de feijão – 4.107 e 4.000 toneladas – e para os cafés arábica (1.836 toneladas) e canephora (2.679).

Cautela e consistência

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que ainda não houve alteração nos dados das áreas plantada e colhida não houve alteração, porque essas informações ainda são aguardadas para os próximos desdobramentos e revisões de expectativas, já que janeiro não seria o mês propício para se estimar estes itens. 

“Produtos importantes da lavoura começam 2020 com estimativa de safra em baixa. As quedas estimadas no início do ano mostram uma certa cautela com a projeção, principalmente com as culturas de longa duração. Nesse sentido, com o passar dos meses, os números vão sendo mais consistentes, devido às novas tendências levantadas para a safra corrente”, ponderou.

Cheia e alerta

Indagado pelo Jornal do Commercio a respeito dos porquês dos números divulgados pelo IBGE para a safra agrícola do Amazonas deste ano, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, se disse surpreso, especialmente no caso do desempenho esperado para a cultura da mandioca.

“O IBGE pode explicar melhor essa questão, mas talvez tenha considerado em seus cálculos a ocorrência de forte cheia. Esperamos que, em 2020, a produção rural de nosso Estado possa crescer e que essa previsão do IBGE possa servir de alerta para intensificar as políticas públicas, de modo a evitar a redução”, asseverou.

Licenciamento travado

O ex-superintendente da Conab, administrador com especialização no agronegócio e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, também estranhou os números e ressaltou que a ausência da soja no levantamento do IBGE é um “erro grave” já que a cultura está presente na cesta agrícola do Amazonas desde a safra 2018/2019. “Às vezes, essa diferença na safra se dá porque fica faltando um item importante para a atividade no Estado”, reforçou.

Em relação à queda significativa da safra da mandioca, produto responsável por 69,36% da produção agrícola amazonense, Meirelles aponta que gargalos burocráticos inibiram o alcance de programas governamentais para alavancar a atividade. “O Pró-Calcário e o Pró-Mecanização não andaram como em 2018, em razão de entraves na liberação de licenciamento ambiental pelo Ipaam. Ou seja, o governo travou o governo”, desabafou.

Procurado pelo Jornal do Commercio, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, não retorno até o fechamento desta reportagem. 

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