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Papai Noel estiloso e importado

Loránd Lajos resolveu ser Papai Noel há quatro anos e, desde então vive permanentemente o personagem

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

29 Nov 2019, 22h31

Crédito: Divulgação

Quem pensa que vida de Papai Noel é fácil, se engana. Se o verdadeiro bom velhinho trabalha o ano inteiro lendo as cartinhas das crianças para, em apenas uma noite, entregar presentes em todo o mundo, seus imitadores não trabalham menos, pois são capazes de ficar horas sentados num trono, em shoppings, durante o mês de dezembro, atendendo a dezenas, centenas de crianças, e tudo isso com um sorriso no rosto.

“Há quatro anos eu fui me oferecer para ser Papai Noel num shopping e, como minha barba ainda era pequena, eles não me aceitaram, então, peguei meu jipão e junto com a Mamãe Noel, minha esposa, fomos para o interior do Pará, depois do Amazonas, levar bombons e brinquedinhos para as crianças”, lembrou Loránd Lajos, húngaro que vive no Brasil há 28 anos, há 26 em Manaus e que há três anos, depois de cultivar uma frondosa barba, finalmente conseguiu se tornar um Papai Noel bastante requisitado por shoppings e outros lugares como pizzarias e restaurantes.

Loránd tem um ponto extra de vantagem em relação aos Papais Noeis locais. Suas características européias: alto, branco com bochechas vermelhas, o tornam ainda mais parecido com o Noel tradicional  

“Quando chega esta época de Natal, quem interpreta o Papai Noel tem que vivê-lo 24 horas por dia, porque aparece muito trabalho. Se eu fosse três acho que daria conta de tudo”, riu.

“Ano passado eu trabalhei até janeiro. Teve um aniversário com vários personagens, e o aniversariante quis que um desses personagens fosse o Papai Noel, e lá fui eu”, lembrou.

 

Barba há três anos

Donos de pizzarias e restaurantes também estão percebendo que o bom velhinho faz a alegria de seus clientes, abrindo um nicho a mais para o personagem.

“Sem falar dos eventos e confraternizações relativos à data, recentemente pizzarias e restaurantes têm me contratado. Você não imagina a surpresa e alegria das crianças, e mesmo dos adultos, quando o Papai Noel aparece. Todo mundo quer tirar fotos”, disse.

Loránd, como o personagem que interpreta, o vive o ano inteiro. Apesar de não ser gordo, ele é grande, medindo quase dois metros de altura. O único resquício do bom velhinho que permanece durante os 365 dias do ano é a barba branca, cuidadosamente mantida.

“Desde que me recusaram por causa da barba, há quatro anos, eu a tenho cultivado e, junto com as roupas e acessórios, além da cabeleira, ela recebe um tratamento especial a cada performance, lavada e escovada”, revelou.

Para ficar ainda mais parecido com o personagem, em fevereiro passado Loránd viajou até a Lapônia, a Terra do Papai Noel, na Finlândia, para conhecê-lo mais a fundo.

A Lapônia também é a terra das renas, dos huskies siberianos, dos alces, dos ursos polares, do salmão, do povo saami. Seus cenários mudam completamente conforme as estações do ano. Tem aurora boreal no outono e na primavera, crepúsculo azul no inverno e no verão é a terra do sol da meia noite. Esta região ao norte do Círculo Polar Ártico é habitada pelos Lapões e engloba parte dos territórios da Finlândia, Noruega, Suécia e Rússia.

“Lá existe a Vila do Papai Noel, bem em cima do Círculo Polar Ártico. Copiei alguns modelos de roupas, mas cada país muda alguma coisa no design. Eu mesmo tenho, atualmente, dez modelos diferentes de roupas e no próximo domingo vou estrear um que trouxe da Lapônia. É uma camisa branca, de mangas compridas, com detalhes coloridos na gola. A calça é verde, e nos pés, pantufas com meias coloridas. Bem diferente do tradicional, não é?”, adiantou.

 

Bota veio da Hungria

Loránd pode ser visto diariamente no Shopping Manauara, das 13h às 21h, com intervalo das 16h às 17h para almoço.

“Cada dia venho com uma roupa diferente. Eu mesmo desenho minhas roupas e mando para a costureira. Manaus é quente, mas eu mandei fazer as luvas, muito embora, na Lapônia, elas só sejam usadas fora de casa. Dentro, não usam luvas. Eu uso várias, porque suo muito. O cajado também fui eu que fiz. Detalhe para a bota, feita por um sapateiro na Hungria. Não tinha nenhuma do meu tamanho, em Manaus. E o cinturão foi feito no Rio de Janeiro”, acrescentou.

“E quem quiser me contratar, estou disponível até às 9h e a partir das 22h. Quem acha que ser Papai Noel é só ficar ali, sentado, se engana. É preciso ter um preparo para estar sempre feliz e sorridente ao longo destas horas seguidas”, ensinou.

Este ano sua chegada triunfal ao shopping aconteceu no domingo passado, dia 17. E mais uma vez Loránd apresentou um looking diferente. Veio com um comprido casaco, ou sobretudo, que chegava até junto do chão.

“Nunca vi tanta gente na recepção como este ano. Foi fantástico. As crianças e os adultos estavam maravilhados. O espírito do Natal é isso. Fazer as pessoas um pouco mais felizes”, filosofou.

      

 

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