História

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O dia em que a Santa Casa de Misericórdia de Manaus fechou

Vamos nos lembrar, no presente texto, de como se deu o fechamento desse hospital

Por Fábio Augusto Carvalho

13 Jan 2020, 13h21

Crédito: Divulgação

No dia 21 de novembro de 2019, o prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia de Manaus, localizado na rua 10 de Julho, no Centro, foi comprado, em leilão, pelo Grupo Ceuni Fametro, que se comprometeu em preservá-lo e transformá-lo em hospital universitário. Aparentemente um novo capítulo, mais feliz, começa a ser escrito. Vamos nos lembrar, no presente texto, de como se deu o fechamento desse hospital.

Construída entre 1873 e 1880, a Santa Casa de Misericórdia de Manaus funcionou até 2004. A partir de seu fechamento, o histórico prédio onde várias gerações de amazonenses - da capital e do interior, - foram atendidas, entrou em processo de deterioração, transformando-se em abrigo para pessoas em situação de rua, usuários de drogas e criminosos.

Desde a década de 1990 a Santa Casa de Misericórdia de Manaus sofria com problemas financeiros. Em 1999 a dívida com fornecedores, funcionários e previdência já era de 700 mil reais. Mesmo com inúmeras dificuldades, em 2002 o hospital realizou 2.905 cirurgias, 5.723 partos, 3.123 internações de adultos e 540 internações de crianças (JORNAL DO COMÉRCIO, 08/10/2003).

Em 2003, um ano antes do fechamento, no Governo de Amazonino Armando Mendes, a Santa Casa de Misericórdia perdeu o convênio com o Governo do Estado, convênio esse que lhe garantia um repasse mensal de 300 mil reais (JORNAL DO COMÉRCIO, 27/01/2004). O hospital possuía cerca de 450 funcionários, mas à medida em que a crise se agravava, foram ocorrendo demissões voluntárias. No fim, restaram apenas 260.

A justificativa do Governo do Estado do Amazonas para dar fim ao convênio foi de que a administração da Santa Casa teria apresentado irregularidades na prestação de contas, o que motivou o fim do acordo (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, 2016). Tinha início o fim da Santa Casa de Manaus. Até a decisão pelo encerramento de suas atividades, ela se manteve através de doações de empresários, shows beneficentes e bazares, o que já vinha ocorrendo desde fins dos anos 90. A Provedoria da Santa Casa tentou um empréstimo junto a Caixa Econômica Federal, mas este foi recusado pelo órgão. Em 2003 foi realizada uma campanha, Santo de Casa faz Milagre, destinada às pessoas interessadas em contribuir financeiramente para a sua manutenção. Poderiam ser doados 10, 20 e 30 reais através de ligações (JORNAL DO COMÉRCIO, 08/10/2003).

Pensava-se que aquela seria uma crise passageira, pois problemas financeiros eram recorrentes na área da saúde. No entanto, daquela vez, a crise veio para ficar.

Sem remédios no estoque e sem ter dinheiro pagar os funcionários, em outras palavras, sem ter como continuar suas atividades, no dia 7 de dezembro de 2004 a Santa Casa de Misericórdia de Manaus fechou as portas. Terminou seus dias com uma dívida estimada em 4 milhões de reais (ESTADÃO, SP, 07/12/2004). Como última alternativa, o Governo do Estado do Amazonas, já no mandato de Eduardo Braga, em 2005, tentou assumir a Santa Casa e administrá-la através do contrato de comodato para contornar a situação, mas nada foi acertado.

Seu fechamento representou diferentes perdas. A perda do patrimônio histórico do século XIX, símbolo das transformações da área da saúde naquele período. Perda da dignidade, tanto de pacientes quanto de funcionários, abandonados e sem receber seus vencimentos. Em síntese, uma tragédia de grandes proporções.

Que venham dias melhores...

Atendimentos

Em 2002 foram realizadas 2.905 cirurgias, 5.723 partos, 3.123 internações de adultos e 540 internações de crianças, o que mostra que, mesmo com dificuldades financeiras, o hospital seguia atendendo a população.

Direitos humanos

O vereador Isaac Tayah (PFL) sugere que a comissão de direitos humanos e saúde da Câmara faça uma visita urgente à Santa Casa de Misericórdia para averiguar a situação crítica da instituição, que corre o risco de ter as portas fechadas em razão de atraso de salários e da falta de condições de trabalho. (Jornal do Commercio, 18 de agosto de 2004).

Cabanagem

Tem início, no dia 06 de janeiro de 1835, na Província do Grão-Pará, uma das maiores revoltas populares do Brasil no século XIX, a Cabanagem, que reuniu diferentes classes sociais contra a pobreza que grassava a região e pela autonomia política em relação ao Governo Central”.

Emancipação

No dia 09 de janeiro de 1822 o Príncipe Regente Dom Pedro I, contrariando os anseios das Cortes Portuguesas, decide não retornar a Portugal, dando início ao processo de emancipação política do Brasil.

 

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