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O arubé e a murupi de volta ao sucesso

Por Evaldo Ferreira

06 Fev 2020, 11h05

Crédito: Evaldo Ferreira

Você já provou o arubé? Já ouviu falar do arubé ou ao menos sabe o que é o arubé? Pois é. Este molho tipicamente brasileiro, segundo historiadores, um dia já foi consumido por indígenas de todo o Brasil, mas há tempos foi relegado ao esquecimento, trocado pelos importados mostarda, maionese e ketchup. Mas o empreendedor Mário Oiram Fogaça, e a esposa Adélia Menezes, proprietários da Oiram Sabores Amazônicos, tentando reverter este descaso com o que é nosso, típico dos brasileiros, lançaram o arubé em bisnagas.

“Aqui em Manaus nunca vi o arubé ser usado em lugar nenhum, mas no Pará alguns restaurantes o servem. O chef amapaense, radicado em Belém, Ofir Oliveira, um apaixonado pesquisador da culinária amazônica define o arubé como “... a base do tucupi, suco da mandioca, engrossado com a própria mandioca, por sinal, Ofir é o maior divulgador deste tempero para o Brasil e para o mundo”, falou Mário.

Observando o quase desconhecimento do arubé pelos amazonenses, Mário Oiram aproveitou para, também, inovar na apresentação da embalagem do produto.

“Quis quebrar o paradigma das embalagens convencionais, então lancei o tempero dentro de bisnagas, e tem feito muito sucesso”, garantiu.

Câmara Cascudo e Nunes Pereira, em seus livros, descreveram o modo de preparo e sabor do arubé semelhante ao da mostarda, um concentrado de tucupi (sumo da mandioca) usado pelos indígenas para conservar as caças e que, com o passar dos anos, foi deixando de ser produzido e consumido na maioria das tribos.        

“Conversando, aqui em Manaus, com indígenas do alto rio Negro, eles me contaram que produzem arubé da seguinte forma: pegam a massa da mandioca, enrolam numa trouxa feita com casca de bananeira e a deixam de molho no rio por 21 dias ao final dos quais essa massa perde todo o veneno”, lembrou.

“Depois tiram a massa do rio e põe no tipiti para extrair o excesso de líquido, dali resultando outros produtos como o pé de moleque. Re-hidratando um pouco a massa, obtém-se o arubé, ou massa puba”, completou.

Arubé no pão

Cada povo indígena preparava seu arubé da maneira que preferisse, acrescentando variados temperos. No caso dos produzidos por Mário, são dois sabores: puro e levemente apimentado. Ambos têm acrescidos à massa puba: alho, polpa de tomate, cebola e, no caso do apimentado, a amazônica pimenta murupi.

O produto foi lançado há oito meses, mas a nova versão, em bisnagas de 200 ml, é recente.

“Eu gosto muito de comer o arubé passando no pão, no café da manhã, mas ele é bem indicado para carnes vermelhas, brancas e peixes. Originalmente os indígenas o usavam para temperar peixes. O sabor é parecido com o da mostarda, o diferencial é que é um produto nosso, que devemos valorizar”, acrescentou.

A Oiram Sabores Amazônicos existe há 22 anos e foi a pioneira a lançar chocolates finos acondicionados em belas embalagens preparadas por artesãos.

“Mas aí começou a surgir muita gente fazendo produtos parecidos, porém, com qualidade e preços bem inferiores, e minhas vendas passaram a ser prejudicadas. Há uns dez anos parei com a produção de chocolates, mas não deixei de prestigiar o que é nosso”, garantiu.

Atualmente a Oiram possui uma linha de licores artesanais (jenipapo, araçá-boi, cupuaçu e açaí), geléias (cupuaçu e açaí), temperos (arubé) e a novidade: molhos de pimenta murupi em embalagens de vidro e spray nos sabores tradicional, com açaí, com cupuaçu, extra-forte jiquitaia, e com malagueta.

Merece respeito

“A murupi da Amazônia (Capsicum Chinese) é cultivada no Amazonas e no Pará, mas os paraenses a utilizam mais, em conservas ou no Pato no Tucupi e no Tacacá. O diferencial da murupi amazônica para as restantes existentes no Brasil, é que a nossa é bem menor”, explicou.

A murupi tem picância classificada na escala Scoville, entre 60.000 a 100.000. Ou seja, merece respeito. Entre as pimentas brasileiras é uma das mais ‘fortes’. Faz sucesso devido seu aroma característico, sabor picante, porém, frutado no final. É uma pimenta de coloração verde, que adquire o amarelo no início da maturidade, e fica vermelha quando madura.

Como poetisou Thiago de Mello: ‘És a única pimenta assim te quis a floresta, que primeiro viras brasa e queimas quem te abraçou, de curimatã na boca / Mas logo o fogo se apaga, e afagas com o candor de tuas suaves virtudes: teu sabor e teu perfume’.

Pesquisas têm mostrado que a murupi possui efeito antioxidante, facilita a digestão, acelera o metabolismo, é boa auxiliar para qualquer dieta, no controle do colesterol e no combate a diabetes, tem ação anti-inflamatória, e pode ajudar no tratamento da depressão.

“Na Oiram a murupi é apresentada em três versões: spray de bolso (25 ml), com 50 ml e com 80 ml. A jiquitaia é cremosa, pois contém massa de mandioca, e ainda temos em vidros, mix com três variedades de pimentas (40 ml e 500 ml), com diversos tipos delas”, informou.

Outras informações sobre os produtos da Oiram podem ser obtidos pelos: 9 9455-9078 e 9 9324-5204.

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