Cultura

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O Carnaval Manauara de 1905

"Não houve até hoje carnaval assim em Manáos, nem tão rico, nem tão espirituoso, nem tão artístico" (Jornal do Commercio, 08/02/1905)

Por Fábio Augusto de Carvalho Pedrosa

13 Fev 2020, 13h01

Crédito: Divulgação

O Carnaval manauara de 1905 foi um dos mais famosos da História da cidade, sendo amplamente divulgado e elogiado em jornais locais e também de outros Estados. O Jornal do Commercio, a par dos preparativos, afirmou que “[…] não houve até hoje carnaval assim em Manáos, nem tão rico, nem tão espirituoso, nem tão artístico” (Jornal do Commercio, 08/02/1905).

Os carros alegóricos encomendados de Paris foram a grande novidade. Eles eram montados em charretes, tendo diferentes formatos, indo de pássaros à dirigíveis (zeppelins). O ‘Club dos Terríveis’, sob a Presidência do Superintendente Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, contratou para a montagem de seus carros os artistas Dionísio e Centofanti, famosos pelo trabalho que faziam no Carnaval do Rio de Janeiro.

As festividades ocorriam na Avenida Eduardo Ribeiro, a principal artéria da cidade naquele período e onde por muitas décadas seria realizado o Carnaval de Manaus. O Club dos Terríveis se organizava na Avenida de forma que um grupo de foliões fosse acompanhado por um carro alegórico de forma sucessiva: “1° grupo: Banda de clarins. 1° carro: Euterpe. 2° grupo: Guarda de Couraceiros Nubios. 2° carro: Mephistopheles” (Jornal do Commercio, 25/02/1905). O ponto alto era a Batalha de Flores, ao estilo francês e austríaco, em que uma comissão de jurados julgava os melhores e mais floridos carros alegóricos.

Na rua o Carnaval era aberto à população, participando ricos e pobres. Os bailes à fantasia tinham caráter mais elitista, sendo realizados no Ideal Club, no Club dos Terríveis, no Club Internacional, no Philoscenica Amazonense e no Triumvirato Club, ambos organizados por membros da alta sociedade local.

Além da diversão, a economia também era movimentada. Os estabelecimentos comerciais especializados em roupas importavam máscaras, fantasias, lança-perfumes e confetes da França, Alemanha, Londres e Rio de Janeiro. Madame Schianetti, modista estabelecida na rua Joaquim Sarmento, informava ter recebido “[…] um grande sortimento de pellucia de todas as cores, próprio para o Carnaval. Vende-se a preços baratissimos” (Jornal do Commercio, 28/02/1905).

Como já vinha ocorrendo desde o século XIX, o Carnaval era fiscalizado através dos Códigos de Posturas Municipais. Brincadeiras como o entrudo eram proibidas, sob pena de prisão ou multa. No Carnaval de 1905 algumas pessoas foram multadas por estarem reaproveitando confetes usados, pegando-os do chão, embalando novamente e vendendo como se fossem novos (Jornal do Commercio, 28/02/1905).

O Carnaval de 1905 deixou fortes lembranças em seus foliões. O empresário português Francisco Vieira da Rocha (1887-1966), em entrevista concedida ao Jornal do Commercio em 1948, lembra dele da seguinte forma: “[…] até as roupas das moças vieram de Paris. Foi uma coisa nunca vista. Verdadeiro sonho ou conto de fadas. O dinheiro rolava como rolam […] as águas eternas do rio Amazonas” (Jornal do Commercio, 18/07/1948).

NOTAS:

“O popular agente França mandou vir para o carnaval uma enorme e attrahente partida de artigos apropriados que elle promette dispor por preços sem competencia” (Jornal do Commercio, 05/02/1905).

FATOS HISTÓRICOS DA SEMANA:

No dia 09 de fevereiro de 1788 o brigadeiro Manuel da Gama Lobo d’ Almada assume o Governo da Capitania de São José do Rio Negro, sendo responsável por grandes transformações nas estruturas políticas e econômicas do lugar.

No dia 11 de fevereiro de 1945 tem fim a Conferência de Ialta, realizada entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

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