Gastronomia

COMPARTILHE

Misturando Amazonas, Pará e EUA

Por Evaldo Ferreira

13 Fev 2020, 10h45

Crédito: Evaldo Ferreira

Três belos restaurantes, cada um com um nome e cardápios distintos. Assim são o Tambaqui de Banda, o Muy Gringo, e o mais novo, inaugurado no dia 6 de Janeiro, o Filhote do Pará, todos dos mesmos proprietários, os empreendedores Mário Valle, sua esposa Elisângela Valle e o sócio Wagner Carvalho.

“Começamos com o Tambaqui de Banda, em 2011, e até abrimos a segunda casa com o mesmo nome no Largo de São Sebastião, durante a Copa do Mundo de 2014, mas depois verificamos que era mais interessante diversificar os segmentos, e assim foi feito”, contou Mário.

Engenheiro de produção, antes de entrar para o ramo de gastronomia, Mário chegou a ter uma empresa de consultoria.

“Era complicado. Várias outras empresas realizavam os mesmos serviços e, permanentemente, tínhamos que correr atrás dos clientes na incerteza de fechar algum serviço. No ramo gastronômico oferecemos o serviço e os clientes é que vêm até nós”, explicou.

Assim surgiu o Tambaqui de Banda, no Parque dez, depois de um longo trabalho de pesquisa realizado pelos três sócios.

“Visitamos várias peixarias em Manaus, listamos os prós e os contras, aplicamos os prós e descartamos os contras no Tambaqui de Banda. Posso citar alguns exemplos: oferecer um espaço com conforto e beleza, o tambaqui não tem espinha, servimos chopp além da cerveja. Apesar do nome, servimos vários outros peixes”, informou.

“Uma coisa que notei é que, em Manaus, as pessoas só comem peixe no almoço. Quando inaugurei o Tambaqui de Banda do Largo, mantive o mesmo cardápio do almoço e as pessoas passaram a jantar peixes, não só os turistas que estão na praça, como os manauaras”, revelou.

Muy Gringo

Estabilizados os dois restaurantes, Mário, Elisângela e Wagner resolveram investir numa nova casa com outra cozinha praticamente inexplorada em Manaus: a norte americana. Em 2017 surgiu o Muy Gringo, na Ponta Negra.

“O proprietário do espaço mostrou interesse em que abríssemos um terceiro Tambaqui de Banda no local, quando tivemos a sacada de fazer algo totalmente inédito em Manaus”, falou Mário.

Sanduíches, rock, Coca Cola e festas temáticas do país do Tio Sam são o conteúdo do Muy Gringo. BBQ’s, série de sanduíches Burgers of Rock, costelinha BBQ, coconuts, freak-shake, pão de batata com picles, Philly Cheese Steak.

“Tudo trazido direto dos Estados Unidos. Em nossas visitas ao país, colhemos o que eles têm de bom na gastronomia e reproduzimos aqui. Já tivemos clientes americanos que elogiaram o cardápio. Em breve iremos lançar o brisket, um corte de carne do peito do boi, defumado por doze horas, típico do Texas”, avisou.

“Produzimos em nossa cozinha, mais de 20 tipos diferentes de molhos, todos apreciados nos Estados Unidos, e quem aqui sabe que eles costumam colocar algodão doce decorando o milk shake? Pois no Muy Gringo servimos o unicorn, que faz a festa das crianças”, disse.

Já as festas temáticas, como Halloween e Valentine’s Day, são outro ponto forte do Muy Gringo.

“A comemoração do Valentine’s Day será no dia 14, sexta-feira, mas de quinta a domingo só teremos muito amor no Muy Gringo, com o grupo Belladona, para festejar esta data tão importante para os namorados de lá e de cá”, avisou.

Filhote do Pará

Mas a moda agora são as comidas paraenses. Nunca Manaus viu tanto restaurante paraense por metro quadrado, como agora. Assim os três sócios não pensaram duas vezes para transformar o Tambaqui de Banda, do Parque Dez, no restaurante Filhote do Pará, inaugurado há pouco mais de um mês.

“Foi um projeto de dois anos, mas acho que nenhum paraense vai achar ruim, da decoração ao cardápio”, afirmou.

Pelas paredes, chapéus de palha, remos, canoas, camisas de Remo e Paissandu. O teto de uma das salas é repleto de luminárias no formato das barquinhas de Abaetetuba. Nessa mesma sala uma reprodução do portão da basílica de Nazaré repleta de fitinhas coloridas.

“O cliente recebe uma fitinha e pode fazer três pedidos, ou agradecimentos, e amarrar no portão”, contou.

Araras e papagaios também decoram um dos ambientes e até uma parede de taipa, bem ao estilo da casa de caboclo, embeleza um dos espaços, coberto com vidro, onde a chuva das 17h de Belém é reproduzida. Outra parede reproduz os azulejos das casas da Cidade Velha, o bairro mais antigo de Belém. Numa das laterais um jardim com plantas amazônicas é o ponto alto.

“E ainda vamos decorar outros espaços com objetos de paraenses ilustres, como o chapéu do Pinduca, um vinil autografado pela Dona Onete, e dólmãs dos chefs Thiago Castanho (do Remanso do Bosque) e Saulo Jennings (da Casa de Saulo e Casa das 11 Janelas)”, adiantou.

No cardápio o que mais chama a atenção, além da variada gastronomia paraense, são os drinques com nomes dos Cheiros do Pará: ‘corre atrás de mim’, ‘afasta Ricardão’, ‘pega piriguete’, ‘amansa corno’, ‘chama homem’, ‘chama mulher’, ‘chama alguém’.

Se o objetivo foi ser diferente, em suas três casas, os empreendedores conseguiram.    

Veja Também