Emprego

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Melhora a vista no mercado de trabalho, aponta dados da FGV

Indicadores da FGV projetam cenário positivo para novas oportunidades no mercado de trabalho nos próximos meses

Por Antonio Parente

13 Fev 2020, 09h42

Crédito: Divulgação

Motivado pelo desempenho da Indústria e a tendência de novos negócios no país, o IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), subiu 2,4 pontos em janeiro para 92,3 pontos, o maior nível desde abril de 2019 quando atingiu 92,5 pontos. Para analistas, os avanços recentes na economia brasileira projeta uma evolução gradativa e favorável para o mercado de trabalho nos próximos meses.

Na série de médias móveis trimestrais, o indicador segue em trajetória positiva pelo terceiro mês consecutivo, ao avançar 2,2 pontos em relação ao mês anterior. Já o ICD (Indicador Coincidente de Desemprego) - que é um sinal com características semelhantes ao da taxa de desemprego, quanto menor o número, melhor o resultado - caiu 2,8 pontos em janeiro, para 92,5 pontos, menor nível desde fevereiro de 2019 (92,1 pontos).

“Em janeiro, cinco dos sete indicadores contribuíram positivamente para o resultado do IAEmp, com destaque para os indicadores da indústria, e novos negócios e emprego previsto, que subiram 8,6 e 6,3 pontos na margem, respectivamente”, explica o economista da FGV, Rodolpho Tobler.

De acordo com o economista Farid Mendonça Júnior, a economia brasileira tem apresentado uma tendência de melhora, com resultados progressivos desde o último semestre de 2019, onde o Brasil gerou mais de 800 mil empregos formais. “Vejo sim uma melhora na economia brasileira, e acho que essa melhora vai ser cada vez mais progressiva. A expectativa é por uma melhora, mas tem que crescer pelo menos 2% no ano ou pelo menos 2,5% no próximo ano com o PIB (Produto Interno Bruto)”, destacou. 

Segundo a vice presidente do Cofecon (Conselho Federal de Economia), Denise Kassama, na ótica do cenário do PIM (Polo Industrial de Manaus), o número de emprego gradativo, deve-se a instalação e o interesse de novas empresas em investir no parque industrial da cidade. 

“Olhando aqui pela ótica da zona franca de Manaus, realmente estou sentindo uma melhoria desde o segundo semestre, observando um aumento das empresas interessadas em se instalar aqui em Manaus. Acredito que o pouco do desemprego gerado pela crise, voltará a ser recuperado. Muitas empresas se adequaram, modernizaram e efetivamente reduziram postos de trabalho. Mas acredito no emprego que será gerado por conta de novas empresas se instalando”, disse.

Cautela

Kassama explica, que o empresário se readaptou perante a crise e, dependendo do processo, ainda é prematuro afirmar uma melhora significativa em relação a quantidade de desempregados. Segundo ela, ainda existe um longo caminho a ser percorrido, como a dificuldade de se afastar do patamar de desemprego ainda relativamente elevado. Com o processo de modernização e a adaptação do modelo de indústria 4.0, o empresário não irá mais oferecer a vaga que reduziu, pois reorganizou sua linha e modernizou em boa parte seus processos produtivos. 

“Ainda somos cerca de 12,5 milhões de desempregados. No Cofecon trabalhamos com um número maior, 27,5 milhões, pois consideramos também os desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego por estarem à margem do mercado) e os subempregados (os que vivem de bicos e não conseguem cumprir uma carga horária mínima). Muita expectativa cuja realidade ainda ainda não se concretizou. Entendo que temos que ser positivos e acreditar na política econômica, mas não podemos deixar de ser críticos no que entendemos que precisa ser melhorados. Ainda é prematuro afirmar. Os indicadores assinalam crescimento, porém em um ritmo bem lento”, destacou.

Farid ressalta que apesar dos resultados positivos e a tendência de melhora progressiva no cenário nacional, o aumento do número de postos de trabalho formal não apresenta um crescimento significativo em relação aos contingentes de desempregados. A redução corre em um ritmo muito abaixo da expectativa. 

“O emprego vai aumentar, mas talvez não vá ser numa proporção tão rápida e numa diminuição tão grande em relação aos contingentes de desempregados. Vai ser muito difícil a situação de pleno emprego na economia brasileira,  quando a taxa de desemprego está mais ou menos acima de 5% da economia. E mesmo que o emprego cresça, ainda vamos ter um contingente muito grande de pessoas na informalidade”, disse.

Qualificação na mão de obra local

Farid reforçou, que questão do desemprego não é uma tarefa relativamente fácil. O desafio de conseguir mão de obra qualificada para atender as exigências do mercado, ainda é uma batalha que precisa ser combatida pela educação e qualificação profissional a médio e longo prazo. Em um mercado onde onde a presença tecnológica está cada vez mais presentes, o capital intelectual qualificado é uma ferramenta cada vez mais imprescindível para a conquista de uma vaga.

“O que acontece com a questão do emprego é que no Brasil nós temos uma população muito desqualificada, e cada vez mais está ocorrendo, o que podemos chamar de 'uberização' e precarização das relações de trabalho. Pessoas que infelizmente não têm o nível de instrução mínimo e acabam tendo que sobreviver e pegar aquelas profissões de nível mais baixo na economia brasileira”, explica. 

“Isso é um complicador muito grave para economia brasileira, porque para se ter uma sustentação econômica a média e a longo prazo, o Brasil iria precisar a investir na qualificação das pessoas, principalmente em um cenário que a gente vive de automatização, digitalização, mudanças tecnológicas, indústria 4.0, e sistema de informação. A maior parte dessa nova economia envolve programação e novas tecnologias. E o Brasil apresenta um desnível muito grande principalmente quando comparamos com países desenvolvido”, finaliza.

Por dentro

No mesmo período, a queda do ICD foi influenciada por três das quatro classes de renda familiar, com exceção das famílias que recebem acima R$  9.600.00, em que resultado foi em sentido contrário. A maior contribuição foi dada pela classe de renda familiar localizada entre as faixas de R$ 4.800.00 e R$ 9.600.00, cujo Emprego Local Atual (invertido) variou 9,1 pontos na margem.

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