Finanças

COMPARTILHE

Juros do cartão de crédito e do cheque especial continuam em alta

Por Marco Dassori

11 Jan 2020, 20h39

Crédito: Pixabay

Apesar dos cortes seguidos do Copom (Comitê de Política Monetária) na taxa Selic, os juros do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial voltaram a subir em novembro, de acordo com dados divulgados nesta sexta (27), pelo BC. A notícia foi mal recebida pelos lojistas do Amazonas, que temem pela continuidade da expansão das vendas.  

Em ambos os casos, a alta foi de 0,7 ponto percentual, mantendo cartões de crédito (318,3% ao ano) e cheques (306,6% anuais) com os custos mais proibitivos para o consumidor. No caso do cliente que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 293,9% ao ano (+7,5 p. p.). No valor cobrado de clientes que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (334,3% ao ano), os juros caíram 3,7 pontos percentuais.

A taxa de juros do crédito pessoal não consignado (103% ao ano) também subiu e aumentou 3,9 pontos percentuais em relação a outubro. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento), por outro lado, caiu 0,3 percentual, indo para 20,6% ao ano – na menor taxa da série histórica, iniciada em janeiro de 2004.

Desde julho deste ano, quando a Selic estava em 6,5%, o Banco Central vem reduzindo mensalmente o custo do dinheiro no país. Na última reunião do ano, ocorrida em 11 de dezembro, decidiu por um no corte de meio ponto percentual, rebaixando a taxa básica de juros da economia brasileira ao menor nível de sua história: 4,5% ao ano. O movimento, contudo, não chega aos meios de pagamento.

No caso do cheque especial, os bancos chegaram a anunciar uma medida de autorregulamentação, no ano passado, para conter a alta dos juros no meio de pagamento. Como a medida não foi satisfatória, o BC decidiu definir mais uma regra, considerada polêmica pelo mercado. A partir de 6 de janeiro de 2020, os bancos não poderão cobrar taxas superiores a 8% ao mês (151,8% ao ano) e, em junho, será cobrada tarifa de 0,25% sobre o limite do cheque especial que exceder R$ 500. 

Endividamento e inadimplência

As instituições financeiras argumentam que, a despeito dos cortes nos juros básicos, os níveis de endividamento e inadimplência no país inibem a concessão de crédito e encarecem o custo do dinheiro nas instituições financeiras. Segundo o BC, contudo, a inadimplência do crédito livre para pessoas físicas ficou estável em 5%. No caso do crédito direcionado (setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito), houve recuo de 0,2 ponto percentual, para 7,4% ao ano. 

A situação é semelhante em nível local. Os dados mais recentes da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), apontam que 77,06% das famílias de Manaus (483.577) se dizem endividadas, embora o percentual tenha ficado abaixo do de outubro de 2019 (78,8% e 490.605). Na mesma sondagem, o índice de inadimplência em Manaus recuou de 34,6% (215.356) para 30,4% (189.462) e também ficou menor do que os 31,4% (193.217) de 12 meses atrás.

Falta de concorrência

Dirigentes do comércio local avaliam que, não é o endividamento e a inadimplência que pressionam os juros na ponta do consumo, mas a concentração do setor bancário brasileiro, que atualmente conta com apenas cinco bancos de grande porte, sendo dois públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica) e três privados (Bradesco, Itaú e Santander).

No entendimento do presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, a virtual falta de concorrência do setor, aliada à pressão da demanda de fim de ano, alimentaram as altas nos juros dos meios de pagamento de acesso mais fácil ao consumidor. Segundo o dirigente, isso ocorreu, apesar da orientação do BC para os bancos reduzirem a negatividade e reabilitarem o consumidor ao crédito e – consequentemente – às compras.

“Não entendo o que ocorreu. Isso vem na contramão do que o governo vem sinalizando. Não sei se o Banco Central autorizou esse movimento, por ser fim de ano. Se for caso, o BC deve voltar a induzir os bancos a se adequarem com taxas mais modicas e civilizadas do que as atuais, a partir de janeiro. Justamente quando o comércio estava se preparando para a volta do crescimento, os bancos chegam com essa notícia”, arrematou.   

Segundo o chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, a alta na taxa do rotativo do cartão de crédito ocorreu por influência de financeiras, que mesmo sendo consideradas instituições pequenas, aumentaram tanto os juros que afetou a taxa média. 

 

Veja Também