Polo Industrial de Manaus

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Impasse com trabalhadores sobre reajustes no PIM

Por Marco Dassori

24 Ago 2019, 13h34

Crédito: Divulgação

As negociações entre patrões e empregados nos segmentos metalúrgico, eletroeletrônico e naval do PIM (Polo Industrial de Manaus de Manaus) seguem em um impasse. Sindicatos representantes dos dois lados devem voltar a se reunir na tarde desta sexta (23), na tentativa de chegar a um consenso.

Os trabalhadores querem índice de reajuste de 7,16%, o que inclui a reposição pelo acumulado do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e os acréscimos de 3% de ganho real e de 1% de produtividade. As empresas, por outro lado, acenam com a reposição da inflação pelo índice do IBGE.

O Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas) argumenta que, apesar das idas e vindas nos indicadores de desempenho industrial, projeções de entidades como Abraciclo Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) mantêm alta de dois dígitos para 2019. Já os sindicatos patronais respondem que não está havendo crescimento, mas recuperação.

Os números do IBGE apontam que produção industrial 1,8% em junho sobre o mês anterior, após a recuperação de maio. Na comparação com junho de 2018, a expansão foi de 5,4%, mas os acumulados do semestre (-0,7%) e de 12 meses (-2,5%) seguem no vermelho.

De janeiro a junho, apenas cinco segmentos fecharam com alta. Entre as linhas de produção das categorias em negociação, apenas a de outros equipamentos de transporte (o polo de duas rodas) seguiu esse caminho e cresceu 8,9% sobre o mesmo período do ano anterior. Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, assim como máquinas, aparelhos e materiais elétricos, amargaram recuos acentuados.

Reforma Trabalhista

Esta é a segunda negociação salarial das categorias – cuja data base é em 1º de agosto – já no âmbito das mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista. Segundo o presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas) e da CUT-AM (Central Única dos Trabalhadores do Amazonas), Valdemir Santana, a mudança trouxe problemas.

“Estamos fazendo o possível e já estamos negociando há três meses. A dificuldade é que, atualmente, não há lei que obrigue as empresas a reajustar salários. Algumas empresas oferecem a reposição pela inflação do INPC. Muitas, dizem que não dá para dar nada na situação atual”, lamentou.

De acordo com Santana, o indicador não é suficiente nem mesmo para repor as perdas dos trabalhadores do Amazonas. Isso porque, prossegue ele, o levantamento do IBGE não inclui o custo de vida de Manaus e do Estado para o cálculo do indicador e a região conta com uma das cestas básicas mais caras, entre outros diferenciais inflacionários.

“Outra questão é que uma mesma empresa paga salários mais baixos aqui do que em sua filial em São Paulo, por exemplo. Isso acontece, apesar dos incentivos. Não dá para entender o porquê dessa diferença”, desabafou o presidente do Sindmetal-AM.

Capacidade instalada

“Propomos fazer um adiantamento do reajuste pelo INPC. Esse índice já está garantido. Sugerimos efetuar uma complementação depois, assim que o acordo for fechado. Mas, infelizmente não conseguimos chegar a um consenso”, ressaltou o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo.

O dirigente, que também preside o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, entidade representante de fabricantes do polo de duas rodas, é um dos representantes patronais à frente da mesa de negociações. Junto a ele está o presidente do Cieam e do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco.  

Segundo Azevedo, no momento atual não é possível dar ganhos reais, já que as empresas ainda estão tentando engatar uma retomada que não chega para a indústria. Caso faça isso, prossegue o dirigente, as empresas cortarão ainda mais nas margens de lucro e/ou perderão competitividade e mercado, com reflexos na produção e nos empregos.

“Eles querem algo acima do que as empresas querem e podem dar, em um momento de alto desemprego. As pessoas confundem recuperação com crescimento, mas o setor perdeu muito na crise. Apesar de alguma melhora, as fábricas trabalham hoje com alto índice de ociosidade, algo como 40%. Só vamos conseguir falar em crescimento quando estivermos próximo de 90% do uso da capacidade instalada, com aumento de investimentos e empregos”, finalizou.

 

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