Opinião

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FM: Indústria 4.0 caminha a passos largos

O que parecia um sonho, há bem pouco tempo, se tornou realidade

Por Nelson Azevedo

19 Nov 2019, 10h37

Crédito: Divulgação

Com apoio da Suframa e verbas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, Manaus já disponibiliza aos empreendedores, pesquisadores e instituições de Ciência e Tecnologia focadas no desenvolvimento da indústria 4.0, desde o último dia 7, o FabLab powered by EcoStruxure, o primeiro laboratório avançado da indústria 4.0 no Amazonas. Na parceria de criação desta boa nova  está a Fundação Paulo Feitoza, FPF Tech, o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) e a Schneider Electric Brasil, empresa que ofertou os equipamentos. O investimento inicial das três empresas foi de R$ 3 milhões, um aporte modesto à luz dos benefícios que daí virão. O FabLab fica nas proximidades do Centro de Biotecnologia da Amazônia, CBA, e da Suframa, sede do INDT - FPF Tech, estando aberto ao público interessado num futuro que já começou. 

Embargo da evolução tecnológica 

Não faz muito tempo, o governo federal olhava para a ZFM como montagem simples de produtos industrializados, contando com insumos estrangeiros e com insumos nacionais. Não se imaginava qualquer atividade de desenvolvimento tecnológico ou de incorporação de tecnologias compatíveis com o estado da arte e da técnica no âmbito de nosso Polo Industrial de Manaus. Tanto é assim que "a mão-de-obra direta empregada no processo de produção, englobava tão-somente colaboradores até o nível supervisor", segundo a Portaria n. 308, de 11 de agosto de 1976, lembra o consultor das entidades da Indústria, o jurista Raimundo Noronha. 

Verticalização e obstinação 

Essa medida era um primeiro fator de desestímulo à instalação, pelas empresas, na Zona Franca de Manaus, de laboratórios e centros de pesquisa, bem assim como recrutamento em outras regiões do País de técnicos qualificados, criando, na verdade, grandes obstáculos ao desenvolvimento local de tecnologia de produtos e de processo de produção e até mesmo à absorção ou emulação de tecnologia adquirida de fontes externas. Nesse contexto, o advento do PPB, em 1991, teve um aspecto positivo, pois  não deixou ao arbítrio da administração  definir o parâmetro de aferição do nível de industrialização local. O conteúdo de processo produtivo básico foi definido simplesmente como um conjunto mínimo de operações no estabelecimento fabril, que efetivamente caracterizasse um processo de industrialização, afastando a mera maquilagem industrial. Hoje, empresas como a Moto Honda, na qual ocupamos a Diretoria Regional em seus primórdios, alcança mais de 85% de verticalização industrial em alguns modelos. São novos os tempos e são promissoras as notícias de que aqui temos tudo para instalar a Quarta Revolução Industrial de forma robusta. 

Antecipamos a Utopia 

O que parecia um sonho, há bem pouco tempo, se tornou realidade num laboratório de seis bancadas, a maioria com itens para simulação e aprendizado em automação de máquinas e uma com equipamentos para automação de processos. Todas as bancadas podem trabalhar individualmente ou conectadas em rede, formando um ambiente real de automação de uma planta. Isso é simplesmente espetacular. Estão de parabéns os atores da iniciativa, INDT, FPF TECH, a Schneider Electric Brasil, a Suframa, seus gestores obstinados, os empresários que, há 52 anos,  acreditam no Amazonas, nossos colaboradores, os governantes e a representação parlamentar que há mais de meio século apostaram sua energia e semearam a certeza de que aqui – no coração da Amazônia - estamos construindo uma grande Civilização, próspera, sustentável e solidária.  Tudo apenas recomeça a cada dia, nossa luta e teimosia. 

*Nelson é economista, empresário e presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

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