Opinião

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Impactos da pandemia na economia global - parte 1

O atual ambiente de negócios passa por incertezas e turbulências

Por Nilson Pimentel

07 Abr 2020, 14h47

Crédito: Divulgação

Para os economistas-pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA) o atual ambiente de negócios passa por incertezas e turbulências econômicas, financeiras e políticas atingido por uma pandemia mundial no campo de saúde pública (covid-19), sem prescedente no âmbito global, recentemente.

Por outro lado, hoje e no futuro próximo talvez não seja tão importante perguntar o que as empresas são e fazem quanto indagar sobre a sua capacidade de detectar sinais de turbulência iminente e de se antecipar ao caos e de gerenciar riscos. As mudanças nas tendências, quando não previstas a tempo, podem levar as empresas a sérias dificuldades, afetando, no limite, a própria continuidade do empreendimento  (Vide o que está ocorrendo com as empresa do Polo Industrial de Mauaus – PIM, impactadas em suas atividades fabris por causa do coronavirus na China, Corea do Sul, etc).

As turbulências presentes no ambiente de negócios podem ocasionar estas rupturas de tendências e os mais diversos tipos de descontinuidades no campo econômico. Olhando a literatura, pesquisa-se que o Professor P. Drucker, já acenava sobre as descontinuidades em quatro áreas: 1) o surgimento de tecnologias novas; 2) mudanças na economia mundial; 3) alterações rápidas na matriz política, da vida social e econômica; e, 4) aquela que considera que considera a mais importante das descontinuidades, a mudança no conhecimento científico.

Parte de grupos de economistas, os quais ressaltam que para compreender o presente e antecipar o futuro, dever-se-ia olhar para as mudanças invisíveis, aquelas que ocorrem nos bastidores, as tendências que não são óbvias, que não foram ainda exploradas e que não serão notícias velhas na próxima semana.

Contudo, todos concordam que as linhas mestras para se prospectar cenários futuros, haja vista, que o interesse pelo futuro acompanha o homem desde a racionalidade e este é um dos grandes desafios para as organizações neste século, os desafios das descontinuidades, estabelecendo-se que um dos aspectos mais difíceis de prever o futuro é lidar com as descontinuidades em um ambiente de negócios e, atualmente, no campo social, também.

Para os pesquisadores do CEA, as ultrapassadas técnicas de previsão, de projeção do futuro, baseadas em fatos ocorridos no passado, já não são mais capazes de nos indicar como será o futuro.

Por outro lado, os cenários prospectivos, em contraste, identificam as descontinuidades como um tema central das organizações, ajudando, deste modo, as empresas a se prepararem para as mudanças e surpresas.

Para os economistas, a organização que está aberta às mudanças tem muito mais chances de sobreviver e prosperar do que aquela que está continuamente perseguindo eventos sazonais, a prospecção de cenários futuros tem relevância e propósito à medida que os métodos clássicos de previsões e projeções vão ficando impedidos de utilização, devido a ambiência turbulenta e repleto de rupturas de tendências. A prospecção não é uma atividade simples e intuitiva, pois prospectar as possibilidades de futuro, é necessário que se tenha a mente além dos pensamentos, operacional e estratégico do cotidiano, dirigindo-a, para um mundo que ainda está por vir. Quando em 2007, Nassim Nicholas Taleb lançou seu livro best seller The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable, sobre eventos imprevisíveis, parecia assustadoramente presciente da terrível crise financeira mundial que começou no final daquele ano.

No entanto, estabeleceu para os investidores financeiros e para acadêmicos uma estrutura conceitual para pensar em riscos potenciais que eram altamente destrutivos e com baixa probabilidade, os  riscos imprevisíveis. Na época previu que a crise financeira global de 2008 (cisne negro), se estabeleceu sobre os seguintes previstos aspecto: "Primeiro, é um desvio, pois fica fora do âmbito das expectativas regulares, porque nada no passado pode apontar de forma convincente para sua possibilidade". Segundo, carrega um 'impacto' extremo. Terceiro, apesar de seu status externo, a natureza humana nos faz inventar explicações para sua ocorrência após o fato, tornando-a explicável e previsível".

Para economistas específicos, “cisnes negros", são eventos inesperados, de ocorrências imprevissíveis e que mudam a vida da sociedade, e como a vida é muito mais incerta do que a maioria acredita, em profundidade, e como nos enganamos em acreditar que a realidade é diferente por vários meios, como viés de confirmação, buscamos evidências para apoiar nossas crenças existentes e falácias narrativas à tendência de descrever a existência usando histórias lineares quando a realidade está longe, mais complicada. É o caso da ocorrência desse coronavirus! Covid-19! Esse cisne negro chegou e o mundo está abobalhado com tantos acontecimentos repentinos e improváveis à nossa volta. É difícil de absorver, mas a disseminação da Covid-19 vai mudar a vida da sociedade global por um bom tempo. Os impactos (econômicos, financeiros, de saúde publica e no meio social) já começaram e serão ainda mais intensos nos próximos dias, os quais podem gerar resultados e consequências desconhecidas.

A curva de escalada da Covid-19 no Brasil já provocou algumas mortes, outros tantos observados, internados com o novo coronavírus. Algumas medidas foram adotadas: Fiquem em casa, restrição da circulação de pessoas, o fechamento do comércio não essencial ao abastecimento básico da população e a proibição das aglomerações públicas, inclusive cerimônias religiosas como funerais e casamentos. Observando-se os protocolos orientados pela OMS – Organização Mundial da Saúde, as medidas restritivas vêm sendo decretadas de forma gradual: • fechamento das fronteiras e redução da circulação de pessoas entre cidades; • restrição de funcionamento de atividades comerciais não essenciais, como escolas, universidades, restaurantes, bares e outros. • redução do funcionamento de meios de transporte coletivo como ônibus, metrô ou aviões. • As empresas de serviço deverão exigir que seus funcionários trabalhem de casa, com exceção daquelas companhias que necessitam da presença física dos trabalhadores. ? o isolamento social gerado por medidas como essas provoca forte impacto negativo na economia.

No Brasil, já se teve grandes e graves impactos no sistema econômico brasileiro, principalmente, nos seguidos circuits breakers da BOVESPA, com o ibovespa em queda acentuada, na taxa cambial em que o dolar ultrapassou os R$ 5,19, queda na taxa de juros SELIC, muitas empresa já trabalham sob o home-office, impactos no setor de serviços, tudo isso leva à incertezas no mercado informal, no aumento do desemprego, tendo como lamentar o frágil e catastrófico sistema de saúde do Brasil, também observar-se que o barril do petróleo caiu para menos de U$S 30,00, mais impactos pela frente. Para alguns analistas de mercado e economistas, a economia global pode até entrar em recessão econômica nesse semestre de 2020, o que seria uma catástrofe para a Economia Mundial, principalmente para o Brasil. 

 *Nilson Pimentel Economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: nilsonpimentel@uol.com.br.

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