Construção

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Custo da construção civil no Amazonas abaixo da média nacional

o valor do metro quadrado no Estado subiu para R$ 1.145,69

Por Marco Dassori

11 Fev 2020, 12h24

Crédito: Divulgação

Passado o repique inflacionário de dezembro, o INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas perdeu força e pontuou 0,05% e se manteve abaixo da média nacional (+0,30%), que seguiu trajetória de alta. Com isso, o valor do metro quadrado no Estado subiu para R$ 1.145,69, sendo R$ 634,07 relativos a materiais e R$ 511,62 oriundos da mão-de-obra.

Enquanto o passivo da força de trabalho permaneceu estável no setor, os dispêndios relativos a insumos para a atividade avançaram na comparação com o mês anterior (R$ 633,46). Os dados estão na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).

A pequena alta situou o custo da construção civil do Amazonas em um patamar abaixo da inflação oficial do período. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pontuou 0,21% em janeiro, conforme divulgado pelo mesmo IBGE. A variação dos preços foi inferior às taxas de dezembro (1,15%) e a janeiro de 2019 (0,32%). 

O aumento comparativamente menor de janeiro fez o Estado cair de sexto para 20º lugar no ranking nacional de maiores custos da atividade. Mato Grosso (+1,39%), Tocantins (+1,21%) e Ceará (+1,18%) ocuparam os primeiros lugares. Distrito Federal (-0,24%), Paraná (-0,12%) e Santa Catarina (-0,09%) ficaram no fim de uma lista com seis resultados negativos e uma ocorrência de estabilidade (São Paulo).

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas segue abaixo da média nacional (R$ 1.162,24). Assim como nos meses anteriores, o Estado voltou a ficar em 14º lugar entre os maiores valores. Santa Catarina segue na primeira posição (R$ 1.329,80), seguida por Acre (R$ 1.292,42) e Rio de Janeiro (R$ 1.291,72). Os menores custos foram para Sergipe (R$ 987,79), Rio Grande do Norte (R$ 1.041,61) e Pernambuco (R$ 1.042,52).

O custo de mão-de-obra do Amazonas permanece inferior à média nacional (R$ 552,85), segurando o Estado na 15ª posição do ranking. Santa Catarina (R$ 696,45) ocupou o primeiro lugar, seguido de Rio de Janeiro (R$ 664,16) e São Paulo (R$ 638,53). Em contraste, Sergipe (R$ 457,09), Rio Grande do Norte (R$ 457,45) e Ceará (R$ 468,72) ficaram com os valores mais baixos.

Foi o custo de material que, mais uma vez, puxou os números para cima. O Amazonas ficou bem acima da média nacional de janeiro (R$ 609,39), permaneceu em décimo lugar entre os maiores valores no Brasil. Os índices mais elevados ficaram no Acre (R$ 720,44), Distrito Federal (R$ 686,55) e Tocantins (R$ 661,17). Os menores foram para Sergipe (R$ 540,70), Espírito Santo (R$ 544,90) e Bahia (R$ 561,77).

“A variação ocorrida em janeiro está bem dentro do que tradicionalmente acontece no primeiro mês do ano: poucas vendas e nenhum reajuste. Assim, o custo se mantém praticamente inalterado, esperando os meses seguintes”, assinalou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ao Jornal do Commercio.

Padrão econômico

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, lembra que o fato de o dissidio ser apenas em junho não impede que as empresas paguem acréscimos por produtividade para ganhos de escala – o que aparentemente não ocorreu. No entendimento do dirigente, diferenciais locais de mercado contribuem para que o custo da atividade ainda seja comparativamente mais baixo do que a média nacional, a despeito do passivo do frete.

“Esses números variam muito de acordo com o movimento do setor. Nós, apesar de nossa logística diferenciada, ainda temos um custo comparativamente menor. O terreno é mais barato, por exemplo. E a maioria dos imóveis construídos por aqui ainda é de padrão econômico, que usa materiais de menor custo”, finalizou. 

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