Agronegócios

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Custo Amazonas afeta a produção de ovos e reduz a competitividade

Produtores de ovos buscam competitividade no mercado diante da concorrência de outros estados com preço mais baixo

Por Antonio Parente

14 Fev 2020, 12h19

Crédito: Antonio Parente

Vendas de ovos de outros estados a preço baixo em supermercados de Manaus, podem prejudicar as grandes granjas e pequenos criadores no Amazonas. Representantes do setor e pequenos produtores locais, já demonstram preocupação com concorrência e cobram do governo federal a volta do subsídio aos estados do Norte. A região sofre com ausência de abastecimento de grãos de soja e milho, e altos preços dos insumos no balcão encarecem produtividade local.

Segundo o produtor da granja São Pedro, Luiz Mário Peixoto, 80% dos custos de produção da granja vêm da ração e dos insumos que são comprados do mercado fora do Amazonas. Atualmente, sua granja produz cerca de 700 mil ovos por dia. O custo com frete de matérias primas para alimentar as aves da fazenda e as constantes manutenções habituais encarecem a venda do produto final ao mercado consumidor, levando o comprador a buscar ovos com preço mais baixo.

“O Amazonas não é um estado que produz grão de milho e soja. Nós fazemos um frete muito alto que encarece a produção. Isso não nos torna competitivo com estados como Mato Grosso do Sul. E o ovo é um produto de extrema necessidade para população e o preço interfere. A qualidade do ovo local é muito melhor que o de fora. Precisamos fortalecer a produção regional por meio de políticas públicas e leilões de milho direcionados para a região Norte que hoje não tem. Com isso precisamo nos reinventar e buscar matéria primas”, disse.

De acordo com o especialista em gestão a informação ao agronegócio, Thomaz Meirelles, a maioria das granjas que produzem ovos em Manaus com preço baixo estão localizadas no estado do Mato Grosso do Sul. Segundo ele, as granjas de fora têm acesso a fornecedores de grãos a um preço mais acessível, e com isso conseguem vender os ovos em estados da Região Norte a um preço de mercado mais atrativo.

“É uma produtora que é uma potência na América do Sul. Eles estão instalados em um local que tem uma grande produção de milho e soja. Eles têm acesso ao milho e a soja com um bom preço. Com isso, eles conseguem produzir e vender a um valor atrativo. No Amazonas, o produtor local tem que trazer o milho de fora, e com isso, pagar o dobro de frete que eles normalmente pagam. O nosso produtor tem que pagar milho, transportar e pagar o frete. Além disso, ainda precisa preparar a ração. O custo é muito maior. E o milho está no momento com uma alta muito grande de preço”, explica. 

No último dia (11), a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divugou, que o estado do Mato Grosso do Sul, deve  deve superar os 10 milhões de toneladas de grãos neste ano, crescimento de 17,6% em relação ao ano agrícola anterior. No total o Estado produzirá 19,9 milhões de toneladas de grãos, volume 8,6% superior ao ano passado. 

Representantes do setor primário no Amazonas se articulam junto à bancada federal para buscar soluções para que os subsídios de grãos cheguem à produtores locais com um preço acessível. Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, é importante buscar alternativas para que o produtor local não seja obrigado, pelas circunstâncias, paralisar suas atividades.

“Estamos preocupados com a concorrência agressiva de ovos produzidos no centro oeste em relação à produção regional. O Amazonas possui o quinta maior polo de produção de ovos de galinha do Brasil responsável pela geração de milhares de empregos  na nossa zona rural é fundamental para a agricultura familiar que utiliza o esterco produzido nas granjas”, disse.

Segundo o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrucio Magalhães Júnior, o governo estadual tem trabalhado para buscar alternativas para resolver a alta no preço do milho e a crise dos criadores de aves poedeiras do estado. “Temos apoiado a região Sul do Amazonas para reduzir nossa dependência de grãos (milho e soja) de outros estados. Essa região tem potencial produtivo e receberá fomento. Vamos também buscar apoio junto ao governo federal para ter um prêmio aos adquirentes dos leilões de milho da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), assim como a volta do subsídio aos pequenos criadores”, destacou.

Na análise de Meirelles, a bancada federal precisa agendar, urgente, audiência com a ministra Tereza Cristina. O objetivo é mostrar, que devido aos preços elevados, as vendas no balcão praticadas no Amazonas, não têm contribuindo para o acesso do produtor aos insumos básicos para sua produção. Segundo ele, para que o granjeiro do estado possa ter acesso aos insumos, é preciso que haja mudança nas regras estabelecidas pelo governo federal.

“O governo federal tem instrumentos para nos ajudar, porque existem estoques de milho lá fora. Só quem está comprando é as granjas que estão lá perto, como é o caso do estado do Mato Grosso. O governo teria que dar um bônus e uma ajuda para reduzir o impacto do frete. Fica minha pergunta: porque um estado que não tem produção de soja e de milho - e mantém nossa floresta em pé para o mundo respirar- não pode ter ajuda do governo? Não podemos ter nossos granjeiros desistindo de sua produção gerando desemprego. A bancada federal precisa se mexer”, frisou.

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