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Crédito limita alta no comércio amazonense, aponta dados do IBGE

Setor também fechou no azul no acumulados dos 12 meses do ano, com alta de 7,9%

Por Marco Dassori

13 Fev 2020, 11h39

Crédito: Acervo JC

As vendas e a receita nominal do comércio varejista do Amazonas interromperam uma sequência de quatro altas mensais seguidas e despencaram em dezembro. Em contrapartida, os números seguiram acima de 2018, especialmente no acumulado. Mais dependentes de crédito, os segmentos de veículos e de material de construção tiveram variação menor. Os dados são da pesquisa mensal do IBGE, divulgada nesta quarta (12). 

O volume de vendas do varejo amazonense caiu 6,8% na passagem de novembro para dezembro de 2019, em sentido contrário do levantamento anterior (+4,1%). Na comparação com dezembro de 2018, houve elevação de 6,9%. O setor também fechou no azul no acumulados dos 12 meses do ano (+7,9%). 

A retração mensal das vendas ficou bem acima da sofrida pela média nacional (0,1%),fazendo o Estado despencar quinto para o 24º lugar no ranking de desempenho das 27 unidades federativas do Brasil. As maiores altas ocorreram em Rio Grande do Sul (+3,5%), Amapá (+2%) e Rio de Janeiro (+1,7%). As quedas mais significativas se situaram em Roraima (-13,8%), Rondônia (-9,5%) e Acre (-8,2%). 

O crescimento no acumulado de 2019, por outro lado, segurou o comércio do Amazonas na terceira posição do país pelo terceiro mês seguido, com um número bem acima do registrado pela média brasileira (+1,8%). O Estado só perdeu para Amapá (+16,6%) e Santa Catarina (+8,6%). As maiores baixas se situaram no Piauí (-6%), Alagoas (-2,4%) e Sergipe (-1,9%).

Em termos de receita nominal – que não considera a inflação do período –, houve retração de 5,8% ante novembro, na contramão da sondagem anterior (+5,6%). Na comparação com dezembro de 2018, o varejo do Amazonas avançou 13,5%. O saldo foi positivo também para o acumulado do ano (+10,8%). 

A receita nominal entre novembro e dezembro também fez o Amazonas despencar posições no ranking (da quinta para a 24ª posição), em um patamar bem abaixo da média nacional (+0,6%). Os maiores acréscimos ocorreram em Rio Grande do Sul (+6,5%), Rio de Janeiro (+3,1%) e Bahia (+2,4%). As maiores retrações foram registradas em Roraima (-10,1%), Rondônia (-8%) e Acre (-7%).

A variação no acumulado do ano manteve o Estado na quarta colocação do ranking do IBGE pelo segundo mês consecutivo, com um percentual superior ao do dobro da média nacional (+5%). Só ficou atrás dos resultados de Amapá (+19,6%) e Santa Catarina (+11,5%). Os piores números ficaram em Piauí (-2,7%), Rondônia (+0,8%) e Alagoas (+0,9%).

Veículos e construção

O varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – também encolheu entre novembro e dezembro (-4,5%), embora com menos força. Em relação ao mesmo mês de 2018, houve expansão de 5,2%. No acumulado de 12 meses, o incremento chegou a 6,2%. As médias nacionais foram -0,8%, +4,1% e +3,9%, respectivamente.

A receita nominal do varejo ampliado caiu menos ainda (-2,8%) em relação a novembro de 2019, tendo avançado 10,6% no confronto com dezembro de 2018. No ano, registrou elevação de 9,4%. Assim como nos demais casos, o varejo amazonense seguiu abaixo do nacional na variação mensal (0%) e acima na comparação anual e no acumulado (+7,2% e +6,4%, respectivamente).

“Como já era esperado, o comércio fechou o ano como a atividade com melhor desempenho da economia amazonense. O varejo ampliado também refletiu o bom momento. Em relação a dezembro, a queda pode ter sido a forte influência da Black Friday em novembro, que levou as compras de uma boa parte dos consumidores. E também à antecipação das compras de final de ano”, avaliou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Estrangulamento do crédito

Para o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o fato de os bancos ainda não terem repassado as quedas da taxa Selic para os juros do cheque especial e do cartão de crédito comprometeu, em dezembro, o ensaio de decolagem do setor capturado em outubro e novembro.

“Já víamos uma recuperação nos meses anteriores. Mas, diante do elevado custo do crédito para os meios de pagamento mais acessíveis, o consumidor se endividou e, com medo da inadimplência, segurou as compras da forma que pode, resultando em queda nas vendas para o varejo. Os juros ainda estão nas alturas, porque falta concorrência bancária, e os efeitos estão aí”, desabafou.

De acordo com Aderson Frota, a diretoria da CNC se reuniu em janeiro para tratar deste, entre outros temas, e decidiu encaminhar ao governo federal um pleito para sensibilizar o Executivo em torno da necessidade de abrir o mercado – hoje concentrado em apenas três bancos privados e dois públicos – para a concorrência estrangeira. “Assim, conseguiríamos equilibrar essa demanda muito forte, com a oferta, que é muito fraca”, frisou.

Diante dos números divulgados pelo IBGE, a CNC reviu suas previsões e estima que o comércio brasileiro em geral deve crescer 5,3% neste ano, e o varejo ampliado deve fechar 2020 com 4,5% de alta. “No Amazonas, o aumento deve ficar entre 4% e 6%, se conseguirmos voltar a respirar o mesmo oxigênio de outubro e novembro. Mas, tenho confiança de que o Banco Central vai tomar alguma providência”, finalizou. 

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