Mobilidade

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Aplicativos de transporte agora também para motos em Manaus

Por Andréia Leite

14 Jan 2020, 13h25

Crédito: Divulgação

A partir do dia 15 de janeiro, os manauaras podem contar com mais uma opção de transporte por app. Desta vez, chega a Manaus, o aplicativo de motos que promete reduzir o tempo de  deslocamento em até 50% e os preços em 30% em comparação as outras opções. A colombiana Picap, aplicativo de motos voltado ao transporte de passageiros, mantém sete bases de operações no país. Ela, que atuava em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Salvador, aportou nesta semana em Manaus.

O potencial da região Norte é tido como estratégia de crescimento da empresa para consolidar uma base forte aqui. É o que explica o CEO da Picap no Brasil, Diogo Travassos.

“Ao escolher onde investir, é preciso olhar sempre tanto para o lado do passageiro quanto do motociclista. E a região Norte se destaca nas duas pontas, com um público que precisa de mais soluções de mobilidade, com agilidade e preço competitivo, e que busca oportunidades para geração de uma renda extra. É uma região que com  grande presença de motocicletas sendo usadas não só para entregas, mas como meio de transporte. Não que não exista nas demais regiões do país, mas é algo que aqui parece ainda mais presente. Isso faz do Norte, um mercado de potencial enorme”.

Conforme Travassos, o início da estratégia da empresa, definida para 2020, é dobrar a participação da Picap no mercado nacional. No ano passado, a empresa começou por São Paulo, Rio e Recife e, depois, ampliou para Salvador e Fortaleza. “Consolidamos uma boa estrutura em todas essas cidades, com destaque especial para Fortaleza e Recife. Acreditamos muito no potencial do Norte como plataforma dessa ampliação, com mercados favoráveis e grande demanda por soluções de mobilidade”, afirma.

O CEO da empresa diz ainda que além da rapidez na locomoção dos passageiros e o preço mais acessível, ao utilizar o app, a oportunidade de geração de renda é grande, ainda mais nesse momento inicial em que a empresa não cobrará comissão e o valor integral da viagem fica com o motorista. Ele lembra que ainda não há um prazo definido para manter 100% do valor da corrida com os motociclistas. 

“Para isso, nossa visão é mais de longo prazo. Estamos priorizando amadurecer o mercado, crescer nossa base e conseguir trazer nossa plataforma para cada vez mais pessoas. O lucro virá como consequência desse amadurecimento. Em algum momento vamos cobrar um percentual, mas adianto que será algo ainda bem mais favorável do que os demais aplicativos oferecem, como já aconteceu em outros mercados que atuamos na América Latina”, destacou. 

Ele aponta ainda que olhando para a cidade e os não usuários, a Picap contribui para diminuir a poluição, descongestionar as vias e, com isso, aumentar a qualidade de vida inclusive de quem não usa o aplicativo. “Acreditamos muito no potencial de impacto positivo em todas essas esferas”. 

Para o cadastramento, basta ao motociclista baixar o aplicativo da Picap e fazer a inscrição. A empresa leva 48 horas para avaliar se a pessoa segue as exigências. Caso seja aprovado, já pode operar. Lembrando que o app estará disponível para os usuários a partir do dia 16 de janeiro.

Para ter o seu cadastro validado na plataforma da Picap, o motociclista precisa apresentar a Carteira Nacional de Habilitação tipo A; documentos atualizados do veículo, incluindo o pagamento do seguro DPVAT; possuir uma motocicleta com até 10 anos de fabricação e motor de, no mínimo, 100 cilindradas; o uso obrigatório do capacete, tanto para o condutor quanto para o passageiro. Funciona como qualquer app. A pessoa baixa o aplicativo, se cadastra e pede corrida.

A chegada de mais uma plataforma de mobilidade urbana em Manaus, soma-se as outras  oito alternativas que já operam na capital. 

Aplicativo tem funcionamento similar aos demais de veículos leves

Captação dos motoristas

O  especialista em trânsito Haniery Mendonça, fala sobre o efeito do uso deste aplicativo de transporte na rotina do trânsito nas vias da cidade e da legalidade do app na capital “Quando você lança esse tipo de plataforma você traz comodidade para a população, isso não há dúvidas. Mas quando se fala em relação a segurança no trânsito preocupa, porque não existe uma regulamentação específica a respeito desta modalidade, então acaba aumentando muito rápido a frota porque o transporte em massa está  diminuindo e a tendência do jeito que está é entrar em colapso”, avalia.

O especialista garante que isso contribui para que aumente a demanda por esse tipo de mobilidade só que quando se fala em app para duas rodas há um problema porque  já existe uma regulamentação, no entanto, para a atividade como mototáxi, autorizada pelo município. 

“É importante lembrar quem vai estar autorizado a rodar são os profissionais que trabalham como mototaxistas, na capital, onde a atividade é regulamentada. Se liberarem outro tipo de moto  vai gerar um problema muito grande porque vai bater de frente com a legislação. Não se pode autorizar a operação de qualquer moto e nem de qualquer forma. Se isso acontecer vai impactar diretamente na segurança do trânsito porque vai aumentar e muito a quantidade de veículos e acaba fugindo do controle”, diz o especialista. 

Por dentro

A empresa vem mantendo uma média de crescimento de 200% ao mês e pretende dobrar sua participação no mercado nacional, com um investimento estimado em US$ 5 milhões. A Picap vem se consolidando no mercado Sul Americano. Além de Brasil e Colômbia, a empresa atua em Argentina, Peru, Guatemala, Equador, México e Chile, com lançamentos nesse mês em Paraguai e Uruguai.

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