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Agropecuária lidera PIB do Amazonas

Por Marco Dassori Twitter: @marco.dassori @JCommercio

13 Jan 2020, 17h18

Crédito: Divulgação

 

A agropecuária do Amazonas tem muito a comemorar em 2019, segundo avaliação do presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço. O dirigente destaca principalmente os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para ressaltar que a atividade não apenas colheu resultados expressivos na produção, como também liderou em termos de crescimento do PIB.

Os dados mais recentes do IBGE, compilados em conjunto com a Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), indicam que a agropecuária foi o setor que mais cresceu no confronto do terceiro trimestre de 2019 (R$ 1,89 bilhão) com o mesmo período de 2018 (R$ 1,73 bilhões): 9,52%. Em relação ao acumulado de abril a junho (R$ 1,84 bilhão), a elevação foi de 8,78%. Para efeito de comparação, os aumentos do PIB do Amazonas (R$ 26,16 bilhões) foram de 6,06% e de 2,58%, respectivamente.

O resultado da agropecuária foi impulsionado principalmente pela expansão na produção de arroz (+19% e 14.206 toneladas), milho (+47% e 18.894 toneladas) e, principalmente, mandioca (+58,11% e 1,33 milhão de toneladas), conforme os números mais recentes do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, do mesmo IBGE.

“Essa liderança da agropecuária em termos percentuais no crescimento no PIB confirma a tendência de incremento da atividade rural em nosso Estado e isso é muito bem-vindo, porque é sinônimo de maior interiorização e diversificação da nossa economia”, declarou o presidente da Faea, ao Jornal do Commercio, na época da divulgação dos dados.

Para o dirigente, medidas como a retomada da Expoagro (Exposição Agropecuária do Amazonas), e a abertura do Distrito Agroindustrial de Rio Preto da Eva – iniciativa que deve gerar 10 mil empregos, a partir do primeiro semestre de 2020 – são benvindas pelo setor primário, para permitir o incremento dos negócios e a agregação de valor a seus produtos.

“Essa liderança da agropecuária confirma a tendência de incremento da atividade rural em nosso Estado”,

Muni Lourenço - Presidente da Faea

Desafios ao crescimento

No entendimento do dirigente, contudo, há ainda muito espaço para o setor crescer mais. Diferente do ocorrido em âmbito nacional, nem todas as atividades da pecuária avançaram em relação ao terceiro trimestre de 2018, no Amazonas. O número de unidades abatedoras de bovinos no Estado (16), por exemplo, caiu 6%. A quantidade de animais (59.622) também sofreu redução (-9,8%) no terceiro trimestre, o que proporcionou redução de 8,4% no peso das carcaças – de 14,56 milhões para 13,34 milhões de quilos.

No caso da avicultura de postura, a elevação de 1% na passagem do segundo para o terceiro trimestre do ano, totalizando 11.458 dúzias – contra as 11.344 anteriores – não impediu que o Estado ficasse bem aquém do país – que bateu recorde no período. A quantidade de galinhas poedeiras no Estado cresceu 4,3% na mesma comparação e passou de 1,80 milhão para 1,88 milhão.

De acordo com Muni Lourenço, o setor pode e deve crescer mais, contribuindo para a geração de emprego no interior, dado o peso da atividade na economia da maior parte dos municípios amazonenses. A agropecuária foi um dos setores a fechar no azul em todas as comparações, gerando saldo positivo de empregos entre outubro e novembro (+1,01% e 44 vagas), assim como nos acumulados do ano (+3,59% e 155) e dos 12 últimos meses (+0,43% e 19). Mas, os números ainda são tímidos diante da demanda, e o desempenho tem sido oscilante nas localidades do interior amazonense. 

A dinamização do setor é vital também para reduzir a dependência do Estado em relação à importação de itens básicos – inclusive peixe – para atender a demanda de seus habitantes. Segundo o presidente da Faea, a tendência do setor rural amazonense é autossuficiência, mas em que momento isso ocorrerá, depende das políticas públicas, que passam pelo maior acesso ao crédito – um problema ainda vivido pelos produtores rurais – e à tecnologia – que depende do fortalecimento do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas) e da maior difusão das tecnologias da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), no interior.

 

ENTREVISTA - Muni Loureço, presidente da Faea

Para Munir Lourenço, produção superou as expectativas no ano

Jornal do Commercio - Qual é o balanço que o senhor faz da agropecuária do Amazonas, em 2019?

Muni Lourenço - O ano de.2019 foi positivo para o setor agropecuário. Os dados recentes do PIB (Produto Interno Bruto) mostram crescimento do setor rural no comparativo com 2018 e até apontam liderança no percentual de incremento dentre os setores produtivos. No entanto, precisamos e podemos crescer muito mais. Sobretudo, diante da premência da geração de emprego e renda no interior do Estado. Em 2019, foi importante a retomada da tradição da Expoagro e de exposições agropecuárias em municípios do interior, mas verificamos dificuldades dos produtores rurais em acessar a financiamentos, diante de exigências ambientais.

JC - Quais são os maiores desafios e as melhores oportunidades para o setor, em 2020? 

MS - Em 2020, estamos confiantes que o setor agropecuário amazonense terá a oportunidade de ser aprovado, como incluído no Bloco I do Ministério da Agricultura, que definirá a classificação de livre de aftosa com vacinação. Os desafios estarão relacionados à consolidação da regularização fundiária, dos investimentos em infraestrutura, assistência técnica e defesa agropecuária.

JC - O acesso do produtor rural do Amazonas ao crédito e à tecnologia melhorou?

MS - A adoção de novas tecnologias é fundamental para aumento de produtividade e eficiência agropecuária. Para isso, o serviço de assistência técnica é vital para a transferência de tecnologias produzidas, por exemplo, pela Embrapa até o produtor. O IBGE realizou uma pesquisa concluindo que o produtor rural com acesso à assistência técnica tem renda e produtividade três vezes superior à daquele desprovido desse assessoramento. Por isso, tem sido bandeira histórica da Faea o contínuo fortalecimento do Idam.

JC - Os índices de crescimento do setor já permitem ao Amazonas vislumbrar maior autossuficiência e menor dependência de importação de produtos básicos, no curto ou médio prazo? E como está a agregação de valor nos produtos do primeiro setor, por meio da agroindústria amazonense?

MS – A diminuição da importação de alimentos de outros Estados e regiões terá relação direta com a intensidade das políticas públicas de fomento ao setor rural. Mas, a tendência é de diminuição dessa dependência. No caso da agroindústria, é muito benvinda a iniciativa da Suframa e do governo estadual de criar o Distrito Agroindustrial, porque isso permitirá a retomada do desenvolvimento do Distrito Agropecuário da Suframa, bem como propiciará a agregação de valor de produtos primários. Tem havido instalação de empreendimentos agroindustriais (de laticínios, frigoríficos de pescado e abate de bovinos, agroindústrias de polpas de frutas, etc) no interior do Estado mas é importante o incentivo para ampliar a agrondustrialização.

JC - Qual a importância dos 116 anos do Jornal do Commercio para a cidade de Manaus e para o setor que o senhor representa?

MS - O centenário Jornal do Commercio tem se notabilizado por uma atuação jornalística competente e responsável e, por isso, tem se tornado cada vez mais um veículo de imprensa que orgulha a todos amazonenses. Para o nosso setor agropecuário, o Jornal do Commercio sempre prestou uma inestimável contribuição, a partir de matérias, artigos e análises sempre abalizadas.

Saiba Mais

A Faea foi criada em 1954. Em 12 de março de 1964, recebeu a carta sindical outorgada pelo extinto Ministério do Trabalho e Previdência Social, que aprovou seus estatutos sociais, reconhecendo-a como órgão representativo das 1ª, 2ª e 3ª Categoria Econômicas Integrantes do Plano da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). É constituída por sindicatos patronais rurais e, entre seus princípios, assume “as preocupações atuais sobre a construção de uma agropecuária que responda às exigências de qualidade dos produtos, de defesa do meio ambiente, do mundo rural, da saúde, do trabalho e que promova a melhoria dos rendimentos e da qualidade de vida dos agricultores amazonenses”.


 

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