Meio Ambiente

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Ação por um Tarumã mais limpo

Realização especial da nona edição do 'Grito d'Água' é em homenagem ao aniversário de Manaus

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

23 Out 2019, 19h35

Crédito: Divulgação

Pela primeira vez, já em sua nona edição, a ação ambiental ‘Grito d’Água’ vai acontecer em outubro, no dia 25, homenageando Manaus pelos seus 350 anos.

“Há quatro anos, desde 2015, realizamos essa ação de limpeza do Tarumã, seu leito e margens, duas vezes por anos, em julho, época da cheia do rio, e em dezembro, na vazante”, explicou o jornalista Agnaldo Oliveira, idealizador e coordenador do ‘Grito d’Água’, o primeiro evento manauara a unir esporte e consciência ambiental.

A edição especial dos 350 anos da capital amazonense ocorrerá no dia 25, sexta-feira, das 8h às 10h30, partindo do flutuante Abaré.

“Nós temos um grupo de WhatsApp onde nos acertamos e combinamos como tudo será feito. Cada edição tem reunido entre 40 e 50 voluntários, que cadastramos previamente para que na hora tenham pranchas de SUP e caiaques para todos”, falou.

Ao longo destes poucos anos o ‘Grito d’Água’ tem se tornado uma das mais importantes ações ambientais da cidade, se concentrando na área do igarapé do Tarumã, onde, devido à grande ocupação de pessoas na área, tem recebido enorme quantidade de resíduos sólidos, inclusive de outros igarapés que deságuam no Tarumã.

“Nosso grupo reúne participantes a partir de 16 anos, que vão porque se preocupam em ter um mundo melhor, com menos sujeira, mantendo a beleza natural daquela região”, disse.

“Nas pranchas e nos caiaques só podem ir maiores de 18 anos que saibam nadar e remar. Já na voadeira, vai o pessoal que não sabe nadar, porém, todos com coletes salva-vidas, e seu trabalho e nas praias, nas margens do rio”, contou.

“Estes voluntários recolhem o lixo de faixas de areia poluídas, que começam a aparecer com o início da vazante. Os demais, recolhem o material que fica nas margens”, esclareceu. 

Para filhos e netos

A maior parte do lixo recolhido é de garrafas pet, embalagens plásticas, recipientes de produtos de limpeza, galões de combustível, garrafas de bebidas alcoólicas e pedaços de isopor, descartados de maneira irresponsável acabando por parar no rio.

“Mas também recolhemos coisas inusitadas, como uma vez, um fogão. Também retiramos pneus”, completou.

Nas nove ações do ‘Grito d’Água’, os voluntários já recolheram mais de 40 toneladas de lixo, levados do local pela Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Pública).

“Na vazante é quando notamos mais nitidamente a poluição no meio-ambiente, porque o lixo acumulado fica depositado nas areias das praias. É um verdadeiro tapete de lixo. Temos notado, ação após ação, que esse tapete tem diminuído, mas ainda assim é muito lixo”, destacou.

“O que a gente pretende é, cada vez mais, tornar os rios e lagos amazônicos mais limpos e, consequentemente, perenes”, concluiu.

Agnaldo avisa que os novos voluntários que desejarem se juntar ao grupo já existente, podem ligar para seu telefone (9 9972-9974) e acertar a ida, ou ir diretamente para o flutuante Abaré. Seguindo pela estrada da praia Dourada, placas indicam onde fica o píer do Abaré.

“Ainda há vagas para as pessoas que quiserem fazer a limpeza nas margens do rio. Uma voadeira serve de suporte para estes voluntários”, revelou.

A ação é o resultado da união de esforços da PONTOCOMM Comunicação e Marketing, flutuante Abaré, Companhia Athletica com o projeto ‘Experience Day’, Santa Cláudia, Postos Atem e Semulsp.

“A intenção é unir esforços para que possamos obter resultados importantes quando o assunto é engajamento e marketing ambiental. A ideia é motivar as pessoas pela ação visando um único retorno: um futuro melhor para nossos filhos e netos”, concluiu. 

Um grito de alegria

Esta é a edição do evento que vai servir de aquecimento para a décima edição que será realizada, como nos anos anteriores, em dezembro e tem engajado cada vez mais pessoas. Atualmente, cerca de 50 voluntários são presença contínua em todas as edições. Quanto ao material retirado do Tarumã, na primeira edição foi recolhida uma tonelada de lixo. No ‘Grito d’Água 2.0’, também uma tonelada foi retirada das margens das ilhotas que se formam no Tarumã. Na terceira edição acabaram recolhidas duas toneladas. Na quarta edição, 600 quilos. Na quinta edição, em dezembro de 2017, foram recolhidas 18 toneladas de lixo. Em julho de 2018, novamente uma tonelada. Em novembro do mesmo ano, oito toneladas. Em março deste ano, mais uma tonelada.

A coordenação do evento, composta por especialistas das duas realizadoras da ação, criou as duas edições anuais, uma na cheia dos rios amazônicos, recolhendo o lixo da chamada mata de igapó e da copa das árvores que fica parte encobertas pela água; e outra na vazante, quando se formam ilhotas e faixas de areia que acumulam muito lixo.

“A previsão é que este ano retiremos 1,5 tonelada de poluentes do Tarumã. Nossa maior alegria será o dia em que voltarmos com as mãos vazias e o ‘Grito d’Água’ será de alegria”, finalizou.    

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