Opinião

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A inveja além das telas

Muitos traços de nossa personalidade podem facilitar o surgimento desse incômodo

Por Augusto Bernardo

10 Out 2019, 13h16

Crédito: Divulgação

Com uma exuberância visual impressionante, a proposta fotorrealista do novo filme O Rei Leão nos mostra a história de Simba, um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar faz com que Mufasa, o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote.

Numa das cenas mais dramáticas do cinema, que mostra ao público infantil a morte cruel de um personagem, o rei está pendurado nas rochas para não cair e ser pisoteado por uma manada de gnus em alta velocidade, suplicando ajuda ao irmão invejoso, que queria o seu trono. Em seguida Scar mata o seu irmão e ainda culpa o sobrinho pela morte do pai.

Simba, consumido pela culpa, abandona o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.

Esse filme nos apresenta muitas coisas boas, mas foca num sentimento nocivo que vai muito além das telas, e mostra o lado negro do comportamento humano: a inveja.

Dizem que a inveja é um dos piores sentimentos. É um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro. É um sentimento de cobiça da riqueza, do brilho e da prosperidade alheia. É o desejo constante que algumas pessoas sentem ao almejar a todo custo as conquistas da vida alheia, é desejar o que o outro possui ou realiza. Ela se liga ao ciúme no momento que produz desgosto ou tormento ao indivíduo que almeja possuir algo que pertence a outro indivíduo.

A inveja é considerada um dos sete pecados capitais e, normalmente, caminha lado a lado com a crítica destrutiva do(a) invejoso(a). Ela é muito destrutiva para quem sente e para quem é invejado, e essa emoção é tão comum como também prejudicial e muitas vezes pode vir mascarada por declarações superficiais.

A inveja atua silenciosamente, vai crescendo ao longo do tempo e pode levar as pessoas a se alegrarem com as dificuldades dos outros. E isso não só acontece com as pessoas “inatingíveis”, mas em relação às pessoas próximas também, e muitas vezes o(a) invejoso(a) pode estar bem mais perto do que se possa imaginar.

Segundo reportagem de Kalel Adolfo, publicada na revista eletrônica Minha Vida, é difícil admitir que possamos sentir inveja. Entretanto, não devemos nos sentir culpados caso isso aconteça. Este sentimento surge quando nos comparamos exageradamente com os outros e nos frustramos por não viver a realidade deles.

Muitos traços de nossa personalidade podem facilitar o surgimento desse incômodo, e é necessário olhar para dentro de si e descobrir como iremos lidar com isso.

A psicóloga Adriana de Araújo indica que podemos criar metas e planejamentos para alcançar o sucesso que tanto desejamos ao sentirmos inveja.

Quando canalizado de maneira construtiva, o sentimento pode nos inspirar a buscar crescimento pessoal. Mas é extremamente importante que nós tenhamos noção de que cada um possui sua própria essência e, portanto, o caminho para a autorrealização nunca será o mesmo para todos.

A inveja torna-se destrutiva quando pausamos nossa vida e sofremos por não ter o que é do próximo. "Quando isso acontece, não conseguimos aproveitar o que temos, apreciar as coisas boas que conquistamos, e esse mal-estar pode até mesmo levar a uma baixa autoestima".

*Augusto Bernanrdo é auditor fiscal e professor. E-mail: augustosefaz@hotmail.com

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