Opinião

COMPARTILHE

A Amazônia entre o Sínodo e o cinismo cultural - Parte 02

Por Cristóvam Luiz

19 Nov 2019, 14h08

Crédito: Divulgação

Publicado no Bollettino – Sala Stampa de la Santa Sede, no Vaticano, por ocasião do encerramento do Sínodo da Amazônia, o item 2 da Introdução do documento final que foi entregue ao Santo Papa Francisco, revela por parte de seus redatores um discurso tendencioso, maniqueísta, sádico, antidesenvolvimentista e mentiroso quando aos assuntos geopolíticos da Amazônia. Vejamos o que diz o documento nesse item:

                           “2. Todos os participantes manifestam uma aguda consciência da dramática situação de destruição que afeta a Amazônia. Isso significa o desaparecimento do território e de seus habitantes, especialmente os povos indígenas. A floresta amazônica é um “coração biológico” para as terras cada vez mais ameaçadas. Ele está numa corrida desenfreada até a morte. Requer mudanças radicais com grande urgência, uma nova direção que a salvará. Está cientificamente comprovado que o desaparecimento do bioma amazônico terá um impacto catastrófico para o planeta!” 

Talvez sejam essas inverdades, claramente defendidas nesse documento do Sínodo, que não possuem respaldo na ciência ou na geopolítica, mas que muitos sacerdotes têm pregado nas Igrejas na Amazônia, principalmente através do CIMI, que tenham afastado os povos amazônidas, contribuindo com a queda vergonhosa da Igreja Católica e da expansão das muitas outras igrejas e missões religiosas na região.

Os habitantes da Amazônia sabem muito bem que a dramaticidade da destruição apontada não reflete a realidade vivida por aqui. Embora existam muitos problemas ambientais vinculados a queimadas, desmatamentos e poluição de rios e córregos, comuns em toda parte do planeta, jamais chegaremos na Amazônia ao “desaparecimento do território e dos habitantes”, como define dramática e irresponsavelmente o nefasto teor do referido item do documento deste Sínodo.

Lamentavelmente o Sínodo da Amazônia pouco discutiu os reais problemas da igreja na Região Amazônica, como as questões do papel importante das mulheres na direção dessa instituição, a questão do celibato dos padres, o combate à pedofilia e à atuação mais eficaz da igreja junto às comunidades indígenas, quilombolas e caboclas da região, ou na defesa de temas de reais interesses da população local.

Na realidade, ficou evidenciado no Sínodo da Amazônia, sim, um cinismo cultural, na nefasta intervenção de bispos e padres pseudo- comunistas e pseudo-ambientalistas nas muitas missões religiosas de cunho eminentemente políticos, o negativismo ao desenvolvimento da Amazônia com as suas múltiplas áreas de riquezas minerais, de engessamento de sua biodiversidade que serve e servirá ainda mais aos habitantes do planeta; Isto é, os povos da Amazônia não abrem mão do seu desenvolvimento, do usufruto das riquezas que eles ajudaram a preservar.

Quanto a questão ambiental, não é apenas o bioma amazônico que deve ser conservado e cuidado, é o próprio Planeta Terra, em todos os biomas e continentes. Tomara que o Santo Papa tome consciência disso!

*Cristóvam Luiz é professor, microempresário de mineração e escritor  - Contato: cristovamluiz@bol.com.br

Veja Também