7 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Consumo per capta de água no AM é o quarto menor do Brasil

A média de consumo diário de água no Amazonas é de 100 litros por pessoa, conforme dado da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), referente a 2019. É o quarto menor consumo per capta do país, à frente apenas de Alagoas, Bahia e Pernambuco. A média amazonense está abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (110 litros por habitante ao dia) para atender necessidades de consumo e higiene de uma pessoa. O Estado faz parte de uma lista de sete unidades federativas nessa situação, apesar de 93,4% de seus municípios terem sistema de distribuição.

A situação é pior em termos de saneamento. Oito Estados tratam menos de 25% de seus efluentes gerados, sendo que cinco deles ficam na região Norte (16,4%) – inclusive o Amazonas. Enquanto 99,6% dos municípios amazonenses contam com abastecimento de água por rede geral, apenas metade deles utilizam serviços de esgoto geridos de forma segura, incluindo instalações para lavar as mãos com água e sabão. Este e outros dados constam no Atlas de Saneamento, lançado pelo IBGE nesta quarta (24).

Em síntese, a obra mostra que os serviços melhoraram em todas as regiões do país, sem esquecer de destacar as diferenças regionais. Também destaca que DRSAI (Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado provocaram 0,9% de todas mortes registradas no Brasil, entre 2008 e 2019, com maior recorrência de Doença de Chagas e diarreias. Em 2017, apenas 38,0% dos municípios do país possuíam planos municipais de saneamento básico que contemplavam as atividades de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Tratamento e perdas

Dados do Atlas relativos a 2017 mostram que os 5.517 municípios brasileiros tinham estações de tratamento de água com serviço de abastecimento funcionando, sendo que 4 871 (88,3%) contavam com ao menos um tipo de instalação para tanto. A proporção era maior no Centro-Oeste (97,6%), Sul (96,9%) e Sudeste (95,4%) e menor no Norte (78,1%) e Nordeste (75,8%). O Amazonas (43,3%), assim como outras dez unidades federativas, ficou abaixo da média nacional e foi o único com menos da metade dos municípios com estruturas para tratamento de água.

No mesmo ano, o volume médio diário de água disponibilizado para consumo na rede e reservatórios pelas entidades executoras de serviços de abastecimento de água do país totalizou 46,3 milhões de metros cúbicos, dos quais 94,3% (43,6 milhões), possuíam tratamento prévio. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o índice superou 99%, enquanto Norte e Nordeste tiveram 86% e 80,8%, respetivamente. 

O Índice de Perdas na Distribuição – entre a entrada no sistema e a chegada ao consumidor – resultou em 38,9% em todo o país, mas Norte (48,3%) e Nordeste (44,5%) voltaram a liderar a estatística. Os maiores índices de perda ficaram em Roraima (69,3%), Amazonas (66,8%), Amapá (62,8%) e Acre (59,3%). As menores couberam ao Distrito Federal (32,3%), Ceará (32,2%), Goiás (27,7%) e Pará (19,0%). 

Esgoto e deslocamentos

O IBGE estima que o volume diário de esgoto gerado pelos municípios brasileiros foi de 21,3 milhões de metros cúbicos, no período, sendo que apenas 67% (14,2 milhões) eram coletados. O processo de tratamento de efluentes, contudo, não passou de 51,6% do esgoto total gerado pelo país. A menor proporção ficou no Norte (16,4%) e a maior, no Centro-Oeste (60,9%). 

Em 2017, 42,4% (2.364) dos municípios brasileiros se encontravam sem acesso ao serviço de esgotamento sanitário por rede coletora. Entre as 3.206 localidades que tinham ao menos uma entidade com o serviço de coleta em funcionamento, 62,8% (2.013) dispunham de ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) em operação. O Amazonas (25%) ficou como segundo pior percentual da lista, à frente apenas do Amapá (16,7%). Na outra ponta, São Paulo, registrou a presença de ETEs em operação em 91,2% de seus municípios.

O IBGE lembra que doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado geram demanda adicional por serviços de saúde e envolvem também questões de acessibilidade e, ocasionalmente, “longo deslocamento para tratamento”. Ao analisar cruzar os dados de uma de suas sondagens – a Regic (Regiões de Influência das Cidades) 2018 – e dados do SUS (Sistema Único de Saúde), o órgão de pesquisa também aponta desvantagens para quem vive na região, nesse quesito.

“Quanto aos deslocamentos para atendimento ligado aos serviços de baixa e média complexidade que não implicam em internação, os resultados apresentaram uma média de 72 quilômetro para o país”, apontou o IBGE-AM, no texto de divulgação do Atlas. “Manaus, atrai deslocamentos mais distantes (em média, 418 quilômetros), enquanto o arranjo populacional de Goiânia/GO polariza o maior número de cidades, 115 no total. Apenas Santa Catarina exibiu fluxos com médias inferiores a 40 quilômetros, com ligeiro destaque para Chapecó”. emendou.

Demanda e acesso

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que o consumo de água per capita sintetiza a capacidade de entrega das fontes hídricas (mananciais) e dos prestadores do serviço, assim como a demanda dos usuários. O pesquisador observou ainda que esta pode ser afetada por fatores diversos, como clima, local e as condições socioeconômicas. 

“As estimativas são influenciadas também pelo nível de micromedição residencial e comercial. No Amazonas, diversos fatores influenciam a captação, produção e distribuição. Por outro lado, o acesso aos mananciais de água é muito facilitado, tendo em vista a sua grande existência. Por isso, muito do que é consumido, é retirado pela população diretamente dos recursos hídricos, sem passar pelo sistema de distribuição”, avaliou.

Em texto divulgado pela Agência de Notícias IBGE, a geógrafa Daiane Ciriáco informa que, embora menos populosas, as regiões Norte e Centro-Oeste foram as únicas que apresentaram, entre 2010 e 2020, crescimento populacional relativo estimado acima da média nacional (11%), com taxas de 17,7% e 17,4%, respectivamente. Por esse motivo, ela destaca a necessidade de maiores investimentos para atender à demanda crescente das regiões.

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