Manaus, 16 de Novembro de 2018
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No Amazonas é assim: povo sempre orgulhoso

Por: Andréia Leite - andreiasleitejor@gmail.com
31 Ago 2018, 16h32

* Na série do Jornal do Commercio sobre a evolução do Amazonas, que no dia 05 de setembro celebra a elevação do estado à categoria de província, a matéria a seguir aborda o "amazonês" e os novos tempos onde o Amazonas 'surfa na onda' da atualidade.

O conhecido ditado regionalizado "Quem come jaraqui, não sai mais daqui", demonstra que o orgulho de ser amazonense vai além da diversidade cultural. Presente nas peculiaridades da linguagem, dos traços, da arte e do espírito inovador, essas características estão alinhadas a uma identidade cultural que tem se propagado cada vez mais e tem deixado o Amazonas em rotas de evidências jamais vistas.

Criada há cinco anos e com o objetivo de valorizar a cultura local através da arte, o casal de empresários Dahn Israel e Laine Rodrigues criaram a marca "Os Barés Camisetaria". Inspirado nas  gírias regionais do dia a dia e com uma dose de humor eles alinharam a profissão que já exerciam como publicitários, a criatividade aos negócios.

O casal faz questão de destacar que a arte têm um design contemporâneo que transmite tudo o que é de valor amazônico sendo caboclo, ribeirinho ou indígena, desde expressões e ditados populares até a culinária, a fauna a flora, pontos turísticos com o bairrismo que os amazonenses sentem por sua terrinha.

O carro chefe da marca são as camisetas, com mais de 70 estampas, mas o casal adaptou para outras opções e possuem um mix de produtos, sandálias, canecas, bolsas, bottons, chaveiro.

O empresário declarou que no início das atividades 80% dos clientes eram turistas e 20% amazonenses, hoje esse número já mudou, os consumidores locais giram em torno de 60%. "O amazonense criou uma identidade, tem orgulho pela terra isso tem mudado. E a nossa ideia é essa, é transmitir um Amazonas divertido, um Amazonas legal, um Amazonas que ninguém tem do que se envergonhar, da sua cultura, de ter uma pegada indígena, ribeirinha ou cabocla o que quer que seja, porque é a nossa cultura, onde quer que a gente vá a gente pode estar vestindo   a nossa cultura no peito", salientou.
Todo esse bom humor amazonense já atraiu mais de 60 mil fãs no Facebook (primeira rede social oficial da marca), e atualmente vem trabalhando no Instagram com praticamente 10 mil seguidores. Existe também um canal de venda pelo Whatsapp da própria marca onde os clientes solicitam encomendas ou efetuam reservas. A qualidade e de grande aceitação no mercado local cativou tanto amazonenses como turistas que visitam ao Amazonas.

Contatos: 98213-1414
Instagram @osbares


Amazonês

O doutor em linguística, Sérgio Freire, explica sobre uma das características mais evidentes do amazonense, a linguagem específica da nossa terra. " A língua oral amazonense é um produto de nossa história. Temos uma matriz tripa na composição do português amazonense: o português europeu (de onde vêm a estrutura da língua e o nosso chiado), o português nordestino (que veio junto com os nordestinos, conhecidos como os soldados da borracha, que para cá vieram na década de 1940, no segundo ciclo da borracha) e a ampla influência da linguagem indígena da região, analisou.

Ele destaca ainda que aquele famoso S chiado, herdamos dos portugueses, dos nordestinos termos: "égua, engelhado, escangalhado, esculhambado, leso etc; dos índios, expressões como ficar de bubuia, só o cuí de magro, carapanã, cunhã" e etc. "Língua é história e a nossa história vem desses lugares", destacou Sérgio.

Nos últimos anos, tem havido um revalorização do falar amazonense. Essa revalorização acaba virando produtos de consumo: hoje há sites sobre a linguagem amazonense, bem como produtos como canecas e camisetas trazendo como motivo o falar local.

Redes sociais

Nas redes socais, o orgulho amazonense é cada vez mais presente em muitas fan pages e perfis que exaltam o Amazonas. Se essa presença é constante em várias partes do Brasil, por que em Manaus não haveria de ser?

Esse orgulho motivou o fotógrafo  Pedro Melo a criar a página 'Manaus é Show'.  A fanpage, que já tem cinco anos, é voltada para os acontecimentos e curiosidades da região. Sempre antenado, Pedro  faz questão de publicar conteúdos que valorize o Estado e as pessoas que aqui vivem. "Temos de tudo um pouco. Festas, culinária regional, futebol amazonense, artes na ruas", declarou
Com um perfil bem diferente, a professora de História Gisela Braga resolveu exaltar o Amazonas de uma forma bem mais histórica. Viajando ao passado, ela administra a página 'Manaus de Antigamente'. Em 2013 ela resolveu fazer um trabalho voltado à disciplina e resolveu criar a página para ter um maior alcance. Quando começou a trabalhar com os alunos resgatando a história da cidade, resolveu ir além, levou  para as redes sociais um pouquinho da história do Amazonas. "O perfil é importante para contribuir com na construção da identidade cultural das pessoas daqui e das pessoas que vêm de fora  para compreenderem melhor como se deu todo o processo histórico e desenvolvimento social da cidade", destacou a professora que concentra 138 mil seguidores, só no Facebook.

O talento amazonense em destaque

Morando em São Paulo. e participando da gravação de um filme, a atriz amazonense Rosa Malagueta, conhecida no cenário artístico local, com o personagem Maria nos bastidores, esposa de Raimundo, deu um grande salto na carreira. Ano passado recebeu um convite para interpretar a personagem Neide, na novela das 21h da rede Globo, "A Força do Querer" A novela escrita por Glória Perez e dirigida por Rogério Gomes, retratou um pouco da cultura da região Norte ao longo de toda a trama.

"A oportunidade de participar do elenco foi um sonho que eu buscava, eu corri atrás, passei no teste, contracenei com atores que eu era fã e adquiri fãs. Acredito que eu fiz um bom trabalho. Foi maravilhoso", contou Rosa Malagueta que anunciou novidades para próximo ano, ela estará de volta à telinha da Globo e fará  participação em mais uma novela.

A atriz aproveitou para fazer um desabafo sobre valorização dos artistas da terra. "O amazonense não valoriza os seus artistas, temos vários exemplos. Pessoas talentosas,  mas o nosso povo não valoriza. Quando vamos fazer um show local, nunca lota, querem que o show seja gratuito, mas se você trouxer artistas de fora, eles fazem questão de pagar. Eles não prestigiam a gente. É muito difícil seguir uma carreira de sucesso em Manaus. As pessoas ainda carregam o  pensamento, o que é de fora é sempre melhor. Falta valorização e incentivo, principalmente do governo e da prefeitura", disse a atriz.

Em março, o Amazonas também ganhou destaque no mundo inteiro no maior evento de beleza do mundo. O título de Miss Brasil 2018 foi conquistado por uma amazonense, a jornalista Mayara Dias. Depois de várias tentativas, sete anos depois a jovem de 26 anos foi coroada.  Mayara se prepara para representar o Brasil no concurso de Miss Universo que acontece em dezembro.

Cultura

Na capital e no interior diversas manifestações populares acontecem, a riqueza da cultura amazonense é reconhecida em várias partes do mundo. Com uma cultura diversificada, Manaus tem um calendário extenso de programação ao longo do ano.  

Festival de Parintins
O Festival de Parintins que acontece em junho, recebe visitantes de todas as partes do mundo. "É um espetáculo que é nosso e encanta multidões", exaltou a fisioterapeuta Gabriela Dias, que prestigia o Festival há mais de vinte anos. Ela conta que têm muitas histórias pra contar envolvendo a ilha Tupinanbaranda. "Quando eu era solteira, eu me reunia com amigos, que sempre iam pro festival e optaram para  levar os carros pra Parintins, ou seja, iam de balsas, eu ia com eles. A viagem era longa, cansativa, mas muito divertida. Eram alguns dias a mais, porque o transporte é muito lento, mas íamos felizes, sorrindo, brincando e bebendo", riu. Atualmente a fisioterapeuta está casada, mas mobiliza o marido para ir todos os anos. Ela diz que hoje não se aventura mais. Mas confessa que o evento faz parte do calendário do casal e pretende estar presente todos os anos na ilha. "É amor, é sentimento. Não existe lugar melhor que o nosso Estado. A nossa cultura é muito rica. Valorizar o que é nosso, o que é da terra, isso é que eu chamo de ostentação", declarou.

Festival de Cirandas
Considerado o segundo maior evento folclórico é o Festival de Cirandas é do interior do Amazonas. Os grupos de ciranda apresentam, em geral, temas populares e a história das origens das lendas, com novas músicas e ritmos.
Festival Amazonas de Ópera
O evento acontece desde 1996, todos os anos no mês de maio. Realizado pela Secretaria de Cultura  do Estado do Amazonas, atrai turistas de todas as partes do mundo.

Festival de Jazz
Todos os anos, no mês de julho, o Teatro Amazonas recebe o Festival Amazonas Jazz, com apresentação de artistas de prestígio, seja local, nacional ou internacional. O evento também envolve a comunidade com uma extensa e diversificada programação acadêmica do evento.

Amazonas Film Festival
Acontece durante o mês de novembro estimula a produção cinematográfica na região, reunindo obras de ficção e filmes documentários, inserindo o Amazonas no circuito de festival internacional de cinema.

Comentários (2)

  • peter delta02/09/2018

    Complementando as regiões acima citado faltou a região SUL.

  • peter delta01/09/2018

    Já andei por quase todo nosso brasil, conheço as cinco regiões brasileira, NORTE, CENTRO OESTE, NORDESTE e SUDESTE, vivi e conheci o povo de cada uma delas, seus hábitos, seus costumes, modo de ser, de falar, de agir enfim traços que só mesmo quem viaja sabe o que diz, mas de toda essas andanças ninguém é igual ao povo AMAZONENSE, um povo sempre alegre, divertido, satisfeito, de bem com a natureza, sabe enfrentar esse calor que temos que chega perto dos 40º. e algumas situações chega, o amazonense é a PRÓPRIA NATUREZA a NATUREZA ESTÁ DENTRO DELE, pra mim é o POVO MAIS RICO do BRASIL, é o POVO que MAIS SE ALIMENTAM BEM de todo o Brasil, por quê? A RESPOSTA é Simples: É porque TODA ALIMENTAÇÃO QUE É PRODUZIDA NO ESTADO, O PRÓPRIO POVO CONSOME, são as frutas mais deliciosas do planeta CUPUAÇÚ, AÇAÍ, GRAVIOLA, BURITI, TUCUMÃ, ABACAXI, BANANA PACOVAN e tantos outras frutas CADA UMA mais deliciosa que a outra e depois vem nossos LEGUMES, enfim todos os ALIMENTOS sem contar que temos nosso prato PRINCIPAL que são nosso PEIXES. Agora vou lhes dá a explicação mais ainda por quê o POVO AMAZONENSE COMO BEM E MELHOR, outro ponto é porque as terras dos outros ESTADOS que produzem ALIMENTOS ESTÃO TODAS DOENTES, estão TODAS CANSADAS, estão todas cheias de AGROTOXICO, tudo que eles produzem tem que ABASTECER NOSSO PAÍS E ABASTECER TODOS OS PAÍSES.

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