Manaus, 16 de Janeiro de 2019
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Mercado de jogos digitais ganha espaço

Por: Andréia Leite
11 Jan 2019, 18h34

Crédito:Divulgação
A indústria de games tem se mostrado cada vez mais lucrativa. Embora o segmento ainda seja visto como um desafio para a carreira profissional, levantamentos apontam que o crescimento do número de jogadores é uma realidade cada vez mais crescente.No Brasil, o cenário está aquecido, são mais de 75 milhões de jogadores adeptos, que movimentam cerca de US$ 1,5 bilhão, de acordo com a Newzoo, responsável pelo levantamento dos dados no mercado digital. Uma pesquisa realizada pelo 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, divulgado pelo MinC ( Ministério da Cultura), aponta que entre os anos de 2014 e 2018, o número de desenvolvedoras de games passou de 142 para 375, um aumento de 164%. A região Norte, está entre as regiões que apresentaram maior crescimento.

Para o supervisor pedagógico do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), Ederson Pinto, que está no comando do curso de games da Escola Interativa da instituição, lançado este ano, o segmento ainda sofre resistência porque não é visto como profissão.

"Por falta de conhecimento, e a questão geracional. Tem uma geração que ver games como algo infantil. Como algo que tomava o tempo da pessoas. Hoje a gente percebe que o público jovem tem até seus heróis nos games. Olimpíadas de games, ganha-se muito dinheiro com isso. E essa geração mais recentente não tem resistência e sim falta de conhecimento e informação sobre", observou.

Mas engana-se quem pensa que o setor não tem mercado e é restrito. Ederson destaca que a área de atuação para o profissional de games pode trabalhar em diversas áreas: na área do comércio, indústria, consultoria, na área de ensino, além de prestação de serviços autônomos e na área de educação que se utiliza muito a questão dos jogos digitais.

"A perspectiva da internet ampliou ainda mais o mercado de desenvolvimento de jogos digitais, que passaram a ser produzidos na perspectiva de multiplataformas, ou seja, o mesmo jogo é produzido e distribuído para computadores, tablets, celulares e consoles, usando a internet como meio de transmissão de dados.Esse cenário tem demandado pessoas qualificadas para integrar equipes de desenvolvimento, compostas por profissionais de diferentes áreas", detalhou o supervisor pedagógico Ederson Pinto, reforçando que são perfis profissionais cada vez mais complexos, especializados em diversas áreas para atuação conjunta na criação, no desenvolvimento e na produção de games.

"Paralelamente à expansão do mercado mundial de jogos digitais, mesmo com o grande número de profissionais que trabalham no desenvolvimento de games, o desafio maior é suprir a escassez de mão de obra qualificada, principalmente no que diz respeito à programação de games. A demanda é por profissionais, inclusive em nível médio, capazes de atuar em equipes multidisciplinares, projetando, desenvolvendo e gerenciando jogos digitais".

Plataforma

Para o supervisor Ederson, o interessante da plataforma chamada Construcp II que será utilizada pelos alunos no curso de games, é o desenvolvimento das competências para criação dos games com o editor de jogos 2D baseado em HTML5 é destinado para não-programadores, permitindo a criação rápida de jogos por meio do estilo drag-and-drop usando um editor visual e um sistema de lógica baseada em comportamento. "Os jogos criados dessa ferramenta podem ser utilizados na própria internet, pelo celular, no facebook e em várias outras plataformas". Ele explica que a ferramenta tem uma interface bem fácil de usar, basta arrastar os ícones para tela e utilizar as funções.

Curso

O curso de criação de games do Senac-AM é uma das grandes novidades do projeto Escola Interativa, que oferta cursos de curta duração, com horários flexíveis (presenciais e a distância) e preços acessíveis (a partir de R$ 70), como explica o supervisor de educação, Ederson Pinto.

"A Escola Interativa funciona da seguinte forma: é um sistema interativo com cursos presenciais e semipresenciais onde o aluno cria o seu próprio horário, ele estuda no ritmo dele. Embora seja um sistema interativo (com o computador), disponibilizamos um professor na sala de aula para esclarecer todas as dúvidas", disse.

Para o supervisor do Senac, o curso de curta duração pode ser o pontapé inicial para uma carreira de sucesso.

"Com certeza é um início bem interessante para o aluno. O curso é uma introdução à área, que é uma das que mais crescem em todo o país. Apesar de muitas pessoas pensarem que é apenas brincadeira, há muitos ganhando dinheiro com essa brincadeira", destacou.

Diversas plataformas

A prova de que o mercado traz bons frutos é Alexandre Sou, designer na empresa Tap4 mobile do PIM (Polo Industrial de Manaus), que trabalha com a produção de Apps e jogos e também produz conteúdo infantil com foco no mundo digital e, explica que pela ótica tecnológica, é muito difícil pensar de forma isolada. E que o cenário cresce cada vez mais.

"Muita gente da área audiovisual tem migrado para área tecnológica, e tem trazido seu expertise para ela. E a nível de Manaus, muitas pessoas da área de publicidade e criação fizeram o mesmo trajeto. "Tem um movimento desde o ano 2000, quando a Fucapi começa a investir em design e interfaces e começa a surgir uma 'galera' que começa a produzir jogos, junto com desenvolvedores que também queriam entrar de cabeça nesse universo, com a junção de design interface. Através do P&D que movimenta uma cultura de criar jogos para a indústria, como a Samsung, o fato de a gente estar no polo da Zona Franca ajudou bastante", avaliou o designer orientando que se você quer ter uma vida com plano de carreira, investir na área da tecnologia, o TI, tem esse intuito, dos games, de gerar jogos e aplicativos.

"Eles abraçam bem e existe um bom mercado que é bem pago se comparado a outros meios". No ano passado a empresa que ele trabalha, fez um jogo do Medina, como case do PIM, que produz jogos a nível mundial que fez bastante sucesso. "Acho legal a ideia do Senac abrir esse curso. Eu trabalho com animação há uns 15 anos o meu curso de designer na instituição foi importante pra seguir a minha carreira, graças a essa visão do Senac hoje vivo do que eu gosto; que é criar, inventar e por aí vai. Ele acredita que a iniciativa pode estimular outros jovens a ver o mercado de jogos com um olhar bem diferente. "Não é brincadeira é algo bem sério e requer dedicação".

Comentários (1)

  • CLETO LEAL13/01/2019

    Cara Andréia Leite

    Você deveria visitar o OCEAN SAMSUNG UEA, na Escola Superior de Tecnologia (EST) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), para conhecer o que se faz dentro da área de Games e outras áreas da tecnologia em Manaus.

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