Manaus, 16 de Janeiro de 2019
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Manoa, as histórias de um povo

Por: Evaldo Ferreira - evaldo.am@hotmail.com
11 Jan 2019, 18h18

Crédito:Evaldo Ferreira
Professor, historiador e escritor, sem dúvida que Aguinaldo Figueiredo é hoje um dos mais profícuos escritores sobre a história do Amazonas. Um dos seus livros, 'Tópicos - História do Amazonas', lançado em 2014, desde 2017 é utilizado em todas as escolas públicas estaduais de ensino médio. Mas ele não cansa de vasculhar e deixar para a história, relatos e fatos sobre acontecimentos e lugares, principalmente de Manaus, como agora com 'História e memória do bairro do Manoa', que será lançado hoje, dia 12, às 10h, no IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas).

"Este livro resultou de um projeto de 2010. Eu tenho um vizinho, aqui no Manoa, que é professor de geografia na Ufam. Numa viagem a Brasília, ele tomou conhecimento de outro livro meu, 'Santa Luzia, história e memória do povo do emboca', de 2008, e sugeriu que eu fizesse um livro com a mesma temática, porém, sobre o Manoa", contou.

"Eu nasci em Santa Luzia, enquanto o bairro do Manoa eu vi nascer em torno do conjunto homônimo, onde moro desde 1989. O bairro de Santa Luzia tem quase um século de existência e, lógico, muitas histórias para ser contadas, além de personagens, muitos personagens, então o livro foi mais denso. O conjunto habitacional Manoa teve suas primeiras casas entregues em 1985, hoje no total de 953 residências", recordou.

"Como falei antes, o projeto inicial sobre o bairro começou em 2010. Eu era professor da Escola Estadual Maria do Céu Val d'Oliveira e incumbi os alunos de fazer uma pesquisa sobre o bairro onde moravam. Durante quatro meses eu os direcionei e, no aniversário de Manaus daquele ano, eles apresentaram a 'Mostra Fotográfica de Manaus', com fotos e textos sobre o Manoa, que se repetiu por vários anos", falou.

O conjunto e as comunidades
"Do resultado das pesquisas, surgiu o livro, um misto de informações sócio econômicas, geográficas, culturais e históricas. As pesquisas orais, transformadas em fragmentos, que resultaram em histórias", explicou.

Com o passar dos anos, o entorno de floresta do conjunto Manoa foi sendo invadido e, recebendo nomes que vieram a constituir o bairro. São as comunidades Monte Sinai, Florestal, Vale do Sinai, Colônia Santo Antônio e Colônia Terra Nova.

O bairro está localizado na zona norte de Manaus e faz parte oficialmente da Cidade Nova. Até 2017, de acordo com estimativas da Associação Comunitária, o Manoa abrigava cerca de 4.000 habitantes distribuídos numa área de pouco mais de 6 km2. A data do seu aniversário é 6 de junho, data da instalação da Ascomam (Associação Comunitária do Conjunto Manoa).

"Embora a construção do conjunto e a consequente ocupação da área do seu entorno seja da década de 1980, eu descobri que desde a década de 1930 já havia moradores nas margens do igarapé do Passarinho, que passa aqui perto, segue pela Ponte da Bolívia e chega ao Tarumã", informou. "Nas décadas de 1950 e 60 o então governador Plínio Coelho teve um sítio nessa região, às margens do igarapé, que recebeu o seu nome", completou.

"Meu livro é indicado para quem gosta de história, para quem gosta de saber dos fatos que ficaram para trás. Também é uma forma de perpetuar a história e enaltecer o valor das pessoas enquanto construtoras da sociedade", ensinou.

Outros livros lançados por Aguinaldo Figueiredo são: 'História geral do Amazonas', de 2001, já em sua quarta edição, sempre revisado e ampliado. Serviu de subsídio para 'Tópicos - História do Amazonas'; e 'Samurais da Selva - a presença japonesa no Amazonas', de 2011.

Trecho do livro
O sítio do governador
'Nos idos dos anos de 1950 e 60, o governador Plínio Coelho tinha na área um sítio que lhe servia de refúgio e descanso das aquecidas lides políticas da época, pois o lugar era muito aprazível e distante da zoeira citadina. Esse logradouro era um belo ambiente, cercado de muitas árvores nativas e frutíferas que serviam de abrigo de espécimes passeriformes amazônicos e outros animais silvestres que nelas buscavam proteção e condições para se reproduzirem. O balneário era dotado de um casarão avarandado que servia de abrigo aos frequentadores, tinha área para lazer e esportes, bem como existia uma piscina de madeira, abastecida com água natural que escorria de uma nascente próxima.
De acordo com informações obtidas com personalidades políticas desta época, consta que o lugar foi esconderijo de supostos perseguidos políticos após o golpe militar de 1964.
Com a cassação do governador pelo golpe militar, em 16 de julho de 1964, o local foi abandonado por muito tempo (...), até ser invadido parcialmente, em 1990, sendo, em seguida, loteado e vendido pelo ex-mandatário'.

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