Manaus, 16 de Janeiro de 2019
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Indústria perde postos de trabalho

Por: Fred Novaes
21 Dez 2018, 19h55

Crédito:Walter Mendes/Acervo JC
Enquanto no Brasil o mês de novembro apresentou o melhor nível na geração do emprego formal desde 2010, no Amazonas, o mês do black friday veio marcado por uma certa frustração para a geração de vagas de carteira assinada, com resultado ainda abaixo do obtido no mesmo mês do ano passado.

Em todo o país, 58.664 postos formais de trabalho foram criados no último mês. No Ama zonas o resultado foi bem mais modesto, com 288 vagas com carteira assinada, abaixo até mesmo do novembro do ano passado quando os resultados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, mostraram 395 novas vagas no mercado amazonense. O indicador do Caged mede a diferença entre contratações e demissões. Em novembro deste ano, foram geradas 10.846 novas vagas com 10.558 demissões.

Analisando o resultado por setores, percebe-se um cenário ruim para a indústria da transformação. O Amazonas perdeu em novembro -511 vagas, com 2.390 admissões e 2.901 desligamentos. Nos onze meses do ano, o crescimento foi de apenas três novas vagas na indústria. Na análise dos últimos 12 meses o cenário é ainda pior: o Amazonas amarga a perda de -1.143 vagas com carteira assinada.

O desempenho chama ainda mais a atenção quando se percebe que a indústria do Polo Industrial de Manaus registrou nos dez primeiros meses do ano alcançou faturamento recorde de R$ 76,6 bilhões, melhor resultado da série histórica dos indicadores da Suframa.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, avalia que o resultado mostra reflexo do cenário da crise registrada desde 2015 que deixou as indústrias com capacidade instalada ociosa e com excesso de estoque. Mesmo com o aumento da atividade industrial, a indústria local pouco precisou renovar trabalhadores, dando vazão ao movimento natural de admissões e desligamentos.

"No momento de maior crise a indústria segurou demissões, até mesmo pela questão social, e no momento de retomada do consumo houve pouca necessidade de novas contratações", explicou. Azevedo explica que o nível de retomada no consumo ainda não exigiu das empresas um maior nível de investimentos, com expansão das linhas ou inclusão de novas máquinas. Por outro lado, a expectativa para 2019 é positiva, principalmente a partir do segundo trimestre.

Contraste

O resultado da indústria é distinto ao alcançado pelo comércio e pelo setor de serviços no Amazonas. O comércio, principalmente, alcançou um resultado exemplar com 1.515 novas vagas formais em novembro, resultado da admissão de 3.916 trabalhadores com carteira assinada e desligamento de outros 2.401. No ano, o comércio amazonense contabiliza 2.457 novos trabalhadores com carteira assinada.

No setor de serviços, o saldo foi de 125 novas vagas, com 3.444 admissões e 3.319 desligamentos de trabalhadores com carteira assinada. No ano o segmento de serviços foi o grande campeão na geração de novas vagas com o total de 5.455 novos trabalhadores com carteira assinada, saldo de 52.408 admissões em onze meses e 46.953 desligamentos.

A construção civil também teve saldo negativo. Foram -478 trabalhadores com carteira assinada em novembro e -475 em onze meses. No m6es de novembro foram apenas 673 admissões contra 1.151 desligamentos.

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