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Empregabilidade no PIM preocupa

Por: Antonio Parente
12 Dez 2018, 17h30

Crédito:Walter Mendes/Acervo JC
O Polo Industrial de Manaus registrou entre 2015 a 2018, uma baixa de 21,3 mil postos de trabalho. De acordo com a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), os dados fazem um comparativo de janeiro a setembro de cada ano. Em 2018, o número de mão de obra no setor chegou a 87,4 mil, uma queda de 19,6% em relação a 2015, quando a quantidade de trabalhadores atuantes chegou a 108 mil.

A média mensal de mão de obra no ano, de janeiro até setembro deste ano, está em 87 mil trabalhadores. Nos últimos três anos, a oferta de postos de trabalho no PIM reduziu com a crise econômica e política brasileira. O número de trabalhadores empregados chegou atingir a média mensal de 85 mil.

Em 2016, o setor registrou 85,5 mil postos de trabalho, uma queda de 21,4% em relação a 2015. Já 2017, registrou 86,1 mil empregados. O ano de 2014 foi o período em que a indústria atingiu sua melhor marca, gerando cerca de 123 mil empregos. Para analistas, com as constantes mudanças no mercado, principalmente com as novas tecnologias do conceito da indústria 4.0, a geração de novos empregos manuais para o processo produtivo, tornam-se cada vez mais reduzido para o próximo ano.

"Nesse período algumas indústrias fecharam as portas não apenas devido a crise, mas devido às mudanças que os próprios produtos sofreram ao longo dos anos. O conceito de produção industrial mudou, as empresas estão investindo cada vez mais em novas tecnologias e desenvolvendo novos produtos, que se adequam às variações econômicas do momento que exigem mudanças e adequações a novos sistemas. Dificilmente teremos o mesmo número de mão de obra para os próximos anos", explicou o economista Martinho Azevedo.

Para a economista Denise Kassama, apesar do atual cenário, existe a expectativa positiva quanto a atuação do novo governo em favor do modelo ZFM (Zona Franca de Manaus), que segundo ela, ainda se encontra muito fragilizado com os recentes ataques, a exemplo dos concentrados. Ela reforçou, que apesar do risco de redução na contratação em 2019, ainda é muito cedo para se falar em indústria 4.0 em Manaus.

"A expectativa é de ajustes com a nova política econômica e esperamos um crescimento bom, mas não vamos voltar a ter um crescimento grande. Com a indústria 4.0 vai haver a diminuição de empregos. O modelo ainda está engatinhando em Manaus, é cedo para falar disso. A fragilidade da Zona Franca é outra preocupação. Existe a expectativa se o novo presidente eleito vai ter pulso firme para defender os interesses dela", disse.

A economista ressaltou também, que a crise econômica que o país passou nos últimos anos, com o crescimento da taxa de desemprego e a instabilidade política, contribuíram para que o consumidor reduzisse as compras de bens finais o que afetou diretamente no processo produtivo das fábricas. Ela ressaltou a cautela dos empresários que estão mais receosos em contratar, o que gera preocupação para todo setor.

"Nessa crise que o país passou a primeira coisa que o consumidor cortou foi os produtos de bens finais. Isso levou a redução do consumo e consequentemente a queda na produção. O empresário está reduzindo a equipe e realocando as funções. O custo de mão de obra é alto. Acredito que se a indústria voltar a crescer, não vai integrar na mesma proporção que 2015, e isso é um fator que gera preocupação", explicou.

Evolução por subsetores

Responsável por 28,58% do faturamento do PIM, o eletroeletrônico foi um dos subsetores que mais sentiu a redução de postos de trabalho. De janeiro a setembro de 2015, foram registrados cerca de 41,2 mil trabalhadores entre mão de obra efetiva, temporária e terceirizada. No mesmo período de 2016, o número caiu para 32,5 mil; em 2017 a quantidade subiu para 36,1 mil, chegando a 37,4 mil neste ano.
Em seguida vem o setor de duas rodas, que de janeiro a setembro de 2016, gerou cerca de 16,6 mil postos de trabalho em 2015; em 2016 caiu para 13,7 mil; e 2017 para 12,5 mil; e em setembro deste ano mostrou uma leve retomada para 13,7 mil empregos.

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