Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Violência afeta vendas do comércio

Por: Antonio Parente
29 Ago 2018, 15h12

Representantes e lojistas do comércio de Manaus reclamam da insegurança e do aumento da criminalidade nas ruas do centro. Clima de medo com roubos e assaltos, tem contribuído para a redução do movimento nas lojas. Empresários e comerciantes reduziram a carga horária de trabalho, visando a segurança de seus colaboradores. Segundo representantes do setor, o cenário tem impactado de forma negativa nas vendas.

De acordo com o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, o efetivo de policial nas ruas não tem sido suficiente para inibir o clima de insegurança, e isso tem levado os pequenos comerciantes a encerrarem suas atividades às 17h da tarde. O cenário segundo ele, tem ocasionado queda nas receitas gerando grande prejuízos.

"As lojas que não têm um corpo de segurança efetiva fecham suas portas cedo. E isso tem afetado negativamente as suas receitas. Isso é preocupante, porque o comércio gera uma boa receita para o estado. Toda uma cadeia produtiva é afetada. Isso preocupa os prestadores de serviços. As lojas precisam gerar receitas para se auto sustentar. E com essa redução nas vendas elas são prejudicadas", disse.

Segundo dados da SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas), somente em janeiro deste ano, foram registrados em Manaus 3.730 roubos e 3.163 furtos. Em maio, os registros da secretaria apontaram 231 roubos a ônibus coletivos. De janeiro a junho foi detectado o roubo e furto de 15.921 telefones móveis na cidade. Houve aumento de 13,5% nos furtos e de 5,4% de roubos de celulares em Manaus, quando comparados ao primeiro semestre do ano passado.

Ataliba conta, que existe a necessidade de uma policiamento mais firme e atuante nas ruas do centro, para coibir a ação de ladrões. E se mostrou preocupado com o itinerário dos trabalhadores do trabalho para casa, e citou o aumento de moradores de rua no turno da noite, fator que aumenta o clima de insegurança na localidade.

"O empregador tem a responsabilidade com a segurança do seu colaborador. Ainda existe o temor do assalto a mão armada em plena a luz do dia. O centro hoje está em uma situação que preocupa. Principalmente com a presença de marginais no período da noite. Eles dormem nas portas das lojas e existe o medo de arrombamentos e roubos. Notamos que o índice de violência aumentou", disse.

Análise

Segundo o professor e mestre em sociologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Luiz Antonio Nascimento, não é possível superar a violência apenas com o aumento efetivo de policiamento nas ruas da cidade. É preciso criar sociabilidade e espaço de educação no centro de Manaus, para formar cidadania e oferecer atividades para a camada da população mais ociosa, preparando-as para o mercado de trabalho.

"A reclamação cotidiana dos empresários é que falta policiamento nas ruas. Aí coloca-se mais dinheiro para segurança público e os resultados não veem. Isso ocorre, porque o problema da sociedade não é a violência. Você tem que colocar mais professores e educadores nas ruas e construir espaço de cidadania e civilidade. Os indicadores de violência em lugares como o bairro do Parque 10 - onde você tem equipamentos sociais como o CSU (Centro Social Urbano) - os indicadores são muito baixo. No centro da cidade não tem um espaço de lazer e de entretenimento para a população ociosa", disse.

O professor criticou ainda a postura de alguns empresários, que segundo ele, são responsáveis por uma parcela dessa crise que a cidade de Manaus vem passando. E destacou, que a classe tem uma grande representatividade nos três níveis do parlamento, e não nota uma preocupação deles em cobrar medidas para promover educação, cidadania e emprego.

"Estes mesmos empresários são atores político tantos partidários, quanto aqueles que atuam na intervenção, na alteração e composição do estado. Eles têm sido muito negligentes nesses assuntos. Não estou dizendo que os comerciantes sozinhos são responsáveis, estou dizendo que uma parte deles são. Eu nunca os vi reclamar e cobrar de candidatos a prefeito, a governador, a deputado e senador, políticas eficientes que tenham resultados positivos para a sociedade. Não é só pagar os impostos e achar que a participação e o papel deles acabam por aí", frisou


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