Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Emprego sem retomada na indústria

Por: Andréia Leite
28 Ago 2018, 15h06

Crédito:Walter Mendes/Acervo JC
Segundo dados do Caged (Cadastro de Empregados e Desempregados) divulgados na semana passada pelo MTB (Ministério do Trabalho), o número de empregos criados em julho foi positivo com um acréscimo maior que junho que já havia tido bons resultados por conta da Copa do Mundo, principalmente para o setor da Indústria de Transformação que foi responsável por 2.485 novas contratações, contra 2.032 desligamentos, fechando com um saldo positivo de 453 postos de trabalho.

Para representantes do setor industrial, apesar do saldo positivo, é preciso aguardar uma retomada maior e uma estabilidade.

Ao analisar os resultados, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, aponta que os segmentos que tiveram maior participação, foram os segmentos não incentivados pelo modelo Zona Franca.

Ele disse que a sazonalidade dos aparelhos de ar condicionado e aproximação do fim de ano são fatores principais que aponta o resultado.

Já o eletro eletrônico com redução, ele atribuiu as incertezas por conta das eleições. Ele pondera ainda que o número de contratações na indústria dependerá muito da definição do resultado do quadro eleitoral. "De qualquer forma, o fato de não termos aumento do desemprego já é um indicador positivo", disse Wilson Périco.

Nelson Azevedo presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), credita esse crescimento a uma crescente, embora pequena, confiança do empresário que se sente mais incentivado a contratar. Além da confiança do próprio consumidor. "Após a greve dos caminhoneiros, os setores estão, aos poucos tentando se recuperar. Ainda não é considerado estável, mas há sim uma pequena retomada, embora tímida, mas é um cenário melhor", declarou.
Azevedo acredita num momento de estabilidade para o segundo semestre e com grandes perspectivas de melhoras. "Quando comparamos esses dados de uma ano pro outro, conseguimos avaliar o desempenho dos setores, tanto de empregos, quanto do própria indústria. Vamos aguardar que continue esse crescimento, que apesar de tímido, traz uma certa esperança", destacou.

Ele também aponta que a situação do país é muito delicada por conta da situação política.


Opinião

Segundo o economista Inaldo Seixas, apesar de um mês bom de geração de emprego, o resultado ainda é baixo se comparado a julho do ano passado. Mas desde 2013 foi o segundo melhor saldo no mesmo mês. "A volatilidade, seguiu uma trajetória boa, principalmente se tratando do setor industrial. Mas o resultado não pode ser considerado uma tendência de crescimento. E nem uma saída da crise. Provavelmente é temporal", analisou

Apesar da performance, Inaldo lembra que o saldo positivo de emprego não segue uma linha de crescimento de saldos positivos de empregos "A taxa de desocupação ainda é grande, apesar de uma pequena melhoria de 12,7% para 12,12% no país, em contrapartida cresceu a informalidade. Vamos ter meses de bons resultados ou não tão bons. Temos as eleições, o cenário de dólar crescente, muita instabilidade, muitas incertezas, temos que aguardar", disse Seixas.

Contratações

O setores que mais contrataram no estado foram, serviços com 3.949, indústria com 2.485 seguido do comércio com 2.481. A construção civil aparece com 1031 novos postos de trabalho. No acmulado do ano foram 77.788 admissões e 76.449 desligamentos.

De acordo com a pesquisa o Amazonas liderou o setor de serviços, no país o setor que mais contratou foi a agricultura.

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