Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Comércio Internacional em colisão

Por: Antonio Parente
24 Ago 2018, 12h12

A recente guerra comercial entre os Estados Unidos e China, pode trazer efeitos negativos para a indústria e comércio do Amazonas. Segundo representantes do setor, o cabo de guerra entre as duas principais potências econômicas, pode afetar o abastecimento de matérias prima das indústrias, e consequentemente prejudicar o processo de produção das fábricas. O cenário pode ocasionar ainda, a perda de competitividades dos produtos fabricados na ZFM (Zona Franca de Manaus) e afetar os mercados emergentes, incluindo até o comércio.

A medida do governo americano que entrou em vigor ontem (23), consiste em impor um novo pacote com tarifas de 25%, sobre US$ 16 bilhões de produtos chineses que circulam em solo americano. O governo chinês respondeu imediatamente ao posicionamento de Washington, e adotou as mesmas medidas com os produtos americanos importados. Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, o lado que mais sente o reflexo da briga, são as nações que mantêm relação comercial com os dois países.

"Infelizmente quando há um desentendimento dessa natureza, não temos dúvidas nenhuma, que isso trará um reflexo negativo na economia mundial, e principalmente a países como o Brasil. Além da recente alta do dólar, essa briga pode ocasionar ainda mais o encarecimento dos insumos importados para a produção no PIM, o que pode gerar perda de competitividade dos produtos fabricados aqui. Principalmente, por se tratar de uma zona de benefícios fiscais como a zona franca", explicou.

Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba Antônio Filho, as tensões entre os dois países podem desacelerar o crescimento da economia mundial, ocasionando um baixo investimento deles nos mercados emergentes, com a diminuição de suas exportações.

"Os chineses compram commodities (minério de ferro), açúcar, celulose, carne bovina entre outros. Destaca-se a soja com mais de 40%. Os americanos importam do Brasil aviões, semimanufaturados de aço e alumínio, que segundo indicadores, equivale um pouco mais da metade das exportações para China que são maiores. Toda essa tensão pode prejudicar o crescimento da economia de países como o Brasil, o que afetaria inclusive o comércio", ressaltou.

Para o economista Ailson Rezende, é preciso que os países que mantêm relação comercial com os Estados Unidos - o que inclui o Brasil- adotem medidas de proteção que os blindam das medidas sofridas pelos chineses.

"As nações que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos devem ficar em alerta. Pois se isso está acontecendo com a China, o que impede que tais medidas sejam implementadas contra todos os países que exportam para eles", disse.

Oportunidades de negócios

Para o sociólogo Márcio André Araújo, até que um ajuste tarifário entre Estados Unidos e China ponham fim à crise comercial, o Brasil pode fechar um acordo comercial com os dois países, fato que possibilitaria uma ampliação de alguns itens de exportação brasileira. Caso contrário, caso isso não ocorra, a crise pode afetar qualquer nação ligada ao comércio dos dois países.

"No pior cenário, a commodity da soja nacional pode ganhar como o produto determinante na balança comercial brasileira numa relação com a China. Por outro lado, ainda que a crise possa ser entre americanos e chinese, os seus efeitos podem afetar também os apoiadores de cada lado", disse.

Na visão da economista Cristiane Mancini, o impacto da crise comercial internacional depende sempre de quais produtos estão sendo tratados. Se o Brasil produzir produtos que substituam aqueles que são fornecidos pelos Estados Unidos aos chineses, cria-se uma oportunidade de comércio bilateral (entre China e Brasil).

"Já que a China deva buscar novos parceiros comerciais, esse cenário abre ports para uma possibilidade de futuro negócios tanto para o polo industrial de Manaus, como para todo o Brasil. Se trata de uma oportunidade real para alguns produtos brasileiros", disse.

Análise

Na análise de Márcio, as medidas de Donald Trump são para incrementar o mercado produtivo dos Estados Unidos e cumprir as promessas de campanha, e com isso levantar barreiras protecionistas contra os produtos chineses em seu território. Para Araújo, as ações refletem o efeito do crescimento produtivo da indústria chinesa nos últimos anos, que segundo dados recentes obteve um avanço médio de 6%.

"Os produtos chineses que são desde produtos básicos até produtos de tecnologia de ponta, estão avançando cada vez mais nos mercados internos de outros países. E com isso, o governo norte americano desenvolve uma política econômica mais agressiva baseada no lema 'América primeiro'", explicou.

O sociólogo destacou, que o presidente americano foi motivado pela tentativa de retomar o crescimento industrial do mercado interno e para a retomada do consumo e a geração de emprego, que foram prejudicados após a grande crise que o país passou em 2008. Ele ressaltou também, que o governo Trump vem acusando a relação comercial da China de desleal, fato que prejudica os interesses americano.

"A disputa principal está no volume de exportação entre os dois países. Nesta relação da balança comercial, as mercadorias chinesas entram mais nos EUA do que o contrário. Por isso, desde o primeiro semestre deste ano está se acirrando entre os dois países a prática escalonada de taxação aos importados e de restrições de produtos de um e outro", disse.


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