Manaus, 15 de Novembro de 2018
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Inadimplência alta entre os pequenos

Por: Andréia Leite
22 Ago 2018, 14h31

As MPEs (micro e pequenas empresas) do Amazonas apresentam 1,2% em inadimplência, a nível nacional, segundo o Serasa Experian. O resultado se mantém pelo segundo ano consecutivo. No total, 5,174 milhões de microempresários estavam com dívidas atrasadas em junho. Uma alta de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com especialistas em economia e representantes do comércio, o cenário político indefinido, é o principal fator que figura esse reflexo.

Na avaliação do vice-presidente da Fecomercio-AM, Aderson Frota, os crescentes números são reflexos da instabilidade política em que o país vive. As causas que estão produzindo esse índice de inadimplência engessou a economia. Ele diz que os sinais do desemprego acelerou novamente, e isso significa perda de renda, diminuição de consumo. Aliado a isso tem o aspecto do difícil acesso ao crédito. A negativação do cliente também tem outro aspecto, como as taxas de juros altas do setor bancário e cartão de crédito com 300% de juros ao ano.

Para o vice-presidente, enquanto houver instabilidade política institucional, haverá indefinição. "Os investimentos não acontecem, quem deseja ampliar fica parado. Até que se defina o quadro político nacional, teremos essa insegurança. Quando houver definição, haverá recuperação. O cenário acalma e a economia melhora", avaliou.

Ao analisar os resultados do levantamento, o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco Mourão Júnior, afirmou também que diantes das incertezas em relação às eleições no país elevam os altos índices de de endividamento e tornam as MPEs negativadas. Ele explica que o consumidor se sente inseguro, está com o pé no freio e esse comportamento encadeia, reflete principalmente nas MPEs, que não não possuem suporte de capital para aguentar a crise. "Elas acabam trabalhando com estoque mínimo, dificuldade de caixa, poucos colaboradores e isso é ruim para o patamar de concorrência", destacou.

O economista prevê que embora o décimo terceiro estimule de certa forma a economia não será suficiente para modificar o cenário. "Só haverá um fôlego quando a eleição for definida. Alguns candidatos surgem com propostas bem interessantes para os micro e pequenos. Flexibilização ao crédito, contratação, facilidade para limpar o nome da lista de inadimplentes, são algumas propostas para o setor. Essas medidas com certeza impulsiona o consumo", declarou.

Para Mourão os pagamento dos benefícios como o FGTS e o PIS/Pasep, pagos pelo atual governo, são cruciais para dar um estímulo e movimentar a economia. Afinal, "São 13 milhões de desempregados no país, um número significativo", observou.

Para tentar minimizar a fase nada positiva, o economista orienta aos microempreendedores tentar reduzir os custos de acordo com os segmentos que administram. Buscar alternativas para tentar se manter no mercado, além de diversificar sempre. "Eles já possuem a visão de empreendedores, precisam colocar em prática para se adequarem a situação do mercado", lembrou.

Números

O setor de serviços liderou a elevação dos índices com 46,5% seguido pelo comércio (44,5%) e a indústria (8,6%).

Região

No topo do ranking estadual de micro e pequenas empresas negativadas, São Paulo lidera, em junho deste ano, 1,7 milhão de micros e pequenas empresas inadimplentes, 1,3% superior a maio de 2018 (1,6 milhão).

As posições seguintes continuam ocupadas por Minas Gerais (11,0%) e Rio de Janeiro (8, 3%) o estado registrou ainda a maior alta de (13,6%) na inadimplência do segmento, na comparação com junho de 2017.

Em comparação a meses anteriores, os dados da Serasa Experian por região registraram crescimento. O Sudeste concentra a inadimplência (54,3%), o Nordeste (16,1%), Sul (15,8%), Centro Oeste (8,7%) e Norte (5,2%).

Na região Norte a maior parte das MPEs inadimplentes está no estado do Pará (1,9%) em seguida Amazonas, Rondônia, Tocantins, depois Acre, Amapá e Roraima.

Saiba mais

De acordo com o Sebrae-AM, até final de 2017 no Amazonas foram contabilizadas 39.100 MEs (microempresas). A expectativa de 2018 é que o Amazonas feche o mesmo dado com 40.878 MEs.

Durante o Refis do governo federal, os dados de adesão do Amazonas para o reajuste de dívidas foi foi 158 MEIs (Microempreendedores Individuais) aderiram.A Dívida total foi de R$ 344.462,28 consolidada para ser reajustada no Amazonas.

Segundo o Sebrae-AM, o Amazonas, em quesito de primeiro emprego, os pequenos negócios são os que mais geram oportunidades de primeiros empregos para trabalhadores na faixa dos 24 anos.

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