Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Mercado aberto para o licor caseiro

Por: Evaldo Ferreira
21 Ago 2018, 17h59

Crédito:César Pinheiro
Bebida milenar, fácil de ser preparada, tem produção caseira tímida em Manaus


O licor é aquela bebida que quando se viaja e se vai a uma loja de artesanato, sempre está na prateleira, acondicionada em enfeitadas garrafas, acabando por se tornar um item obrigatório, seja para trazer como presente para alguém, ou para o próprio deleite.

        Trata-se de uma bebida alcoólica doce, composta por álcool misturado com frutas, ervas, temperos, flores, sementes, raízes, cascas de árvores, cremes e uma substância doce que pode ser sacarose, mel ou glicose. Pela quantidade de matérias-primas que podem ser utilizados na sua produção, os licores possuem mil cores e sabores e os caseiros fazem tanto, ou mais sucesso, que os industrializados.

        Genival Gomes Ferreira é piauiense e cresceu tomando cajuína, bebida típica de sua terra, feita a partir do suco do caju, porém, com um sabor mais leve.

        "Estou em Manaus desde 1994, mas a gente não encontra cajuína aqui, então tive que me acostumar com as bebidas preparadas com as frutas regionais, que não deixam nada a dever às do Nordeste", afirmou. "Curso agroecologia no Ifam e uma das disciplinas é 'manipulação de alimentos'. Foi através dessa disciplina que me aprofundei sobre os conhecimentos a respeito do licor e me interessei pela sua produção. Além da cajuína, sempre gostei de tomar licor, por isso resolvi começar a fazê-lo. A cajuína vai esperar, porque o processo é mais complexo. Precisa de uma grande quantidade de cajus para produzir a bebida", ensinou.

        Mototaxista, Genival é mais um brasileiro que, acompanhando outros milhões de brasileiros, resolve empreender num novo negócio na busca de virar empresário.

        Um licor sempre caseiro
        "Comecei a produzir licores no ano passado, vendendo para os colegas do Ifam, que ainda me ajudavam no controle de qualidade dizendo se estava bom, o que poderia ser melhorado, qual sabor gostariam de experimentar. Assim foram surgindo os vários sabores", contou. "Atualmente são mais de 30, entre regionais: cupuaçu, açaí, bacuri, acerola, buriti, cubiu, araçá boi, tucumã, mari mari; outras frutas: tamarindo, jenipapo, maracujá, manga, abacaxi, banana, jaca, graviola, murici, pitanga, rambutan; especiarias: gengibre, canela, café, pimenta malagueta, mel; e agora as panc's (plantas alimentícias não convencionais): buchuchu, capim santo, hortelã, hibisco, jambu. Quem me sugeriu fazer licor com as panc's foi o Valdely Kinupp, um dos grandes especialistas sobre o assunto e meu professor no Ifam", disse.

        Genival não sabe por que, mas o licor mais solicitado é o de marimari, um fruto amazônico não muito apreciado pelas pessoas devido o seu sabor ácido, mas que no licor está fazendo sucesso.

        Atualmente estagiando no Incra, onde ajuda na organização da feira de produtos regionais realizada semanalmente nas dependências do órgão, Genival aproveitou para montar a própria barraca e aumentar a comercialização de sua bebida, agora batizada de Licores Frutos da Matas. "Muitas frutas são sazonais, mas como a variedade é grande, sempre temos sabores diferentes. No momento estou testando um licor de castanha. Em Manaus existem outros fabricantes de licor, mas estes produzem para exportação. São empresas. O meu licor é caseiro, feito para quem mora em Manaus mesmo. Hoje só atendo na feira do Incra, mas pretendo expandir meu negócio. Ir a outras feiras. Vender para revendedores. As pessoas já estão encomendando meus licores. Assim que me formar e sobrar mais tempo, vou construir um espaço exclusivo na minha casa só para a produção da bebida", adiantou.

        Genival e seus Licores Frutos da Mata podem ser encontrados todas as quintas-feiras, na feira do Incra, no Aleixo, das 15h às 19h30. Informações: 9 9469-3018.

        Por dentro
            O aparecimento dos licores remonta a tempos imemoriais. Consta que já nas tumbas do velho Egito, foram encontradas receitas de licores usados como digestivos e preparados medicinais, especialmente para os problemas do estômago. Os licores classificam-se segundo a variedade de produtos com que são fabricados: à base de plantas, de frutos, de essências, de natas. Quanto ao método de fabrico podem ser agrupados: por destilação (licores à base de plantas), por infusão/maceração (licores à base de frutos), por extratos ou essências, por adição de natas (cream liqueurs).
Os métodos de fabrico podem ser a frio ou a quente. O consumo do licor caseiro funciona bem tanto antes das refeições, para abrir o apetite, quanto depois, já que pode ajudar no processo de digestão. De preferência bebido em taças próprias de 50 ml. É uma bebida versátil, que pode ser feita com inúmeros ingredientes e consumida em ocasiões diversas.
       
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Comentários (2)

  • Manoel Viana23/08/2018

    O licor que ele faz aida não degustei, mas esse cara aí eu conheço de longa data.
    Excelente pessoa, determinação e empreendedorismo são suas palavras preferidas, estudamos juntos o colegial ( 1° grau) na mesma sala.
    Parabéns e continue sendo essa pessoa batalhadora e com absoluta certeza irá alcançar seus objetivos.
    Desejo muito sucesso para você meu amigo.
    Abraços.

  • Genival Gomes22/08/2018

    Muito boa a matéria, expressa a essência do empreendedorismo nas ocasiões de crise e a visão de criatividades em explorar o potencial de cada um nas oportunidades que o mercado oferece, e evidenciou a importância de um produto milenar com suas múltiplas importâncias. Parabéns Evaldo, e obrigado .

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