Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Menos empregados com carteira assinada

Por: Antonio Parente
18 Ago 2018, 10h24

Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínuo) mostram que a taxa de desocupação no Amazonas subiu para 14,6% no segundo trimestre do ano. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a variação foi de -1,3 %. Em Manaus, os números foram de 17,6%, uma queda de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando apresentou 19,8%. Para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os números são considerados estáveis.

Segundo a pesquisa, a quantidade de pessoas empregadas no Amazonas teve um crescimento de 2,1%. Do primeiro para o segundo trimestre, o número passou de 853 mil para 871 mil. Quando comparado com o segundo trimestre do ano passado, quando foi registrado 850 mil empregado, 2018 mostrou uma evolução de 2,4%, com um acréscimo de 21 mil trabalhadores. De um trimestre para outro, empregados do setor privado, tiveram um aumento de 529 mil para 536 mil trabalhadores, um aumento de 1,4%.

Apesar do Ibge considerar a variação estável, a pesquisa constatou que no geral, o número de pessoas empregadas com carteira assinada no setor privado, no segundo semestre, registrou a maior queda (3,2%). De 386 mil postos de trabalho para 373 mil. Já os trabalhadores sem carteira assinada tiveram um crescimento de 13,6%. Comparando com 2017, os com carteira subiram 14% (46 pessoas). E os sem carteira diminuíram -9,4% (17 mil pessoas).

"A taxa de desocupação do Amazonas no segundo trimestre mostra que houve uma evolução no número de pessoas desocupadas. Esses número não reflete os resultados que o próprio Ibge divulgou em junho, em relação ao desempenho da indústria que foi de 15,6%, e do comércio que foi de 8,2%. Ainda que o setor de serviços não estejam acompanhando o bom desempenho das duas primeiras atividades, com uma queda de 0,9% em junho, os números do trimestre também mostram uma recuperação em relação ao ano passado", ressaltou Adjalma.

Trabalhadores domésticos

Em relação aos trabalhadores domésticos, a pesquisa registrou uma certa estabilidade, com um crescimento de 0,6% de um trimestre para o outro. Os dados mostram uma queda dos trabalhadores que atuam com carteira assinada e um aumento dos que atuam na informalidade. Segundo Supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, a estabilidade é reflexo da sobra de mão de obra no setor, que acaba gerando um dinamismo de trabalhadores sem vínculo empregatício.

"Em muitas situações o patrão prefere não assinar a carteira de trabalho, então ele passa a atuar no sistema de diarista. Com isso, o mercado fica mais aquecido e os empregadores contratam os serviços do trabalhador sempre por meio período. O empregado se contenta com aquilo porque precisa trabalhar, e acaba atuando em várias casas dependendo da demanda. Isso gera um dinamismo e um número muito grande de trabalhadores sem carteira assinada", disse.

Trabalhadores por conta própria

Os trabalhadores por conta própria - aqueles que se caracterizam por pessoas que trabalham sós ou com um sócio e não possuem empregados - caiu de 514 mil pessoas para 499 mil, entre os dois primeiros trimestres de 2018. Os dados registram umas diminuição de 2,9% (15 mil pessoas). O IBGE também começou a divulgar desse grupo, os trabalhadores que possuem o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Nesse cenário, nota-se que o maior contingente é formado por aqueles que não possuem CNPJ com uma queda de 3,4%. Enquanto aqueles que não possuem o cadastro de pessoa jurídica cresceram 6,5%. EM comparação com o mesmo trimestre de 2017, o grupo cresceu 2,6% (13.000 pessoas).

Os empregadores mantiveram o mesmo quantitativo do trimestre anterior. Mas em relação ao mesmo trimestre de 2017, eles cresceram 11,1% (5 mil pessoas).
"Pessoas que abrem seus próprios negócios, muitas das vezes não teem condições de geri-lo sozinho. Isso os obriga a ter empregados e consequentemente contratar mais. Isso é uma tendência, quando pessoas que perdem o trabalho de carteira assinada abrem o próprio negócio, acabam virando empregadores por conta da necessidade", explicou Adjalma.

Por dentro

Os ocupados passaram de 1,56 milhões para 1,54 milhões de pessoas em todo estado, com uma queda de 22 mil pessoas de um trimestre para outro. Já em comparação com o mesmo trimestre de 2017, a queda foi de 0,1% (2 mil pessoas). O número de desocupados no segundo trimestre alcançou 256 mil pessoas, com um aumento de 1,0% em relação ao trimestre passado. E na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda foi de 9,8% (28 mil pessoas).

"A taxa de desocupação do Amazonas no segundo trimestre mostra que houve uma evolução no número de pessoas desocupadas. Não refletindo dos resultados que o próprio IBGE divulgou em junho, quanto ao desempenho da indústria que foi de 15,6%, e do comércio que foi de 8,2%. Ainda que os serviços que tiveram uma queda de 0,9% em junho, não estejam acompanhando o bom desempenho das duas primeiras atividades. Os números do trimestre também mostram uma recuperação em relação ao ano passado", ressaltou Adjalma.

Ocupados por grupamento de atividade

Segundo o IBGE, a atividade econômica que mais ocupou no segundo trimestre foi o comércio com 314 mil pessoas. A variação foi de 4,1% e um acréscimo de 13 mil trabalhadores. Neste período, o setor de transporte e armazenagem foi a atividade que mais agregou empregados com 16 mil postos. A atividade que mais perdeu foi a agricultura com 24 mil trabalhadores.

"Houve uma certa recuperação do comércio nesse período. Quando ele se recupera, imediatamente existe a necessidade contrata. Quando ele melhora a condição é contratar sempre", destacou Adjalma.

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