Manaus, 14 de Novembro de 2018
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PIM sem vocação exportadora

Por: Antonio Parente
16 Ago 2018, 16h53

Especialistas alertam para a pouca participação dos produtos fabricados no PIM (Polo Industrial de Manaus) frente às exportações brasileira. Dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), apontam que a comercialização dos manufaturados do Brasil no comércio mundial, aumento de 0,59% em 2015 para 0,61%, em 2016. Apesar da pouca participação, Amazonas registrou 0,23% de atuação nos volumes de produtos nacionais.

Segundo dados do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), os principais componentes da exportação brasileira em 2016, foram os produtos semimanufaturados e manufaturados, com destaque para açúcar em bruto (39,8%), ouro em forma semimanufaturada (31,1%), madeira serrada (17,4%), plataformas de petróleo (86,9%), automóveis de passageiros (38,2%), veículos de carga (27,1%) e açúcar refinado (23,2%). Baseado nestes números, a participação dos produtos fabricados no PIM na exportação teve uma queda de 24% comparado a 2015.

"Peguemos 2016 como exemplo, até por serem números mais recentes dentro do estudo da CNI. Naquele ano, o Amazonas foi responsável por exportar cerca de US$ 440 milhões, perfazendo uma queda de 24% comparado a 2015. Num universo de US$ 185 bilhões (o total de exportações do Brasil em 2016), temos uma representação bruta do Amazonas na ordem de 0,23%", explicou o advogado tributarista Victor Bastos.

Para Bastos, quando são observados os principais produtos fabricados no PIM - os eletroeletrônicos, duas rodas, petroquímico e concentrados- observa-se que esses setores não estão alinhados aos principais pilares das exportações brasileira. E consequentemente, não têm a quantidade necessária para atingir os números necessários, e consequentemente contribuir de forma mais significativa nas exportações.

"Podemos diagnosticar duas situações a partir dos números: uma a de que a representatividade da produção da Zona Franca de Manaus nesse volume de exportações ainda é muito aquém do que podemos alcançar dadas as condições adequadas; e a outra a de que o perfil dos produtos aqui fabricados nem sempre vai de encontro com os mais 'volumosos' no plano nacional. Ainda é visível que o perfil da Zona Franca não encontra muita similaridade ao que dá maior volume às exportações do país", disse.

Outros fatores citados por Bastos, são velhos conhecidos da realidade amazônica, tais como isolamento geográfico e logístico, que comparado com aos principais canais de escoamento do país, tornam-se grandes obstáculo para a distribuição dos produtos fabricados no PIM. Além deles, o baixo grau de mecanização e robotização dos processos produtivos, também teem contribuído para a baixa participação das indústrias do Amazonas.

"Tudo isso aumenta o custo de produção pela presença elevada do fator humano. Aliás, essas travas à automatização são inerentes ao próprio modelo ZFM, que foi concebido originalmente como uma forma de alavancar a produção de empregos na região. Do ponto de vista social, deu muito certo, mas, no aspecto econômico se mostra uma condição que cobra o seu preço", explicou.

Por dentro

Mesmo que de forma pequena, a CNI avalia, que o aumento da competitividade do país é bastante positivo, e para 2017, a estimativa é que os manufaturados brasileiros mantenham a participação de 0,61% do comércio mundial.

Segundo a economista, Cristiane Mancini, os dados positivos são justificados pela desvalorização do real sobre o dólar que barateia os produtos brasileiros, tornando-os mais competitivos em relação ao mercado internacional." Em momentos de crise, como a atual, por alta do aquecimento da demanda interna (consumo das famílias aquém do esperado pelas indústrias), as empresas se voltam para o mercado externo, estimulando as exportações", disse.

Mesmo assim, os dados mostram que a participação brasileira está muito abaixo da dos 11 principais parceiros comerciais do país - Estados Unidos, Argentina, China, Alemanha, México, Japão, França, Itália, Coreia do Sul, Países Baixos e Reino Unido. Na comparação com esses países, a fatia dos manufaturados brasileiros no mercado mundial em 2016 só foi maior do que a de 0,13% da Argentina. A participação da China é de 16,99%, a da Alemanha, de 10,05% e, a dos Estados Unidos, de 9,39%.

"Apesar de positivos, os números ainda estão bastante tímidos e ainda mais tímidos em 2015. Não acredito que se pode afirmar um ganho de competitividade do país, pelas razões apontadas anteriormente, no entanto, é algo positivo por não apresentar recuo. Outro ponto para que não haja tamanha comemoração é que em termos mundiais, a participação brasileira está bastante abaixo de uma série de países. Isto representa mais um efeito de desvalorização de câmbio do que propriamente um ganho de competitividade da indústria brasileira", frisou Mancini.

Mancini destacou também, que a apesar da queda das taxas de juros que ocorreram por alguns meses, e depois sua estabilidade, a indústria brasileira ainda se situa em estado de alerta, com inúmeros desafios e alta carga tributária."Além disso, o Brasil necessita de investimentos pesados na indústria 4.0, investimentos esses já reais no processo industrial em uma série de países e que tornam um país ainda mais competitivo", disse.

Conforme o estudo, nos últimos dez anos encerrados em 2016, a participação do Brasil no comércio mundial caiu 0,19 ponto percentual. No mesmo período, a participação do México aumentou 0,43 ponto percentual e a Argentina perdeu 0,04 ponto percentual. "A melhora do desempenho deve-se ao maior esforço exportador das empresas brasileiras, em razão da queda da demanda doméstica, e à desvalorização do real entre 2011 e 2015", afirma o gerente-executivo de Pesquisas e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.


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