Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Filhos que só dão orgulho

Por: Evaldo Ferreira
11 Ago 2018, 15h00

Qual pai não sente orgulho e chega a ficar bobo quando o filho, ou filha, resolve por si só, seguir sua profissão? E se for um, dois, ou três filhos na mesma profissão? O pai vira um 'babão' das crias.

Roger Silva Vargas foi roqueiro na adolescência, mas de tanto acompanhar o pai, o colombiano Roberto Vargas, na coxia do Teatro Amazonas, enquanto este ensaiava para cantar no coral do 1º Festival Amazonas de Óperas, em 1996, e depois em outros momentos, foi tomando gosto pela música clássica até que trocou o contrabaixo elétrico, que tocava nas bandas de rock, pelo contrabaixo acústico de uma orquestra. "Em 2001 entrei como estagiário na Filarmônica do Amazonas, onde estou até hoje", contou.

E a história se repetiu com Roger de Mattos, filho de Roger, hoje com 16 anos. "Desde muito criança ele me via ensaiando e tocando o contrabaixo, até que com uns oito, nove anos se interessou pelo violão, depois o piano. Da mesma forma que o meu pai fez comigo, eu sempre o incentivei para que ele tocasse algum instrumento, mas deixei que ele decidisse o qual", falou.

Quando o garoto estava com 13 anos, Roger o matriculou no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, "e lá ele escolheu o violoncelo. Como eu, ele gosta de rock, de tocar guitarra, mas se apaixonou pelo violoncelo", revelou.

"Em junho o Roger ganhou uma bolsa para tocar na Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, uma orquestra formada só por jovens instruídos pelos experientes músicos da filarmônica. Ele já fez algumas apresentações públicas. Em todas eu estou lá, na platéia, junto com a mãe dele, e sempre a emoção e o orgulho são os mesmos. Fico bobo quando vejo uma apresentação do Roger", riu.

Heitor Vargas, o segundo filho de Roger, com nove anos, faz aulas de piano, "mas ele gosta mesmo é de bola. Vamos ver se depois vai querer ser músico ao invés de jogador de futebol", concluiu.

Filhos muito direitos

Em Manaus são inúmeras as famílias cujo direito foi a profissão de avós, pais, filhos e netos, até porque o curso de direito é o mais antigo de Manaus, criado em 1909, ainda na Escola Universitária Livre de Manáos, depois UA e agora Ufam.

O pai de Júlio Antonio Lopes, Julian Flores, não foi advogado, mas sempre incentivou o garoto a seguir a profissão. Hoje Júlio é um dos mais conceituados advogados amazonenses e encaminhou, até agora, três dos seus quatro filhos, para a mesma carreira.

"O João Gabriel já é advogado; a Laís está no sexto período; o Júlio Filho, no quarto período; e o Rodrigo ainda no ensino médio. Eu os deixei livres para escolherem a profissão, pois para mim o que importa é vê-los felizes, mas acredito que, por amar o que eu faço, acabei por contagiá-los", admitiu o pai coruja.

"Penso que, a escolha deles foi uma ótima escolha, haja vista que o direito abre um leque muito grande de trabalho nas carreiras jurídicas. E constitui, também, uma espécie de diploma imaterial de qualidade, que diz mais ou menos assim: parabéns, você tem sido um bom pai e seus filhos, bons filhos", falou, orgulhoso.

"O que eu acho fantástico, e agradeço a Deus por isto, é que em tudo aquilo que sonho e que tento concretizar eles, junto com a minha esposa Jô, são os primeiros a se envolver, de corpo e alma. E vice-versa. Eu também sempre embarco nos sonhos deles com tudo", lembrou.

"Quando eu era criança queria ser igual ao meu pai. Não pensava na profissão, mas no homem honesto, fiel aos amigos, responsável, caridoso e preocupado em solucionar os problemas coletivos. Criei meus filhos assim. Todos possuem ótimo caráter e tenho certeza de que serão muito úteis à sociedade em tudo aquilo que fizerem", previu.

Aprendendo com os filhos

Jorge Ferraz é um ícone da comunicação amazonense. Começou como cinegrafista na TV Ajuricaba, em 1974, depois na TV Amazonas; passou a produtor na TV RBN e TV Manchete e, por 16 anos foi produtor e diretor de TV na TV Câmara.

"Mais de 40 repórteres trabalharam comigo (Arnaldo Santos, Hermengarda Junqueira, Jeferson Coronel, Fernando Reis, Leopoldina Folhadela, Eudes Silva, Gilberto Marçal, Joaquim Marinho, Dora Tupinambá, Dudu Monteiro de Paula, Jânio Moraes, Marcelo Dutra, apenas para citar alguns) e dos auxiliares de câmera, todos hoje são cinegrafistas nos canais de TV locais", exultou.

Ferraz foi um dos cinco cinegrafistas escolhidos pela TV Globo em todo o país, em 1985, para cobrir o primeiro Rock in Rio. Cobriu a morte de Chico Mendes, em Xapuri, em 1988; bem como os 15 anos de governo, em 1984, do ditador Muammar al-Gaddafi, da Líbia, entre outros eventos de porte. Não por acaso, seus dois filhos Décio e Paulo, resolveram seguir a profissão de Ferraz.

"Como eu tinha meus equipamentos em casa, câmeras, ilha de edição, desde muito pequenos eles começaram a mexer nessa aparelhagem. No começo, chegaram a estragar alguma coisa, mas nem demorou para que, ainda garotos, os dois começassem a dominar aqueles botões", riu.

Hoje, Décio e Paulo são cinegrafistas e editores, profissões muito requisitadas no meio televisivo. "Junto com eles, criei a 'Ferraz Produções'. Eles aprenderam praticamente sozinhos a lidar com os equipamentos de filmagem e edição, agora sou eu quem aprende com eles a lidar com tanta tecnologia. Sou o homem mais feliz do mundo em tê-los trabalhando comigo", finalizou.

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