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Candidaturas femininas ainda em stand by

Por: Andréia Leite
09 Ago 2018, 14h18

A baixa participação feminina na política à chefia do Executivo estadual no Amazonas, ainda é muito tímida. Apesar de serem a maioria do eleitorado, esse número não reflete aos cargos correspondentes. No Amazonas, nenhum partido político lançou uma representante feminina ao cargo majoritário.

A baixa participação de mulheres na política é fundamentalmente uma cultura patriarcal da política brasileira, é o que explica o cientista político, Breno Rodrigo. Na análise, Breno aponta que o Brasil ainda é marcado por esses traços. Apesar dos estímulos institucionais, das exigências do TRE quanto a cota que os partidos precisam atingir para ter mulheres na disputa ao cargo, ainda não refletem numa realidade concreta.

O cientista também aponta que o baixo ativismo das mulheres ainda é um reflexo do mundo político ser predominantemente masculino o que dificulta a inserção das mulheres nas estruturas dos partidos. "Os partidos políticos concentram os recursos de poder e eles vão distribuir esses recursos de formas bastante seletivas, premiando aqueles políticos mais próximos das estruturas de decisão do partido e punindo aqueles candidatos que estão fora dessas estruturas", analisou.

Desafios

Liliane Araújo, candidata a deputada estadual e coordenadora do partido PSD Mulher do Amazonas, lamenta sobre o cenário desfavorável às mulheres para os cargos do executivo e prefeitura. "A falta de atitudes mais claras dos partidos políticos para a inclusão efetiva das mulheres. Não são todos os partidos que trabalham a ala feminina, que dão espaço pra mulher", observou. A candidata usa como exemplo a sua candidatura. "Quando dão espaço ainda querem manipular as decisões", disse. Liliane que já fez parte de dois partidos, decidiu que só iria se filiar a algum partido, se este desse espaço para ações e atitudes para a participação feminina. No atual partido a candidata conseguiu firmar isso.

Em Brasília e São Paulo onde teve um encontro com as participantes nacionais conseguiu perceber o quanto o partido é organizado. Ela detalhou que nos outros partidos o espaço para as mulheres é muito tímido. "Esses partidos muitas vezes usam as mulheres para preencher a cota, ou seja, a cada uma mulher que você não colocar na sua chapa proporcional, você tem que tirar um homem. Até as próprias executivas dos partidos são formadas por homens. Enquanto os partidos não definirem essa inclusão das mulheres, a participação delas ainda será baixa", alertou.

Alessandra Campelo (MDB), é a única deputada estadual entre 24 deputados da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), representa menos de 5% do parlamento. Ela apontou o uso do fundo partidário, as doações de campanha, e os recursos arrecadados pelos partidos como responsáveis pela baixa participação das mulheres no cenário político. "Nas campanhas os homens geralmente ficam com mais tempo de televisão, quase todo o dinheiro arrecadado para campanha. Quando ia ver os gastos com material gráfico, cabos eleitorais, com estrutura e quase todos estavam na prestação de contas dos homens", lembrou.

A deputada acredita que agora com a lei de 30% do recurso partidário que deve ser usado obrigatoriamente para mulheres, vai começar a mudar essa realidade. Além de ser candidata as mulheres terão direito de ter recursos para as candidaturas e de ter de fato acesso a outras mulheres e a população." Não existe essa história que mulher não vota em mulher, o que existe é que as mulheres candidatas não conseguem alcançar a maior parte da população por falta de estrutura e isso começa a mudar com essa decisão do TSE", enfatizou.Com a nova decisão do TSE o tempo de televisão vai ter que ser destinado às mulheres ao menos 30%.

Partido

Para o líder do PT no Amazonas, deputado estadual José Ricardo, apesar das mulheres representarem mais da metade da população o papel delas na política ainda não está consolidado. Existe ainda muita desconfiança quando se trata de política. Ele lembra que essa configuração tem mudado e que apesar de não ocuparem campanhas para cargos majoritários, é preciso dar destaque para o crescimento no parlamento. "A medida que os partidos trabalharem mais para garantir essa participação as coisas tendem a mudar", opinou.

Decisão TSE

Com novas medidas definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para fazer avançar a paridade de gênero na política brasileira. Em maio deste ano, o TSE deferiu por unanimidade a destinação de 30% do Fundo Eleitoral e de 30% do tempo de propaganda para as candidaturas de mulheres. A decisão responde à consulta formulada por um grupo de 14 mulheres parlamentares.

Seis candidatos disputam o governo do Estado:

  • Amazonino Mendes (PDT)

  • Berg da UGT (PSOL)

  • David Almeida (PSB)

  • Omar Aziz (PSD)

  • Sidney Cabral (PSTU)

  • Wilson Lima (PSC)


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