Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Alimentação saudável vira tendência de negócios

Por: Evaldo Ferreira
03 Ago 2018, 18h22

A alimentação saudável chegou para ficar, afinal, quem se alimenta dessa forma, consegue entre outros ganhos, dificilmente adoecer. Diabetes e hipertensão, os grandes vilões da humanidade, resultam do açúcar e do sal, respectivamente, e os dois podem ser encontrados em praticamente todos os alimentos. Nem tanto assim.

        O chef ecológico Alexandre Victor começou a pesquisar e fazer comidas consideradas saudáveis há dois anos e desde então vem promovendo cursos e palestras sobre o assunto.

        "Comecei a andar pelas feiras, buscando frutas e verduras da região, recém-colhidas, frescas, e faço assim até hoje", contou.

        "Existem várias formas de se fazer uma comida saudável, e praticamente todas elas substituem o que as pessoas estão acostumadas a consumir, sejam alimentos doces ou salgados. Um tipo de comida que costumo preparar é o raw food, que é a alimentação vegetariana no seu estado mais puro e nutritivo. Trata-se de uma comida crua, ou levemente desidratada. É leve. Você fica alimentado, mas não com o estômago cheio. Todos os nutrientes são mantidos. Uma comida cozida ou assada perde quase todos os seus nutrientes", ensinou. "O diferencial da raw food é que elas permanecem o mais integral possível, pois não sofrem a ação da industrialização", completou.

        "Posso citar alguns exemplos de comidas que todo mundo gosta e come, mas passam longe de ser saudáveis. Um churrasco, daquele que é feito direto no fogo, recebendo fumaça, cinzas e carbono é, comprovadamente, cancerígeno. E alguns alimentos que são bem nossos, como a banana, ou o peixe, fritos. Também são altamente tóxicos. Aí você me pergunta: mas todo mundo come isso e não fica doente? Mas é o excesso desse tipo de comida que faz mal. Se você comer todo dia esses alimentos, com certeza vai adoecer, então, está liberado comer só de vez em quando", riu.

        "Além das feiras, outros lugares onde costumo comprar, e Manaus está ficando cheia deles, são os empórios. Compro sal marinho, rosa ou negro, pois são naturais, diferentes dos industrializados. Também adquiro cereais: lentilhas, feijão, milho, grão de bico, girassol, trigo sarraceno. O trigo sarraceno eu planto e quando germina, retiro as graminhas para fazer suco verde. Os demais cereais eu ponho de molho e deixo tufar. São excelentes alimentos integrais e frescos, que mantém seus nutrientes preservados. Dá pra preparar alimentos saborosos os mais variados", disse.

        "Tem o pão vivo. Eu compro o trigo em grãos, hidrato e ponho para germinar. Quando as plantinhas nascem, eu as pego, amasso junto com as cascas e os grãos, e faço uma pasta. Coloco essa pasta no sol por algumas horas e, pronto, está feito o pão", ensinou.

        "Não sou radical com a minha alimentação. De vez em quando como hambúrguer, banana frita, peixe frito, mas nada em excesso. Priorizo a alimentação saudável, cujo aumento de pessoas que a seguem é uma tendência comprovada e irreversível. Vejo isso nos almoços e jantares que promovo e pelos meus alunos, cada vez em maior número e, não por acaso, tem surgido por toda a cidade, empórios e restaurantes vegetarianos", concluiu.     
     
        Ampliando o espaço da loja

        O Empório di Grano completará dois anos de existência em dezembro, localizado no Planalto, e vem acompanhando a tendência mundial de surgimento de empórios especializados em venda de alimentos saudáveis. "Eu tinha uma clínica de nutrição onde ensinava, entre outras coisas, as pessoas a se alimentarem de forma saudável, e via que elas não tinham muita opção para adquirir os alimentos sobre os quais eu falava nas aulas, então resolvi abrir o empório", explicou a mineira Lucinara Mendonça, proprietária do estabelecimento.

        "E valeu a pena a troca de segmento. Cada vez mais as pessoas estão procurando esse tipo de alimento", afirmou. A Empório di Grano é especializada em granel e especiarias. "Temos mais de 300 itens em nossa loja e, alguns mais, outros menos, todos vendem. Os produtos que mais vendem são as castanhas: castanha da Amazônia, castanha de caju, amendoins. Também temos uma linha de condimentos, como azeites e óleos, e produtos sem glúten, lactose ou açúcar. E ainda um setor de suplementos, para atletas e freqüentadores de academias", informou.

        Entre os produtos do di Grano, alguns são bem conhecidos nas prateleiras de outros empórios, como a aveia (grossa, fina, ou em pó), a linhaça, o gergelim, o açúcar mascavo, os cereais, as sementes, mas existem alguns que poucas pessoas devem conhecer, como o xylitol (um tipo de açúcar mineral), ou a espirulina em pó (uma alga marinha) e que pela qualidade do produto, têm preços à altura. O xylitol custa R$ 99, o quilo, e a espirulina, R$ 199. Os mais baratos são as aveias, com preços em torno de R$ 10, o quilo.

        "Até o final do ano devemos ampliar esse nosso espaço e colocar mais produtos", adiantou Lucinara. Sinal de que os negócios vão muito bem, obrigado.

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