Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Prostituição eleitoral

Por: Orígenes Martins
02 Ago 2018, 16h01

Cada vez mais perto do dia das eleições brasileiras, iniciando inclusive os programas de entrevistas aos ainda pré-candidatos ao pleito, o povo brasileiro atravessa um dos momentos mais complicados de sua história política. Um sistema que se diz democrático, porém permite a existência de mais de trinta partidos em um sistema de feira política de luta feroz na busca de uma série de vantagens que vão de horas na televisão a fundos partidários e cargos garantidos em ministérios e empresas estatais.

Praticamente às vésperas das eleições os eleitores ainda não sabem exatamente quem são os verdadeiros candidatos, pois existem apenas os pré-candidatos ou mesmo os pretensos candidatos, sem contar com as coligações, onde partidos das mais diversas nuances resolvem se juntar em busca da vitória. Mais uma vez o desrespeito ao eleitor e à sociedade brasileira bate forte sem que se tomem as devidas providências. Falaram tanto nos últimos tempos em divisão de esquerda e direita, nas pretensas ideologias e na questão da quantidade exacerbada de partidos que defendem o indefensável e de uma hora para outra, as coligações aparecem unindo inimigos mortais.

As coligações em uma democracia honesta e séria precisam ter um cunho de coerência tanto em termos ideológicos quanto políticos. Estas coligações tem obrigações para com os eleitores, ou pelo menos deveriam ter uma obrigação de transparência e satisfação. No entanto o que estamos assistindo no cenário real neste processo escabroso das eleições brasileiras, é exatamente um processo de uniões que só podem ser classificadas como prostituídas. Partidos de viéses ideológicos opostos, inimigos que nunca defenderam nenhum projeto em plenário, muito pelo contrário, resolvem fazer uma coligação para ter mais tempo de televisão e mais volume da cota do fundo partidário.

Afinal de contas, será que o eleitor brasileiro, que foi completamente deseducado em todos os sentidos incluindo o político nos últimos vinte anos, está consciente desta situação? O fato de ver nos programas os candidatos serem massacrados com perguntas sobre décadas passadas ou sobre assuntos sem a menos relação com o interesse do governo e nem mesmo terem um candidato a VICE, dá ao eleitor condições de entender o processo eleitoral brasileiro?

A racionalidade deixa muito difícil, quase impossível entender como um país como o nosso aceita este processo ridículo que está instituído e que precisa ser aceito enquanto lei, mas não aceito enquanto processo e atitude. Quando falam na compra de votos como crime eleitoral e na venda de votos como falta de ética por parte do eleitor eu acrescentaria as coligações interesseiras, feitas por conta de tempo de TV ou para engordar os recebimentos de quotas de fundo eleitoral como um crime contra a honra do povo brasileiro.

Mais uma vez estive aqui a tocar neste assunto porem aceito o risco de ser meio chato desde que consiga ser ouvido. Muito além das incongruências do sistema eleitoral brasileiro, que por si só já são muitas, as coligações feitas por interesses meramente materiais e venais, desnuda uma situação que só piora o caos em que se encontra nossa sociedade. O Brasil vive uma situação de descrédito político, econômico e social onde a esperança de mudança e a necessidade de um programa sério e realista traga uma mudança de rumo venha mostrar a este povo que o futuro é viável.

No entanto, quando se precisa de tudo isso, quando se quer tudo isso e a luta de lavajato contra desmandos e corrupção, de grupos de juristas sérios contra velhos coiotes que tentam desmantelar o sonho de um povo. Neste quadro aparecem as propagandas mostrando o voto como a arma de mudança do povo. No entanto, a prática dos partido e dos políticos brasileiros, principalmente no que toca a estas malditas coligações, estão muito menos para uma atitude política e muito mais para uma PROSTITUIÇÃO SOCIAL E POLÍTICA.

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