Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Lírico de corpo, alma e formação

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
31 Jul 2018, 19h52

Crédito:Divulgação
Quando o tenor/maestro amazonense Fabiano Cardoso se inscreveu no 1º Concurso Internacional de Canto de Goiânia, que aconteceu no mês passado, tinha a quase certeza de que seria o vencedor, afinal, o prêmio era ganhar as vagas dos personagens Gastone e Giuseppe, da ópera La Traviata (os mesmos que ele conhecia bem por havê-los interpretado no Festival Amazonas de Ópera), e voltar a interpretá-los no 1º FIOG (Festival Internacional de Ópera de Goiânia), que começou no dia 7 de junho e segue até o dia 12 de agosto naquela capital.

"Tinha tenores de outros Estados querendo as vagas, mas não sei se eles estavam tão preparados como eu. Eu sabia que estava preparado, tanto que as conquistei", comemorou.

No sábado (28), e domingo (29), de julho Fabiano subiu ao palco do Teatro Sesi e interpretou Gastone e Giuseppe, no 1º FIOG.

"Essa é a vida de quem vive o mundo da música lírica. Temos que nos fazer presentes onde acontecem esses concursos, ou festivais, pois eles nos abrem as portas para o mundo. A banca de jurados do concurso era formada por maestros de vários países. Se algum deles se interessar pela nossa performance, pode nos contratar para nos apresentarmos em eventos nos seus países", revelou.
E também é uma vida corrida. "Na terça e na quarta, ensaiamos, e no sábado e domingo já estava no palco, me apresentando", contou. Segunda-feira Fabiano pegou o avião e retornou a Manaus para continuar com os ensaios no Coral do Amazonas, onde cantava e, desde janeiro, é maestro assistente. "Estamos com várias apresentações agendadas para esse segundo semestre e os ensaios são diários", adiantou.

Queria ser artista

Fabiano começou a cantar com apenas cinco anos, em corais da Igreja Batista. "E também encenava peças de teatro. Sempre gostei de arte. O meu sonho era ser artista", lembrou.

Adolescente, estudou teatro no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, "depois fui fazer a faculdade de Educação Artística na Ufam, mas o curso foi extinto e as artes passaram a ser independentes, então migrei para a UEA onde, em 2001, comecei a estudar Música com habilitação em Canto. Nesse tempo todo nunca deixei de cantar em corais. Sempre que havia a oportunidade de me apresentar em algum, lá estava eu", riu.

Mas surgiu a oportunidade de Fabiano se tornar maestro. "O maestro Sandino Hohagen, de renome nacional e até internacional, chegou a Manaus para ministrar a disciplina de regência, na UEA, e eu logo me interessei. Foi quando descobri que reger uma orquestra não significava apenas balançar a batuta de um lado para o outro, no compasso da música. O maestro precisa fazer a música", disse."Para um leigo fica difícil entender como a coisa funciona, mas é mais ou menos assim. O maestro precisa ter um bom ouvido, ou seja, possuir a habilidade de identificar ou recriar uma determinada nota musical. Com isso ele é capaz de ouvir cada um dos instrumentos de uma orquestra e saber se está tocando com perfeição. Por isso são necessários ensaios constantes. A repetição leva à perfeição", falou. "Além dos instrumentos, o maestro precisa conhecer a voz dos cantores, seus timbres, e enquadrá-los dentro do que ele quer ouvir. Não é difícil ser maestro, mas você precisa de toda uma formação musical", explicou.

E essa formação Fabiano vem tendo desde que concluiu o curso de Música, em 2008, na UEA. "Ainda no Cláudio Santoro integrei o Coral Jovem, depois de formado regi a Orquestra da Ufam e a Banda de Música do CMA (Comando Militar da Amazônia), olha só a responsabilidade. Minha prova de fogo como maestro foi na Igreja Batista.

O maestro oficial do coral havia saído de férias e o substituto não se garantiu e me chamou, assim, como se eu já tivesse regido alguma coisa. Fui e acho que não fiz feio, pois estou regendo corais até hoje", brincou.

No Festival Amazonas de Ópera

"Como falei anteriormente, nessa vida de artista da música lírica, precisamos estar em evidência constantemente, para que as oportunidades apareçam. Já fui finalista do Concurso Jovens Solistas Francisco Mignoni, no Rio de Janeiro; semifinalista do Concurso da Canção de Câmara Brasileira, em São Paulo; e ano passado fui segundo lugar no Concurso Canto Lírico da Floresta, promovido pela SEC (Secretaria de Cultura do Amazonas)", listou. Apenas para completar, Fabiano já foi solista 15 vezes, e cantou outras 50, no Festival Amazonas de Ópera. Mas ele não para.

"Em novembro aguardem o Encontro de Tenores do Brasil, no Teatro Amazonas, com quatro convidados especiais e alguns conhecidos no Brasil pelo sucesso como cantores", adiantou. "Eu vivo da, e para, a música. Artista, como eu sempre quis ser", acrescentou.

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