Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Amazonas - uma economia endógena - II

Por: Nilson Pimentel
27 Jul 2018, 14h53

Há tempos que se discutem as alternativas econômicas que o Estado do Amazonas poderá se lançar em processos de Desenvolvimento Econômico Regional em razão da grave situação de estagnação que se encontram os municípios amazonenses. Notadamente nesse ano eleitoral de 2018, o Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas) tem promovido eventos nos quais se tem tido a oportunidade de discutir diversos temas referentes ao desenvolvimento econômico do Amazonas, nos mais diversos segmentos dessa Economia refém de seu único projeto de desenvolvimento, a ZFM (Zona Franca de Manaus), porém mais especificamente o PIM (Polo Industrial de Manaus).

Sendo assim, a temática sobre o Desenvolvimento Regional do Amazonas vem se transformando um assunto vivo no meio dos economistas amazonenses, tendo em vista as diversas transformações e mudanças estruturais por que passam as economias capitalistas no cenário mundial. De forma que o Corecon/AM por seu evento mensal CAFÉ ECONÔMICO vem discutindo com diversos palestrantes especialistas em seus segmentos da economia no Amazonas objetivando apresentar os mais importantes espectros dessa economia regional, tão difícil de sustentar frente aos imensos potenciais de seus recursos naturais, procurando identificar os obstáculos e problemáticas que ao longo desses 51 anos projeto ZFM que ressuscitou o Amazonas economicamente. Dessa forma, os economistas tentam extrair algum eixo ou paradigma como forma e ênfase de alguma aglomeração produtiva, que a partir daí, possam sustentar processos de desenvolvimento econômico endógeno ou exógeno, nos diversos espaços municipais nas nove sub-regiões do Amazonas. Entretanto, para os economistas-pesquisadores do CEA (Clube de Economia da Amazônia) para se identificar algum paradigma sustentado por determinantes da economia endógena será necessário observar a economia municipal nessas sub-regiões amazonenses começando pela inclusão das comunidades locais regionais em pesquisa, mas não se tem conhecimento que nenhuma instituição governamental tenha agido nessa direção, mas estabelecido objetivos estanques e sem convergências de fluxos econômicos, como foram colocados naquelas ditas "novas matrizes econômicas" do governo passado, que se perderam nesse tempos de governo tampão. Mesmo assim, os economistas do CEA destacam como relevantes a ocorrência dos eventos do Corecon/AM, por demonstrar como são diversos os segmentos que tratam do Desenvolvimento Econômico Regional, com raras ações endógenas praticadas de forma aleatória na ambiência de governo estadual, o que para aqueles especialistas poderiam ser melhores projetadas, organizadas, de gestão descentralizada, com base em determinantes políticas públicas específicas. Nunca seja tarde ressaltar que processos, programas, projetos e ações de desenvolvimento econômico regional reflete a competência interna da própria sociedade, tendo como agente principal o governo estadual, uma vez que as ocorrências dos recursos naturais com potenciais econômicos por localizações diversas concorrem para o surgimento de perspectivas e oportunidades de projetos econômicos como negócios regionais endógenos, os quais poderão resultar em criação de riquezas, com aglomerações produtivas, eficiência tecnológica, desenvolvimento de mercados, etc. Para o pessoal do CEA, a articulação voltada ao desenvolvimento econômico regional, por suas diversas dimensões, exige uma visão sistêmica dos fatores de produção, do sistema político local regional, e dos diversos sistemas sociais existentes.

Os pesquisadores precisam lançar mão de base teórica que se concentram em processos pelos quais as atividades aparecem e podem incorporar os conceitos fundamentais à análise em questão, frente a economia endógena, como: a indústria motriz, o complexo de indústrias e se existe algum polo de crescimento, mesmo do setor primário. Somente para esclarecer, quando se trata de 'indústrias motrizes', são atividades econômicas que possuem sentido de arrasto, exercendo um papel indutor do crescimento de outras indústrias, pela compra de bens diversos, que poderia ter a capacidade de fomentar a formação de um complexo de indústrias localizadas próximas umas das outras, promovendo a formação de um polo regional local. É perfeitamente compreensível que polos de crescimento servem para explicar o processo de mudança estrutural na economia regional local e nos sistemas institucionais e sociais. Por isso que a atração de investimentos para determinados segmentos econômicos regionais locais, refletem um efeito dinâmico à economia regional, objetivando assim, a transformação da estrutura produtiva local, tra­zendo novas perspectivas para o desenvolvimento econômico regional. Os pesquisadores do CEA destacam que o estudo dos polos se concentra em determinar problemas Inter e inter-regionais, podendo ser identificadas na raiz das políticas públicas já formuladas anteriormente.

Em primeiro lugar, se deve estabelecer e mobilizar atraindo o interesse de agentes econômicos e atores sociais envolvidos com o planejamento econômico estratégico regional. Tendo para tanto que se demonstre o porquê da criação ou rompimento das estruturas ultrapassadas existentes naquele espaço em indução como o fato de sua natureza abrangente e a capacidade de integrar em vários aspectos relevantes do desenvolvimento regional. Eis a complexidade de se fazer acontecer o Desenvolvimento Econômico, mas desafios estão para serem vencidos e os plenos dos pré-candidatos ao governo do Amazonas devem refletir essa visão. Resta-nos observa-los!

*é doutor em economia, engenheiro, administrador, consultor empresarial e professor universitário - nilsonpimentel@uol.com.br

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