Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Cresce o número de estabelecimentos

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
27 Jul 2018, 14h04

Crédito:Walter Mendes
Dados divulgados pelo Censo Agro 2017, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam uma evolução no número de ocupações no setor agropecuário do Amazonas. Os números apontam um crescimento de 23,7% em relação ao censo anterior. O município de São Gabriel da Cachoeira lidera ranking com 14.243 postos de trabalho gerados. Cresce também o número de estabelecimentos agrícolas.

Foram registrados cerca de 329.932 pessoas trabalhando em todo o Estado. Um aumento de 23,7% em relação ao último censo realizado em 2006, quando foram contabilizados 63.265 pessoas. De acordo com o IBGE, considerando os 1.784.000 postos criados no último trimestre de 2017, a agricultura foi responsável por 18,5% da força de trabalho gerado no Estado. Em 1985 foi o ano em que a pesquisa mostrou o maior quantitativo de pessoas trabalhando no campo (545.077), a partir daquele ano, os números vinham caindo até 2017 quando voltou a aumentar.

Segundo o supervisor de disseminação de informações do IBGE, Adjalma Nogueira Jaques, o aumento da atividade agrícola foi causado pelo crescimento da população e do consumo. Estes fatores levam a alta produção no campo e tudo que a ela está ligado, como preços atrativos para o pequeno produtor e consequentemente tudo o que está ligado ao setor.

"Quando analisamos um Censo Agro de uma forma geral, vemos que o aumento da atividade foi causado pela demanda. Isso leva a agropecuária a produzir mais para atender o consumo das pessoas. Mais pessoas ocupadas e mais produção de alimentos são pontos importantes", explicou.

Adjalma ressaltou, que a expansão da agricultura implica em impactos no meio ambiente, principalmente a atividade pecuária que requer grandes áreas de pastagens. "O fomento e a extensão são importantes ações de apoio ao agricultor. Os dados revelam que os produtores em determinada quantidade tiveram assistência técnica e financiamentos", disse.

Entre os municípios que formavam o grupo com maior número de ocupados nas atividades agropecuárias estão os municípios de São Gabriel da Cachoeira (14.243), Tefé (11.688), Parintins (11.413), Manicoré (10.790) e Itacoatiara (10.420). Segundo Adjalma, São Gabriel é um município com grande presença indígena na sua zona rural, onde cada família planta e colhe mesmo em pequena escala, na maioria das vezes para sua própria subsistência.

"E este é um dos critérios para classificar um estabelecimento agropecuário. Assim, ocorre o destaque para este município no tocante ao maior número de estabelecimentos. Em síntese: trata-se de uma produção voltada fortemente para a subsistência e que está ligada a plantação de mandioca, produção de farinha, pesca artesanal e colheita de produtos extrativos", disse

Estabelecimentos

Os dados apontam, que essas ocupações são reflexos da grande quantidade de unidades de produção e exploração dedicadas às atividades agropecuárias, seja para comercialização, produção ou subsistência. A partir da década de 1980, com a diminuição da população rural, o número entrou num processo de declínio, recuperando-se somente agora em 2017 com 80.914 novas instalações. A menor quantidade ocorreu em 2006 quando foi registrado cerca de 66.784 estabelecimentos. A maior aconteceu em 1985 com 116.302 instalações

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, esse crescimento mostra que o setor primário tem se destacado como uma atividade com grande potencial de geração de emprego e renda para o Amazonas. "Os pontos positivos desse crescimento são a demonstração de que a atividade rural deve merecer prioridade nas políticas públicas de interiorização da economia", disse.

Assim, entre os municípios amazonenses, São Gabriel da Cachoeira também teve o maior destaque com 3.904 estabelecimentos, liderou o número de unidades, superando inclusive aqueles que possuem maior população. Juntamente com Boca do Acre, Parintins, Manicoré e Autazes formam o grupo que lidera os estabelecimentos.

Municípios como Boca do Acre, Manicoré, Parintins e Autazes são tradicionais produtores agrícolas e sua produção está espalhada em todos os ramos da agropecuária (produção animal, produção vegetal, lavoura temporária, lavoura permanente e até a agroindústria).

"As principais atividades rurais de municípios como Boca do Acre e Autazes é a pecuária, que é um segmento com boa perspectiva a partir do reconhecimento do Amazonas livre de aftosa com vacinação e em 2019 com a retirada da vacina em municípios do Sul do Amazonas", ressaltou Muni Lourenço.

Avicultura tem importância

As aves fazem parte de outro grupo importante na produção animal do Estado. Em 2017 a pesquisa do IBGE encontrou 4.279.000 de cabeças contra 2.551.000 de cabeças encontradas o penúltimo Censo em 2006, o que representou um crescimento de 67%. Os ovos de galinha também experimentaram crescimento em 2017, passando de 17.722 mil dúzias em 2006 para 42.069 dúzias, um crescimento de 137% entre os dois censos. O município de Manaus lidera com folga a produção de aves, seguido por Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara e Presidente Figueiredo. Quanto aos ovos de galinha, Manaus também lidera a produção, seguida de Iranduba, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Careiro.

Para Muni Lourenço, o Censo Agropecuário confirma o expressivo crescimento e a trajetória de destaque da avicultura de postura amazonense, hoje o maior polo da atividade na região Norte e o quinto maior do Brasil. " O Amazonas possui um segmento consolidado na atividade granjeira, com empreendimentos modernos e tecnificados, que produzem milhões de ovos com qualidade reconhecida e gerando milhares de empregos", disse.

Ele explicou, que além do estudo reforçar o setor primário como alternativa econômica para o Amazonas, tem revelado também, a atuação de grandes produtores com perfil de empreendedores no agronegócio. "O setor do agronegócio vem tendo participação determinante no desempenho da economia nacional", disse.


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