Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Segmento literário não vê crise

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
26 Jul 2018, 19h57

Crédito:Divulgação
Em 2017, as editoras brasileiras produziram 393,3 milhões de exemplares, venderam 355 milhões e faturaram R$ 5,17 bilhões.

Os dados são da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro ano-base 2017, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), a pedido da CBL (Câmara Brasileira do Livro) e do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros). O estudo, que mapeou a performance do setor editorial e de seus quatro subsetores (Obras Gerais, Religiosos, Didáticos e CTP - Científicos, Técnicos e Profissionais) em 2017, ouviu 202 editoras do país, sendo 187 emparelhadas ao ano anterior, o que representa 69% do setor editorial em faturamento.

Em Manaus, o segmento editorial, tendo entre as principais editoras a Editora Valer, acompanha os altos e baixos da economia do país. "O mercado editorial amazonense, por estar atrelado à economia nacional, sofre as mesmas consequências que ela. Nesse sentido, conforme as suas flutuações, instabilidades ou estabilidades, nós acompanhamos os seus movimentos", falou Isaac Maciel, editor da Valer.

Maciel lembrou que, apesar de a Livraria Valer ter fechado as portas em 2015, depois de 25 anos de funcionamento, a editora nunca deixou de editar livros. Inaugurada em meados de 1995, com a publicação do livro 'Turismo e Comunicação', do professor Oto Beltrão, desde então, a empresa não parou de publicar, sempre se mantendo como a maior editora do Estado, à frente das editoras universitárias. "Já são 1.302 obras editadas e várias reedições de algumas delas", informou.

"A editora continua sendo a maior, em número de obras publicadas, e com relação à situação atual, continuamos trabalhando com muito afinco para trazermos ao público obras essenciais para a sua formação, seja na área da Literatura, História, Filosofia, Língua Portuguesa, Educação, Antropologia, Direito, Educação Ambiental ou Literatura Infantojuvenil", completou.

Mais de 30 publicações em 2018

E quem pensou que o livro digital, o e-book, tomaria o lugar do livro impresso, se enganou. "Existem pessoas que preferem lê-lo impresso, pois se acostumaram a tê-lo nas mãos, sentirem a textura, o cheiro, o volume. Isso faria parte do ritual de leitura. Outras já enveredam pela leitura de livros digitais, pois consideram mais prático, dado que não ocupam espaço, não pesam. Mas, no meu entendimento, o que importa mesmo é que leiam bons livros, e isso ultrapassa o trabalho da editora Valer ou de quaisquer outras. É um trabalho do Estado, da educação", salientou. "Também o formato em que o texto se apresenta não importa muito. Infelizmente, o que as pessoas estão lendo não é, diríamos, o mais adequado, pois, conforme se tem constatado, nunca se leu e escreveu tanto no Brasil, porém, e este é o paradoxo: nunca se interpretou tão mal. Nós, da Valer, continuamos publicando o que consideramos importante para a formação das pessoas", afirmou.

Uma das características que marcou a Valer desde o começo é a qualidade de suas edições o que proporcionou grandes sucessos de vendas. "Nós temos vários livros importantes e com sucesso de vendas, porém o que mais vendemos foi o 'Estatutos do Homem', do poeta Thiago de Mello. Além de Thiago, publicamos diversos outros autores importantes: Luiz Bacellar, Astrid Cabral, Márcio Souza, Paes Loureiro, Tenório Telles, Violeta Branca, Jorge Tufic, Alencar e Silva, autores que, se não fosse a Valer, possivelmente, estariam com seus livros sem publicação", ressaltou. Só este ano a Valer já lançou dez títulos, entre eles, 'Poranduba Amazonense', de João Barbosa Rodrigues, considerado um livro raro, publicado em 1890 e que, desde então, não viu outra edição; o livro da poeta Astrid Cabral, 'Íntima Fuligem'; o livro de lendas amazônicas, 'Belas Narrativas', do prof. João Cruz; e o livro 'Adolescência, Sociabilidade e Construção do Conhecimento', do prof. Luiz Carlos Cerquinho, entre outros, e mais dez reedições. "Para o segundo semestre, estão previstas outras 20 edições", adiantou.

E escritores de primeira viagem, devem colocar seu talento à mostra se quiserem ter seu primeiro livro editado. "Em primeiro lugar, o interessado deverá submeter o seu texto à editora; em segundo, o texto deverá se enquadrar no perfil editorial da Valer: defesa da Amazônia e da cultura local e, sobretudo ter importância literária. Depois vem o processo de produção do livro", explicou. Desde que a livraria fechou as portas há três anos, a editora não parou de disponibilizá-los para o público. "Nossos livros podem ser adquiridos nas livrarias Leitura (Amazonas Shopping), Saraiva (Manauara Shopping), Nacional (Centro da cidade) e na própria editora. Via internet, atendemos pelo site: www.editoravaler.com.br e pela Estante Virtual", concluiu.

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