Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Triste realidade

Por: Orígenes Martins
26 Jul 2018, 14h39

Já se vão vários meses em que o governo agiliza suas estatísticas oficiais e sua máquina de marketing para dar ao povo e ao exterior a ideia de que tudo vai bem com a economia. Números encontrados sei lá onde mostrando uma inflação controlada e um PIB em crescimento contrastavam sempre com o outro lado de uma economia onde quase quinze milhões de pessoas se desesperam sem emprego. Sem contar os empresários obrigados a fechar as portas depois de ter cortado ao máximo seus custos, incluindo as demissões inevitáveis.

No entanto teimosamente, inclusive no período em que durou a suposta greve dos caminhoneiros, o governo sempre insistiu no fato de a economia estar controlada e em situação positiva. Fica um tanto desconfortável para um economista como eu bater na tecla contrária, mesmo desmentindo as estatísticas oficiais as quais sempre desacreditei. Mas sempre tive o cuidado de fazer minhas análises da mesma maneira como sempre recomendei aos meus alunos: olhando o conjunto.

Desde o início deste ano de 2018 que venho pensando neste aumento de inflação em quase 3% e uma queda na produção que pode chegar perto dos 2%, contra todas as previsões governamentais porém analisadas e confirmadas agora pelos técnicos do FMI. É uma pena que somente após o reconhecimento externo de um erro tão grosseiro, possam os analistas brasileiros começarem a se dar conta dos motivos de certos problemas que estão corroendo mais ainda nossas destruídas Contas Públicas e Privadas.
Em primeiro lugar nosso país que criou uma lei de responsabilidade fiscal, onde teoricamente levaria o setor público a uma atitude responsável digna de qualquer país decente, teve no próprio setor público o maior irresponsável que gerou uma das maiores dívidas públicas internas e externas que se tem notícia em toda a história econômica brasileira. Nem mesmo antes do Plano Real, onde os números eram astronômicos, poderíamos fazer comparações, pois os índices inflacionários imensuráveis nos deixaram à época uma moeda tão desvalorizada e instável que não se pode comparar.

Agora, em pleno século XXI, com um grupo de hipócritas que diz defender um sistema democrático sem se dar conta do que isto realmente representa o Congresso brasileiro irresponsavelmente aprova pelo menos três leis a nível federal que irão aumentar os gastos públicos do país, quando a responsabilidade fiscal os obrigaria a cortá-los. Pior ainda, as leis aprovadas são todas para usufruto dos homens públicos, sem trazer absolutamente nenhuma vantagem social.

Enquanto isso o desemprego vai aumentando e a inflação se descontrolando, pois o índice inflacionário brasileiro atual não mede absolutamente o nível de preços e sim a capacidade de compra (ou a incapacidade) do povo. O povo compra cada vez menos e o comerciante sem conseguir vender, baixa o preço até o limite. Infelizmente esta roda viva quebra os dois lados pois chega aquele momento como agora que só vemos lojas fechadas ou quase lá, produtos de baixa qualidade e por ai vai.

Mais uma vez a necessidade de fazer a conjunção da economia com a política para atender às necessidades sociais está sendo relegada em nosso país. Não sei bem se por uma questão de ignorância ou se por mera má vontade de governantes e poderosos que só conseguem olhar para o próprio umbigo, mesmo quando se arvoram em defensores do povo. O certo é que às vésperas de uma nova eleição, como já ressaltei aqui, estamos à mercê do acaso, sem saber o que, quem ou o porque. Candidatos que se juntam em associações absurdas que buscam pura e simplesmente tempo de TV, deixando os verdadeiros interesses para os quais deveriam lutar, para última análise. Infelizmente esta é a nossa TRISTE REALIDADE.

*é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa SINÉRGIO

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