Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Zona Azul inibe comércio central

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
25 Jul 2018, 19h39

Crédito:Cesar Pinheiro
Lançado em janeiro, o Zona Azul, sistema de estacionamento rotativo no Centro de Manaus, ainda não convenceu e vem causando prejuízos ao comércio da área. Apresentado como inovador e capaz de criar novas vagas de estacionamento, o sistema vem acumulando reclamações e fazendo de estacionamentos privativos uma alternativa, para alguns, mais barata e segura, desde que passou a ser cobrado no primeiro dia de julho.

A cobrança e a falta de acesso ao sistema por via mobile podem causar esvaziamento nas lojas do Centro, conta o presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Amazonas), José Roberto Tadros. "A compra de um automóvel já era uma necessidade, agora temos a necessidade de se criar vagas de estacionamento. As disponibilizadas pelo Zona Azul acabaram por ser deixadas de lado por conta da complexidade do sistema, nem todos têm a facilidade no uso do aplicativo", disse.

Segundo a Consórcio Amazônia, concessionária do serviço, a compra de créditos para o uso de vagas pode ser feito pelo aplicativo "Zona Azul Manaus" e pelo portal www.zamanaus.com.br. Algumas lojas e bancas de revistas também estão credenciadas para comercialização de crédito. O acréscimo de tempo pode ser feito também por meio do aplicativo, diz a concessionária.

Para o representante do comércio no Amazonas, o limite de tempo para estacionar não é suficiente para quem vem ao Centro. "Quem procura a área central para compras, acaba por realizar outros serviços, como os bancários por exemplo. Com isso talvez haja uma busca maior pelos shoppings centers e as consequentes demissões nas lojas do Centro", encerrou Tadros.

Em uma rápida passagem pela principal avenida do Centro é possível ver a falta de adesão à ideia, as vagas vazias são visíveis. A reportagem ainda chegou a presenciar o guincho da Manaustrans em ação. Segundo lojistas da Eduardo Ribeiro que têm lojas próximas ao ocorrido, ações do tipo inibem a chegada dos consumidores, opinião compartilhada pelos vendedores ambulantes e donos de bancas de revistas.

Poucos monitores

Incubidos de organizar os estacionamentos e tomar notas, os monitores ainda são poucos, acusou o empresário Luciano Pitilo. "Algumas áreas estão sob o Zona Azul mas não estão sinalizadas, assim estacionamos e depois de duas semanas uma multa chega em casa. Falta a sinalização e faltam os monitores e assim não sabemos se estamos devendo o tal sistema. Tenho preferido os estacionamentos privativos", comenta.

"Às vezes não tem troco e cartões não são aceitos na hora de pagar pelo estacionamento. A prefeitura fala em um sistema inovador mas que não tem a estrutura adequada a essa inovação. Desse jeito o empresário só vem ao Centro se não houver alternativa", finaliza.

Complexidade ou falta de atenção?

Monitores do sistema, encarregados da fiscalização, creditam a falta de atenção dos condutores pelas confusões geradas, explica a monitora Renata Kelly. "Ainda é um sistema novo e equívocos acontecem. Pedimos atenção aos motoristas para que confiram os dados nos tickets, para que atentem ao limite de tempo e, se possível, que 'comprem' antes", ressalta.

"A multa para quem estacionar em desacordo com as normas é de R$ 195,23 e menos cinco pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação), por isso pedimos mais atenção do condutor para que não haja confusões", disse Renata que ainda pediu calma aos insatisfeitos. "Já fui agredida verbalmente e às vezes por motivos fúteis. Quem expede e cobra as multas e reboca carros é a Manaustrans (Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito). O motorista parece não ouvir quando dizemos que podem recorrer das multas em até 15 dias", encerra.

O autônomo Felipe Ribeiro foi um dos que buscavam informações por uma notificação recebida. "Vim ao Centro fazer serviços bancários no carro de um amigo. Voltei no que eu pensava ser o fim do tempo comprado online por um amigo, que também é dono do carro. Cheguei a tempo, mas a notificação já estava no para-brisas", lamenta.
Ribeiro questionava ter 'comprado' duas horas e ter apenas uma computada, o que afirma ter gerado a confusão. O dono do veículo precisou enviar um 'print' com o valor de R$ 4,90 debitado (equivalente a duas horas, R$ 2,45 por hora) para provar que estava dentro do limite. Descoberto o equívoco, a monitora recomendou ao motorista que recorresse da infração.

Promessa de mobilidade e fluidez no trânsito

O sistema Zona Azul conta com 1.500 vagas. As vagas de estacionamento estão disponíveis na avenida Eduardo Ribeiro e nas ruas 10 de Julho, Barroso, Henrique Martins, Rui Barbosa, 24 de Maio, Costa Azevedo, Marçal, Dona Libânia, Monsenhor Coutinho, Tapajós, Lobo D'Almada, Joaquim Sarmento, José Clemente, Ramos Ferreira, Frei Lourenço e Ferreira Pena.

Nas áreas incluídas no Zona Azul, cada veículo poderá permanecer estacionado por até, no máximo, três horas. Cada vaga do sistema Zona Azul é dotada de sensor, que vai detectar a hora em que o veículo estacionou. O motorista que ultrapassar o prazo máximo de permanência poderá ter o veículo autuado pelo Manaustrans.

A implantação do sistema de estacionamento rotativo do município segue diretrizes do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), visando a mobilidade urbana nas grandes cidades, além de proporcionar maior fluidez ao trânsito, por meio da organização de vagas nas vias.

Comentários (1)

  • mimico netto26/07/2018

    A grande verdade é que Manaus precisa de muitas vagas para estacionamento de veículos. A Prefeitura deveria aproveitar o espaço ocioso do ex-camelódromo da Floriano Peixoto. para esse fim, urgentemente!!!

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