Manaus, 21 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Amazonino, Arthur e o Mesa Brasil

Por: Thomaz Meirelles
24 Jul 2018, 15h38

Em dezembro do ano passado, os jornais de Manaus estampavam, com dados do IBGE, a seguinte manchete: "Amazonas é o segundo Estado com maior percentual de pobres". Segundo a Síntese dos Indicadores Sociais o percentual de pessoas que vivem na pobreza no Amazonas é de 49,2% ficando atrás apenas do Maranhão (52,4%). Mais recentemente, em junho passado, novamente nosso Estado apareceu em último lugar no Índice de Desenvolvimento Municipal divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Estamos com péssimos índices na saúde, educação e emprego, e ainda temos o município de Ipixuna como o pior do Brasil. É uma vergonha pra quem tem um dos maiores complexos industriais da América Latina há mais de 50 anos. O que nossas autoridades tem feito para amenizar o sofrimento dos 49,2% que estão vivendo na pobreza? O IBGE divulgou esse percentual em dezembro, qual encontro foi realizado para discutir essa situação? O que fez a "Compensa", ou seja, o governador e o prefeito de Manaus? No meu entendimento, colocar comida na mesa dessas famílias é muito mais importante do que asfaltar o Distrito Industrial, é muito mais importante do que lançar um livro com planejamento até 2030, é muito mais importante do que as articulações para permanecer no poder usando as mesmas práticas que levaram o Amazonas a ter metade da população na pobreza. Incomoda o silêncio de quem tem o poder e a obrigação de mudar esse triste quadro que tem ligação direta com a insegurança que estamos vivendo. Apresento, abaixo, alguns caminhos usando os objetivos e a estrutura do Programa Mesa Brasil/Sesc/AM.

Uninorte já mostrou como fazer

Diariamente, 95 toneladas de alimentos oriundas das feiras administradas pelo Arthur vão parar no lixo. Alunos da Uninorte, coordenados pelo professor Carlos, já mostraram na Aleam que a reciclagem leva ao reaproveitamento de várias toneladas que são destinadas às famílias carentes. Então, o que está faltando para que o prefeito Arthur, determine um encontro entre sua esposa, Elisabeth Valeiko, responsável pelo Fundo Manaus Solidário, com a diretora do Sesc, Simone Guimarães, com a presença da coordenação do Programa Mesa Brasil e da Uninorte. A presença do Estado, por meio da ADS, que administra outras feiras da capital, também é indispensável. Já o governador Amazonino, que recentemente divulgou o uso de R$ 85 milhões na distribuição de implementos agrícolas ao interior, deveria determinar que o FPS (Fundo de Promoção Social) fizesse parte desse arranjo institucional para reverter o inaceitável desperdício das 95 toneladas de alimentos das nossas feiras usando a boa estrutura, que é gratuita, do Mesa Brasil/Sesc/AM para alimentar os amazonenses que vivem na pobreza. Amazonino quer a parceria do Arthur para as eleições. Arthur também tem seus interesses nessa aproximação, mas não percebo nessa negociação a pauta dos 49,2% do IBGE que vivem na pobreza. Será que estou errado?

Temer e o Mesa Brasil

O programa Mesa Brasil/Sesc sempre foi parceiro do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), mas os cortes orçamentários do atual governo Temer ao PAA têm levado ao desestímulo um expressivo número de pequenos produtores rurais e agravando a insegurança alimentar e nutricional em vários programas sociais, incluindo o Mesa Brasil. Fiquei sabendo, mas nada oficial, que as propostas apresentadas ao PAA no corrente ano chegaram a R$ 300 milhões em todo território nacional, mas apenas 10% deverão ser liberados ao programa operado pela Conab em nível nacional. É evidente que qualquer programa tem seus erros, e que os ajustes são necessários, mas um país com alto índice de corrupção, com gigantescos desvios de recursos públicos, não pode fazer cortes em programas que reduzem a pobreza principalmente em regiões com índices inaceitáveis como os do Amazonas. Mais uma vez, Amazonino, Arthur (Manaus tem 120 mil famílias na pobreza), senadores e deputados federais do Amazonas, Norte e Nordeste deveriam pressionar o MDS a liberar mais recursos a essas regiões. Infelizmente, não é isso que tenho visto, apenas as articulações para continuar no poder tem sido o "prato do dia". Uma pena, mas não perco as esperanças!

*é servidor público federal, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio - thomaz.meirelles@hotmail.com

Comentários (0)

Deixe seu Comentário