Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Crise derruba confiança do empresário do comércio

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
19 Jul 2018, 22h43

Crédito:Walter Mendes
Recentes dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) apontam para dias difíceis para o comércio no Brasil e consequentemente refletindo no varejo amazonense. O Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) nacional divulgado ontem (19) recuou 4,3% na passagem de junho para julho deste ano fazendo o indicador chegar a 103,9 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos, o que pode abalar os bons números registrados no Amazonas em março, quando o índice foi de 165,8 pontos, contra os 161,3 da média nacional.

A crise política, mais que a econômica, e a proximidade do período eleitoral foram fatores determinantes para os baixos índices, explica o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Aderson Frota. "Já havia um receio por parte do empresário com os recentes rumos tomados pelo governo na decisão de questões importantes para o Amazonas e para o país. A queda na empregabilidade e a falta de crédito no mercado são consequências dessa crise", afirmou.

Segundo Frota, quando o comércio via sinais de crescimento e as expectativas eram boas, vieram paralisações de caminhoneiros e petroleiros. "O impacto das greves será sentido agora no comércio e outros setores, mas para quem tem uma visão mais apurada da economia isso já era previsto. Acreditamos que o governo foi lento e sem pulso nas negociações com os caminhoneiros", disse.

Cálculos da CNC mostram que os dez segmentos que compõem o varejo ampliado tiveram uma perda de R$ 7,4 bilhões no mês de maio, em decorrência dos 11 dias de paralisações provocadas pela greve dos caminhoneiros. "E agora com as eleições se aproximando, as obras do governo que muitas vezes movimentam a economia estão suspensas, isso acaba com a vontade de o empresário investir", afirmou.

A crise econômica trouxe o nível de confiança atual ao menor patamar desde agosto de 2017 (103,10 pontos). Para 69,4% dos empresários do comércio entrevistados, houve piora no cenário econômico. "Tanto a insatisfação com a situação atual quanto as expectativas para o crescimento da economia impactaram significativamente o indicador de confiança de julho", afirma Fábio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC.


Queda no ICF


Outro indicador que mostra a falta de tato no governo na condução das negociações da greve é a queda do ICF (Intenção de Consumo das Famílias) explica Frota. "O consumo está intimamente linkado à manutenção de emprego e a facilidade de crédito, aspectos que foram abalados nos últimos meses. O governo parou tudo, deixou de lado pautas importantes para negociar o fim da paralisação de uma categoria, aumentando o receio de quem achava que teria o emprego perdido", ressaltou Frota.

Com os resultados de julho do ICF em 85,1 pontos (queda de 1,8% em relação ao mês passado), a insatisfação quanto ao nível de consumo acumula 42 meses, sem grandes perspectivas se a economia não voltar a crescer de forma sustentada. Segundo a CNC, as famílias reduziram a intenção de gastos em julho devido principalmente às condições de consumo (-3,9%) e ao momento para a compra de duráveis (-3,9%).

"Todos os sete subíndices que compõem o indicador caíram, denotando que os consumidores ficaram mais cautelosos quando se depararam com a conjuntura desfavorável ainda reflexo da paralisação dos caminhoneiros e a desorganização da produção", diz o economista da CNC, Antonio Everton.

Outros números e perspectivas

Na comparação com julho de 2017, no entanto, a CNC registrou uma alta de 2,3% na confiança do empresário. Na passagem de junho para julho, houve queda na confiança do empresário em relação ao momento presente (-8,8%), principalmente devido à avaliação mais negativa em relação à situação da economia atual (-13,6%).

As expectativas em relação ao futuro caíram 2,2%. Já as intenções de investimento recuaram 1,8% de junho para julho. Na comparação com julho de 2017, houve altas na confiança em relação ao momento atual (4,1%) nas intenções de investimento (6,5%). Houve queda de 1% na expectativa em relação ao futuro.

Embora as significativas quedas provocadas pelas paralisações de maio estejam restritas ao terceiro bimestre de 2018, dificilmente o ritmo de vendas verificado nos cinco primeiros meses do ano se manterá no segundo semestre. Diante desse resultado, a Confederação revisou a sua expectativa de avanço do varejo ampliado em 2018 de +5% para +4,8%.

Menos contratações

Acompanhando os indicadores do Icec, o subíndice relativo aos investimentos recuou 1,8% em relação a junho, reduzindo a intenção de contratação em -2,8%. Embora esse indicador ainda revele tendência de expansão de emprego no setor em curto prazo, a criação de vagas deve se dar de forma menos intensa.

"A maior parte dos empresários (56,9%) pretende contratar trabalhadores nos próximos meses. Esse percentual, no entanto, já difere significativamente da proporção de varejistas dispostos a contratar em janeiro deste ano (61,1%)", afirma Bentes.

Do ponto de vista dos estoques, prejudicados pela greve dos caminhoneiros em maio e ainda com reflexos em junho, o abastecimento se encontra normalizado, na medida em que a parcela de empresários com estoques abaixo do adequado no início de junho (15,2%) recuou para 14,7% -percentual praticamente igual ao verificado antes da crise de abastecimento.

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