Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Pré-decepção

Por: Da Redação por Orígenes Martins Júnior
19 Jul 2018, 16h04

Crédito:Divulgação
Estamos a menos de quatro meses de um evento determinante para qualquer país democrático, que deveria ter nas eleições seu ponto máximo onde os donos deste país demonstrariam sua vontade e seu grau de satisfação em relação ao sistema. É um período em que todos fazem elogios à democracia, se dizem necessariamente democrático independente de seu viés ideológico, além de criarem as mais diversas formas de "ganhar" eleitores para a luta final.

São inúmeros os países com regimes verdadeiramente democráticos onde as características em relação ao sistema brasileiro são no mínimo gritantes. Em primeiro lugar salta aos olhos de qualquer cidadão com um mínimo de senso do ridículo o número absurdo e incoerente de partidos existentes no Brasil, fruto de um acordo fraudulento e criminoso de facções político-criminosas que resolveram se instalar indefinidamente no poder. Basta procurar no mapa político do mundo para tentar encontrar qualquer sistema político que tenha um modelo com este número ridículo de partidos brigando por verbas parlamentares e fundos partidários e não vai conseguir encontrar.

Outro fator que vem de encontro às nossas desesperanças, é o tempo exíguo que temos para escolher nossos candidatos. Faltando estes menos de quatro meses para as eleições, ainda não temos os candidatos totalmente definidos para disputar as eleições. No máximo o que existem são os malditos PRÉ-CANDIDATOS, aqueles que na linguagem popular se diria que estão "em cima do muro", querendo disputar as eleições porém nem mesmo eles sabem se irão fazê-lo. É um verdadeiro desrespeito ao cidadão, quer dizer mais um dos inúmeros desrespeitos, que não tem tempo para se posicionar a respeito do candidato que deve merecer seu voto.

A atual democracia brasileira se é que se pode chamar este sistema de democrático, é o sistema da dúvida, onde a grande massa tem dúvidas sobre quais são os partidos, dúvida sobre quem está aliado a quem, dúvida sobre quem são os candidatos e pior de tudo, quais são as propostas dos candidatos já que não podemos há muito tempo nos basearmos em propostas de partidos que são meros arrecadadores de fundos públicos e negociadores de minutos na televisão.

Não é a toa que um escândalo como o que ocorreu no Ministério do Trabalho, o mais recente entre tantos que ocorrem por lá, o da venda de registros de sindicatos, não teve nenhuma reação dos partidos. Em primeiro lugar pelo fato de um partido, o PTB ser o chefe da quadrilha que fazia a mutreta, vendendo por milhões o registro de sindicatos que são outro exemplo de absurdo na estrutura combalida da sociedade brasileira. Temos dezeseis mil sindicatos em nosso país, quando em países sérios o número não passa de cem e em alguns casos não chega a cinquenta. A questão está no tal do Fundo Sindical, que faz com que alguns sindicatos jamais tenham funcionado como tal e jamais tenham entrado em contato com trabalhadores sendo, portanto empresas de fachada, meros arrecadadores de dinheiro público.

É neste sentido que me pego a pensar sobre os lançamentos de campanhas daquilo que deveria ter acontecido há mais tempo, além de ter outra conotação. Os eleitores deveriam estar conhecendo seus candidatos e atônitos são apresentados aos pré-candidatos, ficando sem entender direito ao que vieram. Cada vez mais se fala em corrigir a situação brasileira e pelo contrário, se complica uma situação que não seria difícil de resolver. Seriam necessários elementos comuns em homens públicos sérios e que estão em falta no cenário político brasileiro: honestidade, seriedade e sentido de civilidade.

A cada semana assistimos assustados e preocupados o Congresso Nacional, que deveria funcionar como defensor dos interesses do povo, aprovando leis que complicam a governabilidade do país e aumentando as vantagens pessoais dos políticos e funcionários públicos que não querem perder seus privilégios de forma alguma. Afinal, qual foi a intenção que cada elemento desse teve ao se lançar candidato e prometer tanta coisa a seus eleitores? Quando pré-candidato, as promessas eram de realizações, trabalho, luta contra os ladrões e outras figuras conhecidas. No entanto, durante o mandato e agora no momento de fazer acontecer mais um, fica a pergunta se podemos ter esperança ou se viveremos mais uma Pré-decepção?

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