Manaus, 12 de Novembro de 2018
Siga o JCAM:

Amazonas - uma economia endógena

Por: Da Redação por Nilson Pimentel
13 Jul 2018, 15h33

Crédito:Divulgação
Por tudo que o Amazonas passou em termos econômicos e que ficou registrado em sua Historia Econômica recente, principalmente nesses dois últimos séculos, não é raro encontrar algum trabalho acadêmico que trate sobre os equívocos praticados em períodos áureos de geração de riquezas, no qual se chega ao financiamento da base da economia cafeeira no Brasil, haja vista o alto grau de capitais envolvidos na economia gomífera do Amazonas. Mais adiante se obteve a implementação do enclave econômico que é o projeto Zona Franca de Manaus - ZFM com seu espectro mais visível, o Polo Industrial de Manaus - PIM, no qual se mantem refém nesses ultimo 50 anos.

Ressaltando, contudo, que as atividades econômicas ditas dinâmicas do PIM têm sustentado toda sorte de investimentos de governos estadual que passaram nesses anos, haja vista a real constatação que não houve o mínimo esforço por construir um futuro promissor diferente daquele acontecido com o Ciclo da Borracha. Nada se arriscou, mas se permaneceu na esteira do conforto sem arriscar o perfil político de quem governou esse imenso bioma, cheio de potencialidades naturais capazes de produzir, economicamente, mais riquezas que as atividades econômicas do PIM têm produzido até então. Nos estudos dos economistas pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia - CEA, por serem crentes que os caminhos do futuro para o Amazonas e para a Amazônia passam, necessariamente, por elementos da economia regional endógena, focando no potencial que o desenvolvimento econômico regional é um fator democratizador espacial das atividades econômicas, como meio para alcançar resultados positivos. Para aqueles economistas, tanto equipes do governo estadual quanto os estudiosos do desenvolvimento econômico endógeno devem utilizar a conceitualização do modelo real espacial que o Amazonas possui nas diversas regiões espaciais dos municípios, dentro de cada uma das nove sub-regiões. Todos se identificam sabendo que possuem um modelo mental que se aplicado daria certo no desenvolvimento do Amazonas, isso e aquilo, e diferente aquele imposto de cima para baixo pelo governante de plantão. Entretanto, os pesquisadores do CEA, frente a essa questão, costumam identifica-la como pré-configuração racional de uma ação real, pois lhes faz escassez de metodologias e ideologias científicas, pois carecem de fundamentos econômicos consideráveis para a formulação de politicas públicas regionais voltadas aos processos de desenvolvimento econômico endógeno no estado do Amazonas. Assim, as análises econômicas das Teorias que estudam o Desenvolvimento Econômico constatam que esses processos não se distribuem de forma homogênea espacialmente, haja vista a diversidade de fatores que influenciam as características especifica de cada região, ou, no caso em cada Município do Amazonas. Por isso que os pesquisadores se concentram e balizam suas pesquisas sobre desenvolvimento econômico regional no que denominam de espaço econômico, no qual se desenrola o conjunto de atividades econômicas e se distribuem no meio geográfico daquele espaço ou região. Vale destacar que as regiões do Amazonas são "continentais", distantes e não possuem interconexões por via terrestre, logo sem estradas, meios de transportes precários, sem infraestruturas, pois se torna muito complexo delimitar quaisquer distanciamentos de atividades econômicas de seus mercados, objetivando maximizar os fatores de produção, como o emprego e a renda de cada centro espacial. A proposito da discussão no CEA, sempre se embate entre a competência das equipes do governo estadual e o mix de conhecimentos já instalado na sociedade civil amazonense, que parece ter "medo" de se imiscuir no meio governamental, tanto que os que assumem posto de gestor público em secretarias e instituições, dificilmente trazem competência daquele metier, assim que sempre se tem como direção o que diz a Professora Diane Conyers "Aqueles que têm por missão ler, ensinar e pesquisar sobre desenvolvimento, devem assumir sua porção de culpa pela atual falta de perspectiva. Um dos principais papéis sociais dos acadêmicos e intelectuais é o de fornecer um sentido de perspectiva, com vistas a orientar outros membros da sociedade que estão preocupados com as questões e os problemas do dia-a-dia. Contudo, atualmente existem poucos indícios de tal orientação intelectual no campo dos estudos do desenvolvimento... E aqueles entre nós que se dizem especialistas do planejamento regional são tão culpados quanto qualquer um". Por outro lado, o que se tem constatado nas nove sub-regiões do Amazonas é que as estruturas politico-administrativas dos Municípios, para efeito de processos de desenvolvimento econômico regional, se passa apenas como "leve fator administrativo e artificial planejador", pois a realidade lhes sucumbe a viver de 'pores na mão' junto ao governador do estado. Sendo assim, não se pode ter o modelo mental, para o desenvolvimento regional, pois a realidade espacial de cada município das sub-regiões é que torna a realidade uma premissa importantíssima e ferramenta primordial aos processos de desenvolvimento econômico. Quisera que assim não fosse, mas o certo é que o território é importante para a consecução de qualquer planejamento estratégico econômico ao desenvolvimento regional, conhecendo de maneira flexível e complexa ao mesmo tempo, como um leque no qual a região possui, como elemento ou uma configuração a mais entre várias e tantas dentro de sua realidade. Por isso que os economistas do CEA não concordam com a questão posta em voga no meio social amazonense, da "Nova Matriz Econômica", não é assim que se projeta às necessidades identificadas.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário