Manaus, 15 de Novembro de 2018
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Diretor: capacidade empreendedora

Por: Da Redação por Daniel Nascimento
13 Jul 2018, 15h30

Crédito:Divulgação
Já se tornou lugar comum dizer que todo gestor precisa ter capacidade empreendedora. Na verdade, para as posições operacionais é mais recomendável que o gerente saiba pelo menos ser gerente, ou seja, ter conhecimentos, habilidades e atitudes capazes de tornar realidade os objetivos e metas pretendidos pela organização em relação à unidade que gerencia. O mesmo não acontece com grande parte das posições táticas e todas, sem exceção, as posições estratégicas, que é onde se situam os diretores de campus, de centros e de faculdades, objeto dessa série de artigos. Para esses dirigentes estratégicos, ser empreendedor é requisito essencial, condição que, sem ela, o fracasso é apenas questão de tempo - ou melhor, de tomada de posse. E a coisa se agrava ainda mais quando considerado que não vale qualquer tipo de empreendedorismo que comumente de pratica nas organizações privadas e maioria das públicas. Dessa forma, este artigo tem como objetivo mostrar a primeira parte da capacidade empreendedora necessária para alguém ocupar a posição estratégica de diretor de organizações de educação profissional e tecnológico (EPT).

Está-se considerando empreendedorismo a capacidade que todo indivíduo precisa ter para transformar em realidade os sonhos de uma coletividade que dirige. Direção, por sua vez, é o domínio que um indivíduo possui sobre diferentes estilos de liderança, esquemas de comunicação e motivação e que emprega para manter os membros de sua coletividade disposta a empregar seus esforços na construção do futuro por ela desejado. Como consequência, o diretor de organizações de EPT precisa ser um estadista. E, como todo estadista, dominar procedimentos e ferramentas de desenho e construção de futuros, além de conhecimentos, habilidades e atitudes para manusear técnicas e metodologias de direção para lidar com os indivíduos de sua coletividade e das organizações com as quais venha a manter contato. Essa é a definição conceitual e operacional do empreendedorismo no sentido lato, que se aplica a todo tipo de organização.

No entanto, para as organizações de EPT, alguns requisitos são necessários para ajustar o perfil do empreendedor às especificidades dessas organizações. O primeiro diz respeito ao domínio do mercado de conhecimentos. Entende-se por mercado de conhecimento à somatória de todos os tipos de explicações científicas sobre fatos e fenômenos requeridas pelas comunidades e organizações do ambiente de atuação da organização que o diretor pretende dirigir. E conhecimento é sempre sinônimo de pesquisa, de busca de respostas para algo que aflige, inquieta ou incomoda. Traduzido em miúdos, o pretendo candidato a diretor precisa saber que conhecimentos suas comunidades desejam e estão dispostas a pagar para adquiri-los. Estes conhecimentos podem estar disponíveis, por exemplo, e serem passíveis de serem repassados através do ensino ou da extensão como atividades-fim.

Se não estiverem disponíveis, os conhecimentos requeridos pela comunidade externa podem tomar pelo menos uma das seguintes atividades-fim: inovação, pesquisa ou empreendedorismo tecnológico. As inovações representam um tipo de produto da pesquisa destinado a suprir uma necessidade nunca sentida, o que exige novidade, o novo no tratamento da situação inusitada. A pesquisa pode se dar tanto para explicar alguma ocorrência (ciência) quanto para a produção de algum artefato que sirva para resolver determinado problema específico (tecnologia). Finalmente, mas não o menos importante, o empreendedorismo tecnológico é uma forma de aliança estratégica entre quem detém conhecimentos e quem detém dinheiro e outros tipos de recursos para aproveitamento econômico de alguma oportunidade de negócios.

O que queremos mostrar, com isso, é que o diretor não pode cair de paraquedas na posição estratégica simplesmente porque o seu chefe o indicou ou porque conseguiu convencer a maioria dos indivíduos a votar nele. Aliás, o ideal seria que vários doutores se habilitassem com requisitos técnicos, relacionais e memoriais para tal e que o diretor fosse escolhido por sorteio, de maneira que, ao final do mandato, nunca mais pudesse ser escolhido, forçando a organização a manter sempre membros aptos a ocupar a posição.

O conhecimento empreendedor em organizações de EPT representam a necessidade do indivíduo postulante a gerenciar o que lhe será exigido: a relação da sua organização com o seu ambiente de inserção. Dito de outra forma, o papel principal de todo diretor é estabelecer relações de parcerias com organizações do ambiente externo para obter do ambiente os recursos necessários para desenvolver sua comunidade a partir do alcance dos objetivos institucionais, ao mesmo tempo em que contribui para com o desenvolvimento socioeconômico do seu ambiente de atuação. Isso exige do diretor domínio sobre procedimentos e relações interorganizacionais do tipo ganha-ganha, razão do porquê o perfil de diretor estadista, competente no manuseio das dimensões técnicas, relacionais e atitudinais que a posição exige.
Como todo empreendedor, por conseguinte, o diretor precisa ser um líder nato, por exemplo, de todos os grupos de pesquisa de sua instituição. Isso exigirá dele o conhecimento, se não técnico, pelo menos das potencialidades socioeconômicas dos possíveis produtos que cada grupo de pesquisa poderá gerar, agora e nos médio e longo prazos. Ainda que não precise conhecer tecnicamente do que os grupos tratam, precisa dominar o método científico. Esse conhecimento permitirá que possa exercer o duplo papel, de representante do ambiente dentro da instituição e representante da instituição em cada organização que faça parte do seu ambiente de inserção.

O diretor é o principal vendedor de sua instituição. E como todo vendedor, precisa dominar como ninguém as principais características e atributos dos produtos e serviços institucionais para apresenta-los como passíveis de ajudar na superação dos desafios e resolução dos problemas que seus clientes e parceiros enfrentam.

E isso tudo precisa ser feito de uma forma tal que os esforços e energias dos membros de sua comunidade acadêmica continuem constantemente renovados para a construção do futuro por todos desejados. A capacidade empreendedora do diretor é que o faz estudar e aprender sempre, todos os dias, ao longo de toda sua existência pretérita e todas as existências futuras.

E tudo isso tem que estar registrada no seu memorial ou no currículo Lattes.

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