Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Crise da Unimed em pauta na Aleam

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
10 Jul 2018, 14h59

Crédito:Divulgação
O presidente da Unimed Manaus, Sérgio Ferreira filho esclarece hoje, a partir das 9h, em sessão especial da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), a atual situação econômica da empresa, e a recente decisão da ANS (Agência Nacional de Saúde), que determinou a venda da carteira dos 122 mil clientes da operadora para outra empresa, em consequência do grave problema financeiro.

No último dia 27, a empresa confirmou a alienação compulsória de seus beneficiários, a fim de cumprir o prazo de 15 dias, a partir do recebimento da notificação da ANS, que destacou que a suspensão dos planos privados de assistência à saúde da empresa, seria a decisão mais acertada, devido às dificuldades financeiras que tem prejudicado o atendimento aos clientes.

Apesar da decisão, a Unimed divulgou em nota que os serviços aos clientes estão sendo realizado normalmente, sem qualquer alteração nos atendimentos hospitalares. De acordo com o chefe do setor jurídico do Procon-AM ( Programa Estadual de Proteção e Orientação do Consumidor), Maurílio Brasil, independentemente da transferência dos serviços, o consumidor ainda tem todo direito e condições contratuais para utilizar os serviço da Unimed.

"No período de transição até a alienação efetiva, os serviços não podem ser suspensos. O cliente não pode ter seus direitos violados e nem restringidos no momento da transferência", disse. E destacou ainda, que para esclarecer qualquer dúvida, o consumidor pode se dirigir até a sede da entidade na avenida André Araújo, no Aleixo, ou ligar no telefone 0800- 0921512.

Mercado

Segundo o economista Eduardo Cezar de Carvalho, se a saída da Unimed Manaus for concretizada, os concorrentes diretos terão a oportunidade de ampliar seus serviços, e conquistar essa fatia do mercado investindo até em novas estruturas físicas para atender a demanda no setor, e se possível, até encarecer os planos de saúde na cidade. "A situação em que a Unimed se encontra hoje passa a ser um ponto negativo para o mercado, isso porque ele passa a contar com uma empresa a menos para prestação desse tipo de serviço. Então existe a possibilidade do consumidor ter um custo maior em relação a saúde privada no Estado. E a prestação de serviço pode ter uma diminuição porque quando diminui a concorrência direta, as empresas passam a prestar um serviço de menor qualidade por um preço mais caro", disse.

Para o economista Ailson Rezende, a situação abre espaço para planos de saúde alternativos, onde o consumidor não precisa ser associado e nem ter a obrigação de pagar uma mensalidade. "Somente as empresas ainda mantêm planos de saúde, por exigência legal para quem tem os benefícios fiscais da Zona Franca. E ainda assim, buscam os planos mais baratos", disse.

Por dentro

Segundo pesquisa do Instituto Ipsos Brasil, o setor de saúde é ruim para 42% dos brasileiros. De acordo com os dados, dos 68% dos brasileiros que utilizam o SUS (Sistema Único de Saúde), 61% já tiveram convênio médico. Contudo, a dificuldade de pagar (45%) e o desemprego (43%) fizeram com que esses usuários migrassem para o sistema público. Segundo Rezende, planos de saúde nos moldes da Unimed, dificilmente terão sucesso com a crise que o país atravessa.

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