Manaus, 20 de Setembro de 2018
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Um dia para conhecer o Amazonas

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
09 Jul 2018, 15h23

Crédito:Divulgação
Desde que a Amazônia ficou conhecida no mundo pouco tempo depois da descoberta do Brasil, já começou a causar interesse nas pessoas em querer conhecê-la. Foi preciso alguns séculos para que esse interesse se tornasse numa forma de se lucrar.

O turismo ecológico, hoje tão em moda, começou em Manaus no início da década de 1950, com a inauguração do Hotel Amazonas, em 1951. O hotel proporcionava a seus hóspedes, passeios fluviais nas proximidades de Manaus. Em 1965, Manuel Alcy Góes Barros, ex-funcionário do Hotel Amazonas, montou sua agência de turismo, a Amazon Explorers, continuando a levar os turistas para conhecer o encontro das águas, o que acabou tornando o fenômeno natural famoso no mundo inteiro (apesar de Frei Gaspar de Carvajal já o ter descrito em 1542) e visitar o lago Janauary e suas vitórias régias, passeios que a empresa faz até hoje, agora sob a direção dos filhos de Manuel.

"Interessante como desde a época de meu pai, esses locais nunca perderam seu charme e encanto, e todo tempo recebemos turistas do mundo inteiro, nacionais e locais, interessados em conhecê-los e ficando maravilhados ao vê-los, ao vivo. Têm turistas, inclusive, que repetem o passeio", falou Eury Barros, um dos filhos de Manuel.

Durante décadas a visita ao encontro das águas e ao lago das vitórias régias ficou sendo o cartão de visitas de Manaus. Só recentemente, apesar de os outros dois itens continuarem indispensáveis na agenda (e olha que a Amazônia está repleta de encontros das águas e lagos com vitórias régias), as agências de turismo passaram a explorar variados segmentos como a culinária regional, o nado com os botos, a pesca da piranha e, quem diria, até os índios entraram na dança.

Indígenas lucram com turismo

"Todas as agências de Manaus estão adotando um tipo de passeio no qual, durante um dia inteiro são mostradas ao turista várias situações onde ele poderá conhecer bem de perto aspectos da nossa região, como as comidas, os animais, os povos indígenas, sem se afastar muito de Manaus. No final do dia ele estará de volta à cidade", disse João Barbosa, gerente da Amazon Green Tours.

Os passeios variam um pouco de agência para agência, mas o roteiro é o mesmo. Os turistas são pegos pelas agências nos hotéis onde estão hospedados, já os manauaras podem ir direto ao local de onde sairão os hajatos, no centro, no porto dos hajatos; ou no porto da Ceasa.

"No caso da Amazon Green Tours, saímos do porto da Ceasa e rumamos para o encontro das águas, que fica próximo. As pessoas ficam maravilhadas com esse fenômeno, mesmo os amazonenses que nunca o viram tão de perto e podem até tocar nas duas águas, enquanto o guia vai explicando porque as águas não se misturam, velocidades diferentes, temperatura, essas coisas", falou João Barbosa.

Depois o passeio segue para o furo do Xiborena, entre os rios Negro e Solimões, onde os turistas poderão 'brincar' com pirarucus, antes só vistos empalhados em lojas de souvenirs. Os botos, que antes eram apenas observados em seus saltos esporádicos para fora das águas, desde que ganharam fama internacional com suas brincadeiras com as meninas de Novo Airão, passaram a integrar a agenda das agências de turismo. Existem cinco flutuantes (dois no rio Acajatuba e três no paraná Jacaréubal), especialmente preparados para receber turistas interessados em tomar banho junto com os botos, mansos e inofensivos. Ainda consta na agenda a pesca da piranha. Pela sua voracidade, as piranhas são bem fáceis de serem fisgadas, fazendo a festa principalmente de quem nunca pescou antes.

O item mais recente nos passeios turísticos, porém, é a visita a pequenas aldeias indígenas, nas margens do Negro, também especialmente preparadas para receberem os turistas. Atualmente quatro delas ganham um bom dinheiro com a atividade turística. "O povo com o qual trabalhamos é o Dessana. Um dos rapazes da tribo acompanha o turista durante horas numa caminhada pela selva mostrando plantas medicinais tradicionais. No retorno à aldeia, a tribo faz uma cerimônia com dança e festa. Depois é servido o almoço numa casa flutuante familiar", explicou João.

"Nossa agência recebe turistas o ano inteiro, às vezes com maior intensidade, às vezes menos, como agora, por causa da Copa. 80% são estrangeiros e 20%, brasileiros. Com relação a esses passeios de um dia, a maioria dos clientes são daqui de Manaus mesmo.

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